Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Campeo imparvel

Jorge Neto - 02 de Julho, 2017

Rubro-negros amealham trs pontos e assumem liderana do campeonato nacional

Fotografia: Vigas da Purificao| Edies Novembro

O 1º de Agosto fez jus, ontem, do estatuto de ganhar ao 1º de Maio de Benguela nos últimos três anos, ou seja, desde 2014, embora não precisasse de chegar aos últimos minutos e a ter que defender com garras a sua baliza. A vitória pela diferença de um golo (2-1) acaba por ser um castigo, devido as inúmeras oportunidades que tiveram durante o desafio. Aliás, pensou-se inclusive que os militares infligiriam uma goleada aos proletários, mas não passou disso, pois os falhanços falaram mais alto.

O golo madrugador de Guelor, aos 8´, era prova de que queriam escrever uma história diferente do jogo anterior, em que empataram sem golos com o Recreativo da Caála, por isso cedo assumiram o desafio com uma única direcção: à baliza dos proletários. Pela primeira vez neste Girabola Zap o técnico bósnio Dragan Jovic repetiu o onze inicial, em dois jogos consecutivos, numa clara demonstração de confiança nos seus pupilos, que por outro lado, queriam redimir-se do deslize anterior.

Os militares sabiam o que tinham de fazer para ganhar o jogo, correram mais do que o adversário, controlaram a posse de bola e jogavam ao ataque, com a ânsia de resolver ainda no primeiro tempo o desafio.

A formação do 1º de Maio de Benguela sentia muitas dificuldades para chegar com perigo à baliza defendida por Dominique, que mais se confundia com um espectador atento ao desenrolar da partida. Aos 24´, Rambé fez questão de mostrar que estava presente e após uma assistência de Mingo Bile rematou dentro da área para uma defesa instintiva de Rui para canto.

Contudo, em função do único sentido que o jogo tinha, os campeões nacionais chegaram ao segundo golo aos 27´, pelo avançado  Rambé, curiosamente o mesmo número que usa na sua camisola, num remate de primeira dentro da área, desta vez Rui não teve hipóteses de defesa.

O primeiro sinal de grande perigo protagonizado pela formação benguelense aconteceu aos 34´, num desvio de cabeça de Edú, a bola passou rente ao poste direito de Dominique, que já estava batido.

Apesar do domínio militar, as duas equipas tiveram oportunidades para marcar antes do intervalo, no caso seria o dilatar da vantagem pelo 1º de Agosto, mas o golo não surgiu, deixando antever que o segundo tempo seria igualmente prometedor.

No reatamento, os agostinos quase marcaram mas Rambé deixou escapar a bola na pequena área, diante do guarda-redes Rui. Minutos depois foi a vez de Medá e Mingo Bile verem o poste e o guarda-redes do 1º de Maio negar-lhes o golo.

Os proletários tentavam contrariar o maior ímpeto ofensivo dos rubro-negro com algum controlo da posse de bola, uma táctica que esbarrava no meio-campo adversário. Em resposta os militares apostaram num jogo mais pragmático e Rambé, aos 60´, esteve bem perto de bisar, mas o forte remate saiu rente ao poste.

Apesar da desvantagem no placar os pupilos de Tramagal nunca baixaram os braços e acreditavam que podiam chegar pelo menos ao golo de honra. Brazuca, aos 69´, teve uma boa oportunidade mas rematou torto. Foi com este crer que Cristiano, aos 84´, bateu pela primeira vez Dominique e relançou o jogo, embora o resultado já estava praticamente sentenciado.


OPINIÕES


1º de Agosto Ivo Traça   
“Temos de ter mais concentração”

"O primeiro lugar é o que nós queremos e estamos a trabalhar para isso. Sobre o jogo, dizer que foi bom, marcámos os golos nos momentos certos, no primeiro tempo. No segundo tempo queríamos definir o resultado mas não aproveitamos as oportunidades que tivemos para fazer os golos e no final tivemos um susto, quando o 1º de Maio fez o golo aos 40 minutos. Acho que devemos ter um bocado mais de concentração nos momentos defensivos e também no ataque, quando temos oportunidades para marcar”  


1º de Maio

Agostinho Tramagal
“Sabíamos dos riscos”

“Os jogadores entraram um pouco desconcentrados, sofremos o primeiro golo, mas depois fizemos o nosso jogo. Sabíamos que iríamos correr riscos, mas não deixamos de criar algumas oportunidades. Felizmente marcámos um golo, depois de sofrermos o segundo, mas ainda assim foi importante para motivar ainda mais o grupo, que sempre acreditou que podia chegar a igualdade, porém não aconteceu porque defrontámos uma grande equipa, luta pelo título no campeonato e nós pela permanência”.


ARBITRAGEM
Sem influência


O árbitro Feliciano Lucas realizou um trabalho sem qualquer influência no resultado final do jogo. O juiz teve um dia de trabalho quase que tranquilo, pois os jogadores demonstrarem uma conduta dentro do campo, respeitaram as leis de jogo e quando acontecia o contrário, lá estava ela para desempenhar o seu papel.
Mostrou em poucas ocasiões o cartão amarelo, demonstrando que tinha o controlo do desafio. Com um ou outro erro no ajuizamento das jogadas de fora-de-jogo, esteve em sintonia com os seus colegas Horácio Tchisssingue e Alexandre Bengue.


MELHOR EM CAMPO
Extraordinário Medá


O médio central Medá, do 1º de Agosto, assumiu a construção das jogadas ofensivas da equipa e dos seus pés saíram passes que só não resultaram em golos, porque os avançados militares estavam mais num daqueles "maus dias" para finalizar. Apesar de entrar de inicio foi no segundo tempo em que teve mais protagonismo após a saída de Buá, regressando deste modo, a uma posição que está habituado a jogar. Medá mostra que está cada vez mais integrado na filosofia do técnico Dragan Jovic e joga sem pressão nos campeões nacionais.