Jornal dos Desportos

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Girabola

Aviadores continuam a alternar nas exibições

Augusto Panzo - 29 de Setembro, 2016

Sector atacante e defensivo continuam a preocupar a equipa técnica do ASA na ponta final da temporada

Fotografia: Kindala Manuel

O ASA, um dos fundadores do campeonato nacional, é detentor de três títulos na prova, está na mó de baixo esta época, tudo faz para evitar a despromoção.

Os aviadores continuam a alternar as exibições, e fruto da irregularidade é  a posição que ocupam na tabela de classificação. À medida que a competição caminha para o término, todos começam a preocupar-se com a situação, principalmente, os que se identificam com as cores do clube.  

O sector atacante da equipa, nesta fase crucial do Girabola Zap, está com  'poder de fogo' reduzido ou quase nulo, a julgar pelo número de golos apontados ao longo das dez jornadas disputadas nesta segunda volta, apenas 11 tentos, que equivale  à média de um golo por jogo.

Neste somatório, a partida com o 1º de Maio de Benguela foi o que os atacantes aviadores facturaram mais, ao apontarem três tentos. Vem a seguir os desafios com o Sagrada Esperança da Lunda Norte e com o Porcelana FC do Cuanza Norte, em que a linha de ataque facturou por duas vezes, em cada uma das partidas.

Nos restantes jogos, os aviadores triunfaram por margem mínima de um golo, precisamente,  diante da Académica do Lobito e do Recreativo do Libolo, uma clara demonstração da falta de eficácia dos atacantes, que  contribuiu  para o momento menos bom que enfrentam.

A fraca capacidade de reacção e finalização dos homens de ataque do clube do bairro Mártires do Kifangondo esteve em evidência, em várias outras partidas em que saíram do campo em branco, e em algumas apesar de marcarem presença no marcador, perderam os jogos.

Os avançados do ASA marcaram dois golos, à razão de um tento em cada uma das partidas que consentiram derrotas com o Desportivo da Huíla e do Interclube, ambas por três bolas a uma.

E, se na linha da frente as coisas não vão a preceito, a situação no sector defensivo não difere muito, porque  claudica nos minutos finais, facto que deixa o corpo técnico preocupado, promete trabalho árduo para inverter o quadro.

Aliás, o treinador -adjunto do ASA, Sérgio Pedro "Sérginho" manifestou isso recentemente numa das entrevistas que concedeu aos órgãos de comunicação social, deixou o recado de que deve-se trabalhar mais para melhorar nesse aspecto.

Na altura, Sérgio Pedro "Sérginho" disse não estar preocupado com o número de golos que sofrem, mas com a forma como o sector defensivo consente, pelo que deixou  o recado de que o grupo vai trabalhar, no sentido de inverter a situação.

CONJUNTO AVIADOR
Kanka critica ansiedade no grupo


A preocupação manifestada pela equipa técnica do ASA devido ao número de golos sofridos nas duas últimas jornadas, apesar de ser exclusivo do sector defensivo, os atletas que defendem a baliza aviadora não estiveram isentos da crítica e da observação dos treinadores.

O antigo jogador do ASA, Kanka Vemba, actual técnico de guarda-redes, defendeu ao Jornal dos Desportos que a formação aviadora está próxima de garantir a permanência no Girabola Zap, mas reprova a ansiedade no seio do grupo, sob pena de criar um ambiente impróprio para o desiderato que persegue.

Alertou aos atletas, com realce para os que actuam na baliza, a manterem a concentração que o momento exige. "Tenho conversado com os guarda-redes para  deixarem de lado a ansiedade, e pensar nos pontos que faltam para garantir e encarar a parte final do campeonato com mais tranquilidade. Felizmente, têm correspondido o que é muito bom", revelou.

"A orientação é no sentido de esforçarem-se mais, para ganharmos um ponto em cada jogo. Por isso, é que vêem os nossos jogadores muito mais dedicados ao trabalho e a corresponderem com o que emanamos. Até lá, vamos fazer uma ponta final calma", destacou.

Kanka sublinhou estar regozijado com a postura, entrega e firmeza dos guarda-redes Maguette, Sukame, Rui e Traoré. Fez questão de lembrar que um guarda-redes deve representar 50 por cento da capacidade e segurança do grupo, responsabilidade que tem passado ao quarteto.

"No ASA temos as balizas seguras, na ordem dos 100 por cento. Aliás, para quem tem acompanhado a nossa equipa neste Girabola Zap 2016, sabe que temos um dos melhores guarda-redes do país, e  transmito aos meus pupilos, o que eu fazia no passado. De resto, se eles acatarem da melhor forma os ensinamentos não teremos problemas", comentou.

Por último, afirmou que deve incutir a todos o mesmo rigor e disciplina. "Para mim, não é ético particularizar a qualidade dos guarda-redes,  desde o momento em que o treinador aposta nele, é porque reflecte a confiança do técnico. Daí que, se partirmos desse princípio, todos que estão no plantel são bons", sublinhou o homem encarregado de preparar os “keepers” do ASA.

BALIZA
“A altura do atleta é determinante”


O técnico - adjunto alertou os clubes e atletas que actuem nessa posição, para o cumprimento escrupuloso da exigência imposta pela Federação Internacional de Futebol Amador (FIFA), que aconselha uma altura aceitável para  jogar na baliza. Advertiu que muitos  dos factores negativos, que se registam nos jogadores que actuam na baliza, deve-se à baixa estatura.

"Na actualidade, o guarda-redes tem de representar pelo menos 50 por cento da capacidade defensiva da equipa. Não é por acaso, que a FIFA exige para esta posição um atleta no mínimo de 1,80m, no sentido de garantir uma certa confiança na baliza. Isso, tem sido a razão fundamental para nós, na escolha de guarda-redes, que integrem o nosso plantel", confessou.

Alerta, que a maioria dos golos que os guarda-redes sofrem, actualmente, provêm de cruzamentos, razão pela qual aconselha a um certo rigor na componente altura, caso contrário, os clubes que não têm jogadores com estas qualidades, arriscam a sofrer muitos golos.

"O guarda-redes não deve ser de baixa estatura, para que possa corresponder aos cruzamentos, porque no futebol da actualidade, 90 por cento dos golos vêm dos cruzamentos. Daí, o motivo que os guarda-redes têm de ser altos para corresponderem à estas exigências", recordou.

O antigo atleta do ASA defende que para merecer a confiança do treinador, o guarda-redes  deve empenhar-se nos trabalhos, esclareceu ainda que a escolha de Maguette como guarda-redes titular, não significa que os outros não trabalhem.

"Não realizamos o nosso trabalho a particularizar as pessoas. Temos o Maguette como titular neste momento, mas a qualquer altura podemos ter necessidade dos outros. Então, a carga de trabalho deve basear-se nesse pensamento, de maneira que não possa haver discriminação", elucidou Kanka Vemba.
AP