Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Campeo supera concorrncia

Betumeleano Ferro - 23 de Fevereiro, 2019

Rubro e negro mantm a passada rumo a conquista do indito tetra para sua galeria

Fotografia: Paulo Mulaza

O 1º de Agosto aos poucos começa a ser como o monge, cujos os hábitos se mantêm os mesmos com ou sem adversidades. A bem da verdade, a primeira volta do campeão nacional deu muitos motivos de queixa dos seus adeptos e não só.
A intermitência nas exibições, sobretudo de resultados, fez soar o alarme. Mas quando houve necessidade de responder com atitude competitiva, a ditadura militar ditou lei, por isso o topo do turno inicial do Girabola ZAP ficou pintado de rubro-negro.
As mudanças no comando técnico, quase na véspera do início do campeonato, Dragan Jovic regressou para o lugar de Zoran Maki, causaram enorme estranheza, ainda mais porque não tinham argumentos no plano desportivo, tendo em conta a inédita performance na Champions.
Tudo parecia que iria estar contra a equipa, mas, com o decorrer das jornadas, a normalidade começou a se tornar rotina no campeonato e os resultados começaram a aparecer um atrás do outro, com a equipa a engatar rumo ao inédito tetra.
Quando o \"redemoinho\" de empates colocou em xeque o campeão, parecia que a quebra física, acentuada pela ausência de férias entre uma época e outra, faria com que os militares perdessem fulgor e, talvez até o lugar no comboio dos candidatos.
Contudo, este acabou por ser o momento da viragem para o 1º de Agosto. A enorme cobrança dos adeptos e a suspeita dos críticos mereceram uma resposta rápida e consistente da equipa técnica e plantel. Mais do que apenas reconhecer o mau momento, a equipa demonstrou acções práticas, falou em campo e aos poucos o consenso apareceu.
A regularidade que apresentou nos momentos de maior aperto, fizeram com que a imaginação dos adeptos fosse longe demais. É consensual que a colheita de pontos na primeira volta poderia ser mais animadora, mas o que conta é que o campeão não vai precisar mais correr atrás do prejuízo, já que os outros concorrentes, com o Petro à testa, é que têm de recuperar terreno na segunda volta.
Os tricolores acabaram por ser o único grande, com pernas para acompanhar o campeão. A ambição de se sentar em várias cadeiras ao mesmo tempo, condicionou os tricolores, até certo ponto, e pode ter sido também este o motivo, que levou a desperdiçar uma boa oportunidade de aproveitar muito os três jogos em atraso, para abrir uma boa vantagem sobre o grande rival.
A bem da verdade, os cinco pontos mal aproveitados, no acerto final de calendário, poderiam ter esticado a equipa para o objectivo supremo da época e colocariam o Petro numa zona confortável, para disfarçar uma das realidades actuais, a pouca elasticidade do seu plantel para manter a mesma postura competitiva nas provas em que participa em simultâneo, Girabola e Taça da Confederação.
Ainda sem estatuto de candidato, o Desportivo da Huíla surpreendeu a todos. É verdade que para muitos está onde nunca deveria estar, mas por inércia do Libolo, Kabuscorp e até Interclube a equipa está a fazer o seu campeonato com tranquilidade. O que conta é que os militares da frente sul, estão a desfrutar do momento e merecem aplausos pelo merecido terceiro lugar.