Jornal dos Desportos

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Girabola

Calulo fervilha com campees

Betumeleano Ferro - 20 de Agosto, 2016

Libolenses e militares procuram esta tarde manter firmes as suas posies rumo aos objectivos definidos para esta poca

Fotografia: Santos Pedro

A questão do título do Girabola ZAP pode começar a ser definida no final desta tarde, quando terminar o Libolo -1º de Agosto, com arranque às 15H00, no Estádio de Calulo. O cartaz da 22ª. jornada pode ser decisivo para as duas equipas e quem vencer, abre boas perspectivas para alcançar o objectivo traçado e começa a depender apenas de si para erguer o troféu.

A vantagem de três pontos com que os militares vão entrar em campo é o atractivo principal para o jogo desta ronda. A condição do líder coloca o adversário num beco com apenas uma saída, ganhar em casa para anular em definitivo a superioridade do adversário.

As duas equipas estão conscientes da importância de vencer, pois, a conquista dos três pontos é determinante para a consagração final. O jogo desta tarde ainda não vai ditar quem vai ser o campeão, mas pode ajudar a destapar o véu para se ver o rosto de quem pode terminar em primeiro, já que vão estar em campo os dois contendores com mais possibilidades de arrebatar o ceptro nacional.

O Libolo corre atrás do prejuízo, mas de modo algum está sob obrigação de entrar inclinado para a frente. Ainda assim, há motivos para acreditar que os anfitriões, talvez por necessitarem mais de vencer, vão querer esticar-se em toda a largura e cumprimento do relvado para ditar o ritmo do jogo. O campeão está disposto a tudo, menos ver o 1º de Agosto tranquilo em campo.

Uma vitória rubro-negra acelera em definitivo o passo do líder, e é pouco provável que com 6 pontos de vantagem volte a tremer e dê de novas hipóteses á concorrência de voltar a levantar a questão do título. O passado ensinou lições valiosas aos militares, pelo que há razões para acreditar que nem Dragan Jovic nem os atletas vão jogar para o empate.

Quem está obrigada a ganhar é a equipa da casa, mas isto não significa que os visitantes têm de ser submissos, até por que este tipo de postura denota falta de ambição, algo de que os líderes do campeonato não querem ser acusados.

O cartaz da jornada é motivo de conversa até mesmo entre os adeptos de outras equipas. Os ecos do que se fala chegou nas mesmas proporções aos balneários libolenses e militares. As duas equipas estão sob enorme pressão, a ansiedade é a mesma dos dois lados porque hoje podem estar a decidir o futuro na competição, mas é ponto assente que, quem resistir à tentação de ir ao pote com muita sede, vai somar 3 pontos importantes.

E se o jogo terminar empatado? Esta é uma resposta que nem o Libolo nem o 1º de Agosto querem dar, porque este é o derradeiro jogo entre si esta época e não terão mais outra oportunidade para resolverem os pendentes que têm. Por isso, é pouco provável que os dois contendores queiram adiar por mais tempo o que podem fazer esta tarde.

Os dois rivais podem até dividir os pontos, até porque a única coisa improvável é que haja um placar desnivelado, mas esta é uma possibilidade que os intervenientes só vão aceitar em último recurso. O único pensamento que têm em mente é vencer, só em última hipótese o empate vai ser um bom recurso.

Os jogadores em campo vão cometer muitos erros, mas ninguém está a espera que os árbitros sigam o exemplo dos atletas, ainda mais porque não estão em campo para tirar partido. Esta época o Libolo e o 1º de Agosto já se beneficiaram de erros da arbitragem para vencer, mas a verdade desportiva vai ser a única beneficiada se esta tarde as equipas saírem do campo sem motivos de queixa contra os árbitros.


DÉCIMO OITAVO DUELO
Histórico favorece a equipa agostina


Bem mais velha no Girabola, desde a primeira edição em 1979, o 1º de Agosto leva vantagem relativamente ao Recreativo do Libolo que se estreou na competição apenas em 2008. No total contam-se já seis vitórias dos militares.

O jogo de hoje, relativo à 22ª jornada do Campeonato Nacional, será o 18º entre ambos emblemas.

O líder 1º de Agosto, com 46 pontos, é recepcionado em Calulo pelo anfitrião Libolo, segundo com 43, num jogo em que a vitória dos forasteiros significará o alargar da vantagem para seis pontos, enquanto o contrário a liderança repartida.

 Na sua estreia na maior competição do desporto “rei” no país (2008) o representante da província do Cuanza Sul impôs um empate no seu terreno (1-1), na primeira volta, mas na segunda foi goleado em Luanda, por 0-4, constituindo-se até hoje o resultado mais expressivo no histórico dos jogos que já disputaram.
 
 No ano seguinte, em 2009, a formação rubro-negra foi à vila de Calulo vencer por 2-0, consentindo empate na segunda volta, na capital do país (1-1).
 Em 2010, o 1º de Agosto manteve a superioridade nos confrontos entre si, tendo vencido na primeira volta no seu terreno por 2-0 e igualado (2-2) no reduto adverso.

 Um ano depois, em 2011, os intervenientes não passaram de empates nas duas partidas (0-0), em Calulo e (1-1), em Luanda.
 Em 2012, o Recreativo do Libolo venceu pela primeira vez desde que subiu ao primeiro escalão por 1- 0, na capital do país, registando-se um nulo no jogo de resposta.

No Girabola de 2013 a superioridade foi dos militares em casa (1-0) e fora obteve empate a um golo.

2014 foi o ano do Libolo. Ou seja, conseguiu uma dupla vitória, curiosamente pelo mesmo resultado no jogo (2-1).

Já em 2015 o confronto terminou empatado em Luanda (1-1). Na resposta o Libolo venceu (3-2). Na presente época o 1º de Agosto foi mais forte na primeira volta, no estádio 11 de Novembro, em Luanda, com um triunfo de 3-1.

As duas formações juntas somam 13 título, sendo 9 pelo 1º de Agosto e 4pelo Recreativo do Libolo.


DÉRBI
Palanquinos e sambilas centralizam atenções


O Kabuscorp e o Progresso preferiram jogar depois do Libolo-1º de Agosto ou talvez devido aos compromissos televisivos. O dérbi acontece às 18h00, nos Coqueiros, um embate interessante porque as duas equipas costumam ser bastante competitivas quando se defrontam.

A estratégia de mudar a hora do jogo talvez leve mais público ao estádio, mas com ou sem casa cheia, os dois contendores vão ter de fazer pela vida para obter os pontos em disputa. A história dos últimos jogos vai espicaçar os dois lados. Ainda bem que palanquinos e sambilas têm provado que o momento de forma não é determinante, quando se trata de medir forças.

O Kabuscorp aparenta ter se reencontrado com os bons resultados, enquanto o Progresso continua no seu passo habitual, a alternar o bom com o mau.

Nenhuma das equipas tem a fama de utilizar estratégias arriscadas, mas quem olha para os dois planteis vê que a qualidade é equivalente, pelo que o jogo pode ser bem disputado.

Horas antes do dérbi nos Coqueiros, o Sagrada Esperança recebe em casa o Benfica de Luanda. O jogo começa às 15h00 e é de desfecho imprevisível.

O brilho dos diamantíferos demora a reluzir no Girabola ZAP do mesmo jeito como a águia voa sem confiança. Daí que nada melhor do que aguardar pelos 90 minutos para ver se os contendores invertem a tendência que lhes caracteriza.

O Sagrada tem permitido que os adversários garimpem muitos pontos no seu reduto. A pesada derrota na jornada passada, 3-0 contra o Petro, diminui a margem de erro para Zoran Maki e pupilos, uma vitória sobre o Benfica não apaga em definitivo o que aconteceu contra os tricolores mas vai ajudar a equipa a levantar a cabeça.

A equipa de Zeca Amaral também precisa de reabilitação urgente, a maneira como perdeu na ronda transacta ainda deve estar a fazer mossa no ninho da águia.  O plantel encarnado tem boa qualidade, mas às vezes se esquece que os jogos começam e terminam com o apito do árbitro, razão pela têm sido várias as ocasiões em que comete erros e perde no fim.

A Académica do Lobito está como o estudante mandrião. O campeonato se encaminha para o fim, mas nem as mudanças no comando técnico mudaram o destino da equipa e a despromoção parece iminente de jornada a jornada.

A deslocação ao difícil reduto do Progresso da Lunda Sul, 15H00, no Estádio das Mangueiras, dá poucos margens para os estudantes pontuarem com vitória.                


CLÁSSICO
Militares atiram pressão para o campeão


O facto de estar em segundo lugar na classificação, atrás do 1º de Agosto, aumenta a pressão do Recreativo do Libolo neste jogo, segundo Filipe Nzanza, que tenciona mudar o quadro negativo dos militares nos últimos resultados na Vila de Calulo.

"Penso que não há pressão para nós, ela está do lado do Libolo que está atrás de nós na classificação. Toda história tem um fim, daí que pelo facto de nos últimos anos não termos feito bons resultados, acreditamos que essa situação vai mudar neste jogo", disse o auxiliar de Dragan Jovic, que considera o Libolo uma equipa difícil mas não invencível.

"Tivemos muitos adversários além do Libolo ao longo dos últimos anos, em que não ganhamos o campeonato, o Petro, o Interclube e o Kabuscorp, mas achamos que o Libolo não é uma equipa de sete cabeças, podemos ganhar o jogo e nós que não ganhamos o campeonato há 10 anos estamos concentrados nisso", analisou.

Os jogos ganham-se com golos e neste capítulo o ataque militar está a realizar uma época positiva, sendo o melhor do campeonato, daí transmitir confiança à equipa técnica para o clássico. "O nosso ataque este ano está a marcar mais golos do que na época passada, o Gelson está bem, apesar de estar há dois jogos sem marcar, quando não marca, faz assistências, e não vejo nenhum problema com isso. Com certeza que ele vai voltar aos golos", disse Filipe Nzanza.            JN