Jornal dos Desportos

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Girabola

Campeão

Paulo Caculo - 30 de Outubro, 2016

Jogadores e treinadores saltaram de alegria, rejubilaram de satisfação e festejaram efusivamente o título de campeão perante uma excelente moldura humana

Fotografia: AFP

Banhado de champanhe e pintado de rubro e negro foi como ficou ontem topo do Girabola Zap. O 1º de Agosto "quebrou o enguiço" e afastou para longe do Rio Seco os fantasmas que assombravam o seu balneário, ao conquistar o décimo título de campeão nacional, após vitória expressiva sobre o ASA, em jogo disputado no estádio 11 de Novembro.

Jogadores e treinadores saltaram de alegria, rejubilaram de satisfação e festejaram efusivamente o título de campeão, perante uma excelente moldura humana.

Não houve quem os pudesse conter, razões de sobra havia para festejar. Os ânimos estiveram ao alto e as imagens da equipa técnica do 1º de Agosto no centro do relvado a escutar o jogo do Petro através de um rádio vai dar volta ao país, como a prova do grande interesse e da enorme disputa que marcou o campeonato.

Bua e Gelson não evitaram as lágrimas, Ari Papel agradeceu o apoio dos adeptos, a união do grupo, mas sobretudo a enorme capacidade colectiva da equipa, como os "ases" que ajudaram a consolidar o sonho.

O jejum já levada muitos anos. Foi uma década de sofrimento, que esta nova geração de jogadores do 1º de Agosto ousou quebrar o feitiço, escrevendo uma nova página no histórica do clube, com letras de ouro.

O JOGO

Apesar de ter entrado para a partida com maior posse de bola e dispor das maiores ocasiões para marcar, com destaque para aquele remate ao travessão de Gogoró, aos 41', nem por isso os militares foram suficientemente avassaladores nos primeiros 45 minutos da partida. Tudo porque o ASA não deixou e foi capaz de ostentar "pronta-resposta" às investidas do adversário.

A precisar de pontos como de pão para a boca na luta pela permanência no campeonato, já esperava-se que os aviadores fossem dar o corpo ao manifesto.

Aliás, a equipa às ordens de Corola nem por isso deixou transparecer em campo a imagem de um grupo a viver sérios problemas no balneário, agravado com a falta de salários e prémios de jogos.

O futebol intenso e a grande dinâmica imprimida as jogadas foram provas inequívocas do grande profissionalismo espelhado em campo pelos jogadores do ASA.

Se, por um lado, no 1º de Agosto era pela qualidade do futebol de Gelson, Bua e Ary Papel que o caudal ofensivo ganhava força para correr junto à baliza contrária, por outro, no ASA os grandes "carregadores de piano" da orquestra ofensiva eram Minguito, Anastácio e Milex.

O equilíbrio acabaria por ser a nota predominante na primeira parte, com as duas equipas a dividirem as ocasiões de golo, embora com relativo ascendente de posse de bola dos militares.

A segunda parte trouxe duas equipas muito mais ofensivas, com os militares a mostrarem-se muito mais ansiosos para chegarem ao golo, porém desperdiçados de forma clamorosa ou sacudidos pela "muralha defensiva" montada pelos aviadores nos seus sectores mais recuados.

Acabou sendo, no entanto, como "água mole em pedra dura" que os militares chegariam ao golo inaugural, aos 51 minutos, sublinhe-se isso, na sequência de um golo de antologia de Bua, que não deixa a bola beijar o solo, após ressalto da defesa do ASA, num remate indefensável para Maguet.

Quatro minutos depois o 1º de Agosto poderia ter chegado ao segundo golo, na transformação de um pénalti, a castigar falta de Jonhson sobre Romaric.

Gelson falhou, ao mandar a bola para o travessão. Incapaz de descobrir o caminho do golo, o goleador dos militares voltaria a ver o travessão a negar-lhe o golo, aos 68', para desalento dos adeptos do 1º de Agosto.

A vencer por 1-0 continuou a pertencer aos militares o domínio da posse de bola e a criação de maior volume de jogadas ofensivas junto à baliza dos aviadores.

Dada a enorme pressão a que passou a estar submetido nesse período, decorridos 78', não admirou que o ASA fosse abanar na sua estrutura defensiva, embora jamais deixou-se cair.

A verdade é que dado o enorme caudal ofensivo e a enorme dinâmica imprimida pelos militares ao seu futebol, a questão apenas era saber por quanto tempo mais os aviadores poderiam resistir a tudo... Decorria o minuto 88', quando Maguet resolve sair mal na tentativa de acudir a defesa e é ultrapassado por Ary Papel.

Estava feito o 2-0. E, após este golo, não demorou para que o avançado dos militares bisasse, aos 90', no 3-0, após trabalho individual de... Gelson.

Facto é que o 1º de Agosto, depois deste golo, passou a acreditar que o título estava mais próximo. Bastava esperar pelo apito final. E quando o árbitro João Goma apitou para o desfecho final, os jogadores e equipa técnica dos militares colocaram-se no centro do relvado e com ajuda de um rádio portátil colocaram-se a escuta do final do jogo do Petro.

 No final houve uma explosão de alegria, com os adeptos a invadirem o relvado e a situação a obrigar a intervenção da Polícia.

 

OPINIÃO DOS TÉCNICOS
Filipe Nzanza 1º de Agosto
“Somos campeões”


"Penso que merecemos ganhar este título, por tudo aquilo que fizemos durante esta época, mas sobretudo pelo nosso trabalho. Devemos agradecer também a todos que nos apoiaram durante todo o nosso percurso. Estamos muito felizes e esta alegria deve ser espalhada a todos adeptos do clube, que ajudaram a tornar o sonho uma realidade, de Cabinda ao cunene. Acabamos com os vários anos de jejum. Agradecemos a todos que nos apoiaram e estamos sem palavras".


José Corola ASA
“Parabéns ao adversário”


"Fizemos uma boa primeira parte, acho que estivemos melhor nos primeiros 45 minutos. Na segunda parte cometemos erros que acabaram por ser fatais para a nossa equipa e quando assim acontece só temos de nos queixar de nós mesmos. Parabéns ao adversário por ter sido mais eficaz. Vamos trabalhar para ver se vencemos o último jogo".

 

Homem do jogo
O grande papel de Ary

Torna-se indiscutível fazer referência a este título do 1º de Agosto sem mencionar o grande e imensurável papel desempenhado por Ary Papel no jogo que decidiu o título. Ao rubricar dois golos, o mediático avançado da equipa militar voltou a confirmar a sua notoriedade e importância na equipa. Muito bem, apoiado por Gelson e Bua, Ary Papel teve capacidade ofensiva e eficácia para resolver um jogo que nos primeiros 45 minutos esteve com desfecho improvável. No final do jogos foram suas estas palavras: "Estamos satisfeitos, somos campeões e obrigado a todos".


ARBITRAGEM
Trabalho razoável

A actuação de João Goma e seus auxiliares pode ser considerada como tendo sido razoável, na medida em que não teve motivos para alaridos. No pénalti assinalado a favor do 1º de Agosto não houve qualquer dúvida, na medida em que foi claro o derrame sobre Romaric. No capítulo disciplinar, a nota é positiva, na medida em que puniu severamente e como exigem as leis todas as jogadas protagonizadas à margem das regras.