Jornal dos Desportos

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Girabola

Campeo sem meias medidas

Paulo Caculo - 20 de Julho, 2015

Vice-campeo caiu aos ps do campeo nacional ontem no Estdio da Cidadela na principal partida da 17 jornada do Campeonato Nacional

Fotografia: Paulo Mulaza

O Kabuscorp ficou mais distante da liderança do campeonato, ao consentir derrota ontem, frente ao Libolo, no estádio da Cidadela, em jogo da 17ª jornada. A jogar em casa e perante os seus adeptos, a equipa do Palanca até não teve um mau começo de jogo. Muito pelo contrário. Foi capaz de chamar a si a iniciativa nas jogadas, na posse de bola e na criação de jogadas de perigo.

Mas o problema é que este domínio relativo acabou funcionando como "sol de pouca dura", pois não demorou para que os libolenses equilibrassem a partida. Na verdade, o Libolo precisou de alguns minutos para estudar o posicionamento e as vias onde pudesse chegar à baliza de Mário. E quando o conjunto de Calulo conseguiu descobrir as vias para a baliza contrária, chegou facilmente ao golo, decorridos apenas 10 minutos, por intermédio de Fredy.

O Kabuscorp acusou, em demasia, o golo sofrido. A equipa do Palanca jamais se mostrou capaz de produzir, nesse período, uma jogada com princípio, meio e fim, capaz de provocar calafrios à defesa do Libolo. Enquanto isso, os forasteiros aproveitavam esta fase de desconcentraçao dos caseiros para fustigarem o último reduto contrário. As bolas rondavam insistentemente à área de Mário, facto que não admirou que aos 20´, o conjunto da casa voltasse a marcar, desta feita pelo gigante Diawara, após excelente trabalho de Dani.

A perder por 2-0, os palanquinos resolveram acordar da dura soneca. A equipa de Miller Gomes passou a jogar mais vezes junto ao meio-campo adversário. O caudal ofensivo esteve mais intenso e o ataque dispunha de mais bolas para tentar dar a volta ao texto. Porém, a ansiedade de Meyong e Evandro de chegarem ao golo tornaram as coisas mais difíceis.

A história do desafio não alterou-se na segunda parte. Ou seja, o Libolo continuou a jogar a bel-prazer, sujeitando o Kabuscorp a longos períodos de pressão e, também, algum sufoco. A magia do futebol dos libolenses nascia da capacidade criativa de Dário, Sidnei e Dany, no meio-campo. E mais: lá atrás, a consistência defensiva era de criar inveja, pois Mingo Sanda e Edy Boyom eram uma "muralha defensiva" quase intransponível.

As entradas de Mpele Mpele e Dax vieram, depois, acrescentar algo de novo ao ataque dos palanquinos. Os passes desconcertantes do camisola 10 do Kabuscorp, aliada a arte e ao engenho futebolístico do número 14 tornaram o futebol muito mais prometedor.

Mas a verdade é que a equipa do Palanca acordou demasiado tarde no jogo. Miller Gomes esgotou as substituições, reforçou o ataque com Jaime Poulson e Patrick, pressionou muito mais o último reduto do conjunto às ordens de João Paulo Costa, e chegou ao golo, aos 86´,  por Jaime Poulson. O tento de honra os palanquinos acabou sendo, apenas um prémio à capacidade de reacção evidenciada no último terço da partida.

MELHOR EM CAMPO
Estrela de Sidnei


 
Dá gosto ver o camisola 8 do Recreativo do Libolo jogar futebol. É verdade. Sidnei faz todavia diferença no meio-campo do conjunto de Calulo. E se dúvidas houvessem em relação a influência do futebol do capitão do campeão nacional, depois da exibição patenteada no desafio com os palanquinos, essas, acabaram completamente dissipadas. Ora pela direita, ora pela esquerda, Sidnei foi o pulmão que ajudou a injectar oxigénio ao futebol da equipa.

ARBITRAGEM
Exibição de alto nível


O trabalho do trio de arbitragem encabeçado pelo árbitro FIFA Hélder Martins não merece qualquer contestação. O juiz da partida e os respectivos auxiliares estiveram ao nível do espectáculo patenteado pelas equipas do Kabuscorp do Palanca e do Recreativo do Libolo.

O brio e profissionalismo evidenciado pelos árbitros do principal duelo da 17ª jornada do Girabola 2015, disputada ontem, no estádio da Cidadela, contribuiu para valorizar a qualidade do espectáculo.

As vezes que Hélder Martins sacou do bolo o cartão amarelo para admoestar os jogadores do Kabuscorp e do Recreativo do Libolo não merecem, também, protestos.

Assim sendo, ontem, no estádio da Cidadela, o juiz Hélder Martins deu, mais uma vez, provas das razões por que tem merecido, este ano, muitas chamadas da Confederação Africana de Futebol (CAF) para ajuizar jogos a nível de clubes (Liga dos Campeões e Taça da Confederação) e de selecções nas mais variadas competições e escalões. Nota máxima!

DECLARAÇÕES

Lunguinha
(Kabuscorp) - “Acordámos tarde”


"Temos de dar os parabéns ao Libolo pela vitória, porque ganhou bem. Acho que acordamos tarde no jogo, porque tivemos uma postura muito melhor na segunda parte e quando marcamos um golo e tentamos chegar ao empate já não havia muito tempo para jogar. Vamos continuar a trabalhar, porque o campeonato ainda não acabou".

João Paulo Costa 
(Libolo) - “Excelente jogo”


"Foi um excelente jogo e com duas partes distintas. Na primeira parte estivemos melhor e na segunda esteve bem o Kabuscorp e comprova-se a excelente qualidade que tem. Nunca tivemos receio que fôssemos empatar, apesar de a equipa em dado momento consentir um golo, mas fruto também de algum cansaço. Penso que , no geral, foi uma excelente tarde de futebol".