Jornal dos Desportos

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Girabola

Campeo tenta redeno frente aos proletrios

Betumeleano Ferro - 19 de Maio, 2018

Fotografia: JA Imagens | Edies Novembro

O 1º de Agosto está sob obrigação de ganhar extramuros, quando defrontar amanhã o 1º de Maio de Benguela, a partir das 15h30, no Estádio O’mbaka, para apagar a má imagem deixada na Champions contra o modesto Mbabane Swallows. 

As visitas aos proletários trazem sempre boas lembranças ao campeão nacional e, o peso da tradição pode ser o santo remédio para compensar os adeptos pelo passo em falso nas afrotaças, no acerto à segunda jornada. Sem liberdade de opção, os militares têm de somar os três pontos para evitar que se accione o alarme, mesmo que de maneira inadvertida. 

As grandes equipas sabem o que têm de fazer quando o seu valor é questionado e de certeza que ninguém precisa de ensinar a equipa orientada por Zoran Maki da atitude competitiva que devem adoptar para arrancar a ferros, se necessário for, um triunfo precioso no seu regresso ao campeonato. Mais do que acertar calendário, o campeão pretende provar que está vivo e o acerto com os proletários é o primeiro dos quatro jogos que tem em atraso. Um resultado favorável vai aumentar em demasia as chances de desalojar o Interclube da liderança do Girabola ZAP. 

O jogo de amanhã pode influenciar na ultrapassagem para chegar folgado ao topo da classificação e tudo vai depender do que acontecer este domingo no O’mbaka. É verdade que o empate não belisca de todo a ambição de dobrar a primeira volta como líder, mas a questão é que o desaire da Champions aumentou a cobrança interna.

O campeão tem tudo para chegar, ver e vencer, mas ninguém está a pedir e muito menos espera por um resultado robusto, caso pode de imediato deitar por terra a desculpa da falta do homem golo. O 1º de Maio sabe melhor do que ninguém de que esse não é o momento ideal para acertar o calendário com um oponente deste quilate. Os proletários ou aceitam correr o risco de tentarem tirar partido da situação ou adoptam uma atitude de espera. 

As duas hipóteses são válidas, mas podem custar muito caro a quem joga em casa, pois, a qualidade do plantel limita o querer e o poder. Ainda assim, Tramagal e pupilos não podem ser temerosos na hora do desafio, por isso têm de arriscar para petiscar.

Um empate é sempre melhor do que a derrota. O foco inicial dos proletários vai estar centrado na conquista de um pontito no mínimo, mas é ponto assente que tudo de bom ou de mal que acontecer vai depender muito das migalhas que os militares deixarem cair. A equipa da casa vai estar atento às incidências do jogo para aproveitar toda a falta de inspiração do adversário e, com o elevado poder de eficácia são muitas as chances de os proletários elevarem a voz contra um dos tradicionais carrascos. A obrigação de vencer é toda do 1º de Agosto, contudo, o 1º de Maio quer ser tido e achado nas contas finais e mesmo sem muita fruta para espremer vai tentar fazer pela vida para inverter a histórica tradição costumeira dos jogos em casa com os militares. 

A má classificação proletária está a tirar o sono da massa associativa. Os 14 pontos em 13 jogos são muito poucos para quem esteve muito tranquilo no campeonato transacto. Os tempos agora não são de bonança, mas os proletários podem, se tiverem força competitiva, ganhar um novo alento no Girabola ZAP com o resultado favorável.

Os jogos entre estas duas equipas estão longe do esplendor das décadas de 80 e 90, mas é ponto assente que a ausência de público, o jogo será disputado à porta fechada, vai afectar até certo ponto o desempenho dos atletas. 

O calor humano proveniente das bancadas faz sempre a diferença. Por isso, de nada adianta tapar o sol com a peneira, já que influencia sim e muito na motivação. Não é a mesma coisa e nem mesmo quando a televisão faz uma transmissão em directo.