Jornal dos Desportos

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Girabola

Campeo v concorrncia de cima para baixo

Betumeleano Ferr?o - 10 de Fevereiro, 2017

Militares tm o Petro de Luanda e o Recreativo do Libolo os principais concorrentes ao ttulo nacional

Fotografia: Santos Pedro

A figurativa grelha de partida do Girabola ZAP 2017 ficou definida pelos resultados que as equipas obtiveram no campeonato transacto. Assim, é justo colocar o 1º de Agosto no lugar de destaque, pois é o alvo a abater sobretudo pelo Petro de Luanda, Libolo, Kabuscorp e Interclube, os outros componentes do chamado campeonato do título.

Os militares demonstraram na Supertaça que estão com fome de conquistas, a equipa perdeu referências mas mantém a identidade, uma constatação que não caiu muito bem aos seus principais adversários, pois era suposto que o 1º de Agosto acusasse muito cedo as ausências de Ary Papel, Gelson, Jumisse e Diakité, qualquer um deles peça chave no campeonato ganho.

A exibição do 1º de Agosto contra o Recreativo do Libolo foi muito promissora e chegou para o objectivo imediato, mas como o Girabola Zap é uma prova de regularidade, o técnico Dragan Jovic e pupilos sabem que a partir de agora os adversários vão tentar impedir o mesmo arranque fulminante da época passada.

Os militares venceram o Girabola ZAP 2016 com a passada larga que imprimiram na primeira volta, o expediente deu certo uma vez, mas existem poucas condições dentro do plantel para repetir a mesma dose. A realidade agora é diferente, mas até ao lavar dos cestos o 1º de Agosto vai continuar a usar o título honorífico de campeão nacional, uma condição que seguramente vai servir de estímulo para todos os seus adversários.

A impressionante segunda volta do Petro de Luanda apenas resultou numa vitória moral, agora Beto Bianchi sabe que é ele, não os atletas, que tem a cabeça na guilhotina. O técnico se adaptou rápido ao campeonato angolano e os tricolores jogaram à sua imagem e semelhança, a bola ainda não girou mas os adeptos já pensam como vai ser a festa do título.

O técnico Bianchi conseguiu acelerar o amadurecimento da equipa, muitas das irregularidades que ocorreram o ano passado, as sucessivas e longas paragens do campeonato, até certo ponto foram um mal que veio para bem para o estreante treinador, deu-lhe tempo para inculcar suas ideais na mente do plantel.

O Petro de Luanda é o campeão dos campeões do Girabola, ainda bem que o discurso e a qualidade do seu treinador vão ao encontro da história, com um brasileiro os tricolores jogam sempre bem e conquistam títulos.

A supremacia que os tricolores estabeleceram no campeonato teve sempre o mesmo denominador comum, avançados eficientes. É aqui onde bate o ponto: o ataque petrolífero não teve referência durante toda a primeira volta, quando a solução Azulão apareceu, foi o que se viu, pelo que Beto Bianchi sabe de antemão que os seus avançados não podem servir de alternativa aos médios, a inversa é que é verdadeira.

O Recreativo do Libolo contínua a ostentar sinais de estabilidade, até financeira, mas a maneira como perdeu a Supertaça despertou o mesmo problema comum quando há mudanças no comando técnico. A equipa está em fase de renovação mas mantém a fasquia alta, uma ambição capaz de dar frutos imediatos se os resultados aparecerem de imediato.

O técnico Vaz Pinto é um velho inquilino do campeonato, mas tem em mãos uma batata quente, orientar um candidato ao título. A competência de qualquer treinador é medida no campo, fica claro que o novo técnico libolense quer que as vitórias cheguem o mais rápido possível para que a confiança dê o suporte necessário para reconquistar o ceptro perdido.

As contratações libolenses não foram sonantes mas é ponto assente que é o que a direcção queria, a qualidade mora na equipa do Cuanza Sul, agora que venha o campeonato para se aferir se o Libolo aprendeu bem as lições do ano passado, uma campanha sem muitos percalços faz sempre a diferença.
O Kabuscorp e o Interclube também fazem parte do campeonato do título, mas é ponto assente que palanquinos e polícias podem ser muito condicionados não pelo rendimento dos seus planteis, mas pela maneira como as suas direcções vão saber gerir as questões de bastidores.

Por exemplo, o Interclube anunciou a candidatura ao título e logo a seguir mudou de treinador. Não importa por que motivos trocou, mas situações do género são recorrentes na equipa de Alves Simões, e, está provado, nem os grandes colossos mundiais se aguentam quando há guerras internas.

O Kabuscorp tem também tido agitações internas, nas entrelinhas são fricções entre a direcção e jogadores. A equipa perdeu atletas importantes mas manteve o conhecido entusiasmo e optimismo do presidente Bento Kangamba, o dono do clube colocou o dedo na ferida, à espera de ver a bonança chegar agora no Girabola ZAP 2017.

TREINADORES
Angolanos
superam expatriados


O Girabola Zap de 2017 arranca hoje à tarde e vai contar com 10 treinadores nacionais e seis estrangeiros. A grande novidade é o "baptismo" que se vai dar ao angolano António Alegre, ao serviço da Académica do Lobito, que deixou de ser comentarista, função que vinha exercendo há mais de dois anos.

Também constitui motivo de realce a assumpção do cargo de treinador principal da formação do Progresso da Lunda Sul, por parte do antigo internacional dos Palancas Negras, Paulo Figueiredo, que rendeu Kito Ribeiro no cargo, depois deste último ter sido chamado a assumir as rédeas técnicas do Progresso Sambizanga.

A lista completa dos treinadores angolanos a labutarem este ano no Girabola Zap é liderada pelo decano João Machado, que vai orientar o Atlético Sport Aviação (ASA), sendo composta ainda por Hélder Teixeira (1º de Maio de Benguela), Kito Ribeiro (Progresso Sambizanga), Romeu Filemon (Kabuscorp do Palanca), Agostinho Tramagal (JGM Académica Sport Clube do Huambo ), Mário Soares (Desportivo da Huíla), Paulo Figueiredo (Progresso da Lunda Sul), João Pintar (FC Bravos do Maquis) e Alberto Cardeau (Recreativo da Caála).  

A esses 10 angolanos juntam-se seis estrangeiros, designadamente Dragan Jovic (1º de Agosto), Roberto Bianchi (Petro de Luanda), Paulo Torres (Interclube), Ekrem Asma (Sagrada Esperança) Sérgio Traguil (Santa Rita de Cássia FC) e Vaz Pinto (Recreativo do Libolo).

De entre este grupo de treinadores expatriados, a lusofonia fala mais alto, com quatro presenças, sendo três de nacionalidade portuguesa, mormente Paulo Torres, Sérgio Daniel Traguil e Vaz Pinto, os dois primeiros fazem a sua estreia, ao passo que, Roberto Bianchi é o quarto que fala a língua de Camões, mas de nacionalidade brasileira.

Os outros dois estrangeiros que vão orientar equipas do Girabola Zap 2017 são o sérvio Dragan Jovic (1º de Agosto) e o turco-alemão Ekrem Asma (Sagrada Esperança).
 AUGUSTO PANZO