Jornal dos Desportos

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Girabola

Bianchi pode morrer pela boca

Betumeleano Ferro - 24 de Outubro, 2017

Tricolores amealharam treze pontos em oito jornadas contra vinte dos militares

Fotografia: Vigas da Purificao| Edies Novembro

A questão do título, do Girabola ZAP 2017, está quase definida com o iminente bis do 1º de Agosto. A revalidação está prestes a tornar-se realidade, apenas nove jornadas depois das cínicas declarações do técnico Beto Bianchi, do Petro de Luanda, a seguir ao empate com o Kabuscorp em que o treinador fingiu não ver os militares na liderança, por causa dos quatro jogos que os tricolores tinham em atraso.
As estatísticas produzidas pelos tricolores a partir do dérbi com os palanquinos, quando voltaram ao activo no campeonato, reduziram a nada a tal vantagem a que Bianchi queria apegar-se. Desde que voltou à acção, nas nossas contas não entraram os jogos em atraso, o Petro de Luanda amealhou 13 pontos em 8 jornadas, ao passo que o 1º de Agosto fez mais 7, ou seja 20 pontos.
O regresso do Petro de Luanda ao Girabola Zap coincidiu com o período de grande aproveitamento do 1º de Agosto, pois com a ausência do rival, os militares não foram tão competitivos como ficou evidente nas duas vitórias e em igual número de empates nas jornadas que decidiram disputar, quando podiam muito bem adiar os seus jogos por causa dos atletas que estavam ao serviço da selecção nacional.
A inédita e arriscada estratégia do 1º de Agosto, acabou por pressionar o Petro de Luanda, com os tricolores a fazerem o pleno nos 4 jogos em atraso, 12 pontos, mas os números não enganam, nem Beto Bianchi nem o seu plantel olharam para baixo para ver os militares.
A diferença entre os eternos rivais é de 3 pontos, mas uma olhada na estatística permite ver que a separação das águas aconteceu no clássico, quando os militares venceram por 1-0. Antes desse jogo de má memória para os tricolores, as duas equipas estavam com desempenhos semelhantes, 2 vitórias e um empate, contudo num ápice, o Petro perdeu 3 dos últimos 5 jogos que disputou.
O título, agora, está a uma vitória do 1º de Agosto, as contas podem não serem feitas no final do dérbi entre militares e aviadores, todavia, o que os números mostram é  o iminente fracasso tricolor prestes a acontecer na recta final do campeonato, como sucedeu na época passada.
Enquanto os militares somaram e seguiram nas últimas 5 jornadas, fizeram 13 pontos, os tricolores marcaram passo e desperdiçaram na hora e no momento errados 6 pontos,  insuficientes para prevalecer contra o grande rival.
 A matemática ainda dá esperanças ao Petro de Luanda, mas para a ciência exacta ajudar na improvável consagração tricolor, é necessário que o quase campeão 1º de Agosto perca os dois derradeiros jogos com o ASA e o Kabuscorp, um cenário que nem o mais optimista dos adeptos tricolores aceita ser capaz de acontecer.