Jornal dos Desportos

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Bruta trumuno!...

Jorge Neto - 09 de Abril, 2017

Petro de Luanda e 1º de Agosto proporcionaram ontem um bom jogo no estádio 11 de Novembro

Fotografia: Kindala Manuel

O clássico prometeu mas não desencalhou. Os dois rivais Petro de Luanda e 1º de Agosto, apesar das oportunidades criadas, os tricolores em maior número, \"acordaram\" a divisão de pontos. Houve momentos de bom futebol e emoção, porém faltou o principal ingrediente de um jogo deste calibre: o golo.

As duas formações dispensaram o habitual estudo mútuo e cedo tentaram assumir o jogo. Do lado dos tricolores confirmou-se a ausência do melhor marcador da equipa, o brasileiro Tiago Azulão, enquanto os militares não contaram com o lateral direito Isaac e o médio central Ibukun.

O primeiro lance de perigo do desafio surgiu dos pés de Carlinhos, mas perdeu tempo e permitiu a intervenção de Massunguna. Depois Job foi bem servido por um colega e diante da oposição de Bobó, rematou sem a direcção desejada, uma situação que chegou a criar calafrios à defesa militar. Os tricolores voltaram a arrepiar os rubro-negro na cobrança de um livre directo por Carlinhos, respondido por uma excelente defesa de Tony Cabaça, tendo a bola depois embatido ainda no poste direito.

Nesta altura, o sinal mais pertencia aos pupilos de Beto Bianchi, que conseguiam ser mais directos naquilo que pretendiam, e com isso procuravam explorar as alas, onde apareciam Mira e Mabiná. Da parte dos militares faltava mais criatividade na construção das jogadas e não conseguiam aparecer no jogo Buá, Medá, Gogoró e Guelor, por isso Nelson da Luz tentava dar o ar da sua graça através de lances individuais.

O primeiro lance de grande perigo do 1º de Agosto surgiu aos 41´, numa jogada ensaiada de livre, que por pouco Natael não finalizou. A defesa petrolífera foi apanhada desprevenida e teve de se superar para estorvar a acção do lateral esquerdo. Nelson da Luz ainda teve na cabeça a oportunidade de marcar, mas não teve sorte no desvio, com Gerson já batido.  Na resposta, Job “rasgou” a defesa agostina, mas rematou ao lado.

No reatamento os dois técnicos mexeram nas respectivas equipas, entraram Mateus (Petro) e Geraldo (1º de Agosto), para os lugares de Nandinho e Gogoró, jogadores pouco intervenientes no clássico.

A partida retomou numa cadência lenta, mas o remate de Manguxi, aos 53´, na marcação de um livre directo foi respondido com uma boa defesa de Tony Cabaça. Este lance trouxe um outro tónico ao desafio. Carlinhos teve tempo e espaço para adiantar a sua equipa no marcador, mas diante de guarda-redes rematou para cima, aos 55´.

A iluminação no Estádio 11 de Novembro condicionou o seguimento do clássico, oscilou aos 58´e chegou a levar o árbitro Pedro dos Santos a interromper o desafio por 10  minutos, pois a bola voltou a rolar aos 68´.

A curta pausa no jogo teve um melhor efeito no conjunto petrolífero, que controlou as acções dentro do campo, diante da apatia dos militares, saiam muito tímidos para o ataque. Porém, Guelor foi lento e não aproveitou o primeiro brinde de Wilson, desperdiçando uma boa oportunidade de golo.

A entrada de Diogo Rosado espicaçou o ataque agostino, subiu mais no terreno e voltou a criar perigo à baliza do adversário. A vontade dos pupilos de Dragan Jovic veio ao de cima e numa arrancada de Buá, Nelson quase acertou nas redes de Gerson.


ARBITRAGEM
Trabalho aceitável


O árbitro Pedro dos Santos realizou um trabalho regular, sem casos polémicos, daí não ter nenhuma influência no resultado final do jogo. Acompanhou as jogadas de perto, primou pela disciplina, foi assim que não se coibiu em mostrar em várias ocasiões o cartão amarelo antes da meia hora do desafio. No capítulo técnico pecou algumas vezes ao não dar lei de vantagem. Mas no cômputo geral, esteve certo nas suas decisões.

MELHOR EM CAMPO
Segurança de Tony Cabaça


O clássico não teve golos e grande parte por culpa de Tony Cabaça que teve uma noite de grande inspiração, negando todas investidas do conjunto petrolífero. O experiente guarda-redes do 1º de Agosto deu confiança aos seus colegas de equipa, pois esteve sempre à altura das exigências do desafio. Realizou defesas difíceis e de grande nível, algumas que podiam perfeitamente servir para a fotografia. Tony Cabaça teve mais trabalho que o seu adversário Gerson.


OPINIÃO DOS TÉCNICOS

Beto Bianchi (Petro)
“Faltou apenas o golo”


“Acho que jogámos bem. Foi dos jogos que tivemos mais pegada. Não podemos depender de um único jogador, o Tiago Azulão, temos outros e trabalhamos bem. Fizemos um bom jogo, controlámos o 1º de Agosto, os jogadores correram muito e faltou finalizar algumas jogadas. Foi um bom jogo e os jogadores corresponderam com aquilo que preparamos durante a semana. Penso que faltou apenas o golo”.


Ivo Traça (1º de Agosto)
“Foi um grande jogo”


“Primeiro dar os parabéns as duas equipas, fizeram aqui (11de Novembro) um grande
jogo, corrido e disputaram bem o desafio. Na segunda parte, talvez pela falta de energia a nossa equipa caiu um bocado, mas também felicitar a inteligência do treinador do Petro que conseguiu anular um nosso jogador, o Buá, e isso criou-nos algumas dificuldades. Mas penso que a equipa correspondeu bem, tivemos algumas dificuldades, como já esperávamos, e só nos resta começar a pensar no próximo jogo”.