Jornal dos Desportos

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Girabola

Campeo invicto!...

Paulo Caculo - 20 de Maio, 2019

Agostinos camtam vitria por levaram mais trofu sua galeria

Fotografia: Vigas da Purificao | Edies Novembro

Um mar de gente inundou ontem o estádio 11 de Novembro, após o final do jogo que consagrou o 1.º de Agosto, como Tetra campeão nacional, sem qualquer derrota averbada. 

Nenhum adepto queria ficar de fora da festa. As emoções estiveram ao alto, que o relvado do estádio foi invadido pelos adeptos do clube militar, com a polícia a mostrar-se incapaz de travar o ímpeto. Várias centenas de apoiantes do clube militar invadiram o rectângulo de jogo, tendo obrigado os jogadores, árbitros e demais intervenientes ao espectáculo a abandonarem o palco do jogo. 

A cerimónia de entrega do troféu ao campeão, apenas aconteceu uma hora depois e após a polícia ser obrigada a recorrer do gás lacrimogéneo, para afugentar os vários adeptos. Por força disso, os jogadores fizeram a festa no relvado já longe dos olhares de alguns dos seus fervorosos apoiantes. Massunguna recebeu a taça das mãos de Adão Costa, vice presidente da FAF.

O JOGO

Kabuscorp e 1.º de Agosto não protagonizaram uma exibição de encher os olhos. É bom que se diga. De tal forma que o espectáculo não produziu períodos de grande emoção, aliás, como muitos esperavam. 

Num jogo com duas partes distintas, melhor início teve a equipa de Paulo Torres, ao assumir a maior posse de bola e a produção do maior volume de jogadas ofensivas. A verdade é que a postura atacante dos palanquinos era de tal forma evidente, que, a dada altura, o conjunto militar revelava impotência para suster o “atrevimento” do adversário, sujeitando-se a largos períodos de pressão. 

Enquanto isso, Dragan Jovic procurava passar a imagem de tranquilidade para o interior do relvado, onde os seus jogadores, por muito que tentassem, nem Ary Papel, Luvumbo ou Mabululu descobriam vias de acesso à baliza do gigante Langanga.

Nesse período, em que o futebol do Kabuscorp era claramente superior ao do 1.º de Agosto, realce para os lances de Taddy, aos 3 minutos, em que Toni Cabaça é obrigado a abandonar a baliza para evitar o golo e Lami, aos 18’, em que vê o seu remate travado por Fabrício.

Apenas a partir do minuto 20, o futebol dos militares desfez-se da teia de aranha dos palanquinos e saiu do local em que esteve entrincheirado. Como prova disso, a primeira grande situação de perigo surgiu no cabeceamento forte de Mabululu, aos 22, que saiu à figura do guarda-redes Langanga. Estava lançado o jogo.Muito bem povoados no seu meio-campo, os palanquinos tinham em Meda, Lami e Água Doce os principais construtores do caudal ofensivo, ao passo que no “cérebro” do futebol dos militares, assumiam as encomendas os artistas Show, Dago e Zito Luvumbo.

Porém, foi como que água mole em pedra dura, que o 1.º de Agosto chegou ao golo, aos 46’, depois de largos períodos a incomodar a baliza do Kabuscorp. O conjunto do Palanca até entrou mal na segunda parte, se comparado a excelente postura espelhada na etapa inicial do jogo. Ainda assim, os pupilos de Paulo Torres jamais baixaram os braços e tiveram duas grandes ocasiões de golo, por Cabibi e Lami, depois de Ary Papel surgir isolado na “cara” de Langanga e rematar contra as redes laterais. 

A ponta final foi dramática, com ambos os conjuntos a repartirem as ocasiões de golo. Se, por um lado, os militares procuravam o golo da tranquilidade e que afastasse, de uma vez por todas, a possibilidade de empate, os palanquinos acreditavam que ainda era possível pontuar. 

Com a festa a fazer-se nas bancadas, a dada altura, a equipa de Dragan Jovic recuou e deixou clara a imagem de defender o resultado, evitando sofrer riscos desnecessários. E quando o árbitro Nuno Eduardo apitou para o final, jorrou champanhe no relvado do estádio 11 de Novembro.

ARBITRAGEM 
Faltou um pénalti por marcar

O trabalho do jovem árbitro benguelense Nuno Eduardo, de 29 anos, podia ter sido excelente, não fosse o pénalti não assinalado de falta sobre Lami, na área de Tony Cabaça, ainda na etapa inicial. À excepção deste aspecto, o juiz da partida esteve bem no capítulo técnico e disciplinar , ao obrigar os jogadores a cumprirem com as regras e contribuir para a qualidade do espectáculo.

OPINIÃO 
DOS TÉCNICOS 

Marcos Chivinda   Kabuscorp

“Fizemos de tudo”
“Os parabéns à equipa do 1.º de Agosto por vencer o jogo, mas entramos bem para conseguirmos o objectivo, que era o terceiro lugar. Tudo fizemos para se tornar possível, mas vamos continuar a trabalhar, para ver se no próximo ano seja possível alcançar melhor posição”.


Dragan Jovic  1º de Agosto

Título muito difícil”
“Quero dar os parabéns aos meus jogadores por este trabalho, porque este título foi mais difícil do que o conquistado antes por mim. Agradecer aos jogadores, direcção e adeptos pelo todo o apoio. Penso que fizemos um grande campeonato”.

A FIGURA

Mabululu decidiu o jogo
É incontornável a referência do avançado Mabululu, à conquista do título dos militares. O jogador do 1.º de Agosto foi decisivo ao marcar o único golo do jogo, numa jogada de belo efeito, ao cair da primeira parte do jogo. Com o golo, Mabululu confirmou ainda os créditos, que o habilitam como peça fundamental no ataque do clube rubro e negro. Como se não bastasse isso, o camisola 26 foi também o melhor marcador do campeonato, com 14 golos.