Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Campeonato comeou a rolar em 1979

Matias Adriano - 21 de Dezembro, 2017

Os jogos da poca eram marcados por numerosas enchentes

Fotografia: Edies Novembro

Há muito havia terminado o Estadual de Angola, designação do campeonato que se disputava no período colonial. A última edição teve lugar em 1973. No ano seguinte não se disputou a prova, em face da revolução que levaria à independência nacional, na sequência da qual muitos portugueses e descendentes abalaram para Portugal.
As infra-estruturas estavam ai, mas algumas equipas tinham se desintegrado por completo. Vivia-se, enfim, uma grave \"fome de bola no país, saciada, entretanto, com a disputa de alguns jogos de carácter amigável e recreativo. Competição como tal não existia.
Via-se que a vontade de assistir a um jogo de futebol era enorme. Seja qual fosse o jogo, entre clubes da mesma província ou entre selecções de províncias vizinhas, lotava o campo. Por exemplo em 1977 a Cidadela, com apenas um anel na época, gemia ao peso da enchente nas célebres jornadas de amizade Angola e Cuba.
O torneio \"Ano da Agricultura\", disputado em 1978, só a nível de Luanda, foi uma clara demonstração da forma efusiva e entusiástica como o povo vivia o futebol. Sendo que o país, ainda esquartejado pelos horrores da guerra precisava se reencontrar, viu-se então que o futebol estava em condições de jogar papel de relevo na implementação da política de Unidade Nacional.  
Deste modo é gizada a estratégia de realização do primeiro campeonato nacional de futebol da primeira divisão, que começa no dia 8 de Dezembro sob despacho da então Secretária de Estado de Educação Física e Desportos. Vale lembrar que, à partida, a prova tinha início marcado para o mês de Outubro, porém o luto de 45 dias decretado em decorrência do passamento físico do presidente Agostinho Neto forçou o adiamento para Dezembro. Nessa edição participam todas as 17 províncias do país(à época o Bengo não existia) naquilo que se chamou \"luta pelo afastamento total dos resíduos das taras tribais\" que o colonialismo nos tinha legado.
Na definição das equipas, províncias com maior expressão futebolística tiveram o mérito de se fazer representar por mais de uma, perfazendo no total 24 equipas que ficaram distribuídas em quatro séries. Foi, à guisa de exemplo, o caso de Luanda, que teve três, nomeadamente 1º de Agosto, Taag e Diabos Verdes, com duas estavam Huila com Ferroviário e Desportivo da Chela, Uige com FC do Uige e MCH, Huambo com Mambrôa e Palancas do Huambo, Bie com Juventude do Kunge e Vitória do Bié, Benguela com o Nacional e Académica do Lobito e Cabinda com o Luta Sport e FC de Cabinda.
As restantes províncias se fizeram representar por apenas uma equipa. Mas o quadro permitiu que a bola rolasse por todo o país. As emoções da bola levaram Angola ao delírio, mesmo tratando-se de uma fase de grande instabilidade política. Os fins de semana ganharam outro animo, outra azafama, tal é, pois, a capacidade do futebol sacudir as massas.
Os resultados em si não contavam muito. O povo queria mais é ver o espectáculo e a evolução de jogadores de nomeada. Aliás, do ponto de vista competitivo a diferença entre as equipas era por demais abismal. Daí o festival de goleadas que se registavam em quase todas as jornadas, sendo que a primeira na História do Girabola foi o 11-0 que a Taag aplicou ao Desportivo de Xangongo na primeira jornada.
Ainda assim, a prova decorreu de forma alegre e salutar, principalmente a segunda fase em que se verificou mais equilíbrio em relação à primeira. Taag, 1º de Agosto, Nacional de Benguela, Palancas do Huambo, FC do Uige, Desportivo da Chela se impuseram às outras equipas  nesta fase.
Nas meias-finais fase para a qual se qualificaram as quatro equipas vencedoras dos grupos, o Nacional de Benguela deixou pelo caminho os Palancas do Huambo, enquanto que 1º de Agosto e Taag tiveram de fazer três jogos, um dos quais disputado em campo neutro(Lubango) para se encontrar um vencedor que acabou por ser a turma militar.
O jogo da final disputou-se entre 1º de Agosto e Nacional de Benguela, no dia 14 de Março de 1980, no Estádio da Cidadela, tendo a vitória sorrido a favor do 1º de Agosto por 2-1 depois de uma renhida disputa entre duas equipas que, na verdade, tinham se revelado nas mais esclarecidas do torneio.


LEMBRANÇAS
Equipas desaparecidas para sempre


Como já se disse reiteradas vezes na sequência da abordagem que vimos fazendo, o primeiro campeonato nacional foi disputado por 24 equipas agrupadas em quatro séries de seis. O quadro infográfico na outra página é suficientemente elucidativo. Entretanto, muitas das equipas que constam dele são uma novidade para as novas gerações.
Na verdade, muitas são as equipas que depois do Gurabola/79 desapareceram para sempre. Afinal o regulamento da prova era claro: para a edição 80/81, que seria já nos moldes actuais, apenas iriam as três primeiras de cada série, perfazendo 14 com mais duas que sairiam do torneio de apuramento.
Na sequência disso, muitas equipas que tiveram o privilégio de estar no primeiro campeonato, no quadro da necessidade de fazer a prova rolar pelo país inteiro, desapareceram em definitivo. Houve umas que ainda chegaram ao Girabola 80/81, outras quedaram-se mesmo no primeiro.
Muitas pessoas ainda estão lembradas do Juventude do Kunje do Bié, Sassamba da Lunda Sul, Makotas de Malange, Naval do Porto Amboim, Santa Rita de Moçamedes, Ginásio do Cuando Cubango,  Desportivo de Xangongo e outras. Estas equipas não voltaram a ser faladas.
Algumas ainda existem, já com outras designações. Outras terão sido mesmo extintas por falta de suporte financeiro ou de outras condições para sobreviver. Se calhar, muitos já não se lembravam de algumas equipas que aqui fizemos alusão.


DIONÍSIO DE ALMEIDA
O homem que apitou
a final da Cidadel
a

Quando em 1979 se deu início à disputa do campeonato nacional de futebol da primeira divisão, as nossas estruturas desportivas não estavam ainda suficientemente organizadas. Estava-se no princípio de uma era. E como tal para o futebol não havia ainda árbitros com experiência comprovada para dar resposta cabal a uma prova que movimentava nada mais nada menos do que 24 equipas.
Hoje, só mesmo os responsáveis pelo futebol naquela altura saberão explicar como era possível movimentar a modalidade pelo país inteiro com um quadro de juízes bastante exíguo. Mas, o que é certo é que o campeonato rolou até à final sem atropelos e nem jogos adiados por falta de homens do apito, na época vestidos de negro.
Neste exercício de recordação do primeiro campeonato, 38 anos depois, fizemos recurso ao conhecimento de Dionísio de Almeida, nome sonante da arbitragem angolana nos anos 80, tendo nos prestado subsídios bastante válidos no percurso a que nos propusemos fazer pelos caminhos e descaminhos do nosso campeonato.
Não haveria ninguém melhor que Dionísio de Almeida para fazer uma descrição exacta de como eram as coisas no campo da arbitragem em 1979. Hoje nas vestes de comentarista desportivo para a arbitragem, ele era dos poucos árbitros que trazia alguma experiência da outra época antes da independência. E quando se pensou na instituição do campeonato nacional foi dos primeiros a serem \"rusgados\".
Lembra-se da forma como começou o Girabola e das peripécias por que ele e outros companheiros da época passaram para dar resposta cabal às obrigações da prova. \"Éramos muito poucos, calculo que devíamos ser 15 ou 20 árbitros, nada mais do que  isso, para um campeonato que movimentava 24 equipas divididas em quatro grupos.
Apesar de tudo, continuamos a citar Dionísio de Almeida, tudo correu sem contratempos, pese embora o facto de ter havido ocasiões em que um mesmo árbitro foi obrigado a dirigir dois jogos numa mesma jornada. \"Estes eram casos excepcionais que só ocorriam quando, por exemplo, se desse a falta de alguém indicado para o jogo programado.
Dionísio de Almeida era dos mais consagrados, tendo pouco depois obtido a categoria de árbitro internacional. Hoje, volvidos 38 anos, lembra-se com uma pontinha de saudades dessa época de grande fervor revolucionário. \"Eu sou da primeira leva de árbitros angolanos de escalão internacional. Entre 1979 e 1980 éramos apenas cinco. Os outros eram Pereira Lopes, Manuel Pimentel, Mário da Ressurreição e já não me lembro do outro, mas éramos cinco.\"
Com uma experiência trazida da época colonial Dioniso de Almeida é dos árbitros que teve o mérito de soprar o apito nas libérrimas jornadas de amizade Angola e Cuba, tendo também viajado para a ilha caribenha com igual propósito. Apitou igualmente no torneio \"Ano da Agricultura\" , em 1978. Gaba-se de ter sido o homem escolhido ajuizar a final do primeiro campeonato entre 1 de Agosto e Nacional de Benguela.  Foi um jogo épico que lotou por inteiro o Estádio da Cidadela Desportiva na altura com apenas um anel. \"Jogos daquela envergadura não eram confiados a qualquer árbitro, tinha de ser alguém com uma experiência vasta e que infundisse alguma confiança às equipas intervenientes.\" Disse a finalizar.


1979
O campeonato mais nacional de todos



Está registado na história do futebol angolano que foi de facto às 16 h00 do dia 8 de Dezembro de 1979 que o Girabola deu o seu pontapé de saída com a particularidade de ser a mais nacional de todas as competições organizadas pela Federação Angolana de Futebol, FAF.
Nesse dia para a primeira jornada disputaram-se nada mais do que dois jogos em que o FC de Mbanza Congo, em casa, perdeu com o célebre Construtores do Uige por 3-1 e a Académica do Lobito que empatou a um golo com o Vitória Atlético do Bie. No dia seguinte disputaram-se outros jogos dos quais sobressaiu aquela que é a maior goleada(11-0) registada até hoje, que a TAAG, actual ASA, infringiu de forma copiosa ao Desportivo de Xangongo do Cunene.
João Machado teve a primazia de, pelos Diabos Verdes, marcar três golos num só jogo, o tal \"hack trick\"  como se diz na gíria do jogo da bola. Foi contra o Naval de Porto Amboim, um feito que o galvanizou a lutar para ser (e conseguiu)  melhor marcador daquela edição com 19 golos.
 O título que damos a esta matéria( o mais nacional de todos os campeonatos), tem a sua razão de ser, porque as equipas foram em número de 24. Estavam enquadradas em séries de seis, em representação de 17 províncias do país, significando que todas elas tiveram o privilégio de viver nos seus redutos as emoções da prova.
A satisfação popular foi enorme, porque se antes da independência só havia o chamado Estadual, iniciado em 1972, com equipas como Sporting de Luanda, Independente de Porto Alexandre(hoje Tombua), Benfica de Nova Lisboa, Portugal de Benguela, Recreativo da Caala, Dinizes de Salazar, Ara da Gabela e outras. O número depois subiu para 24 com inscrição de outras no início do campeonato.
Nessa altura pegou o nome de Girabola, título atribuído ao já falecido jornalista da RAdio Nacional de Angola, Rui de Carvalho, que, a par dos também já falecidos Francisco Simons e Manuel Berenguel e dos ainda actuantes Arlindo Macedo, Manuel Rabelais, Mateus Gonçalves, Joaquim Gonçalves e outros foram os primeiros locutores/narradores do campeonato transmitido por via radiofónica. Porque no jornal, só para citar alguns, havia nomes como Victor Silva, Gil Tomás, Luís Fernando e Pires Ferreira.
De resto, estaríamos a mentir se não sublinhássemos aqui, para a posteridade, que o primeiro campeonato contou com algum peso motivado pelos ditames do regime político e sistema ideológico que orientava o país. Vale recordar nessa edição que o jogo entre Diabos Verdes, na oitava jornada, conheceu um resultado administrativo a favor da equipa militar por decisão do Bureau Político do MPLA-partido do Trabalho. Tudo isto porque os adeptos leoninos invadiram o relvado da Cidadela quando os militares venciam por 2-1.
O outro caso passou-se em Janeiro de 1980, antes do fim do campeonato. A então Secretária de Estado de Educação Física e Desportos exarou um despacho no sentido de todas as equipas deixarem de usar designações que traziam do tempo colonial.
Por isso é que o Sporting de Luanda passou a Diabos Verde(e depois Leões de Luanda), Benfica do Huambo(Mambrôa), Independente de Porto Alexandre(Independente do Tômbwa), Portugal de Benguela(Nacional de Benguela), por esta ordem.
ANTÓNIO FELIX


MEMÓRIAS
Maior jogo foi decidido no Ministério da Justiça


Dionísio de Almeida dirigiu vários jogos, nacionais e internacionais. Mas conta que o maior jogo da sua carreira foi um célebre Diabos Verdes-1º de Agosto. \"O jogo não terminou por insubordinação da equipa verde-e-branca, e em função da situação criada não havia condições para prosseguir. Foi uma situação bicuda que só viria a encontrar solução com recurso ao Ministério da Justiça, ao tempo do ministro Deógenes de Oliveira.
Entretanto, houve outros jogos que marcaram a sua carreira. Mas sente-se feliz porque em momento algum foi linchado num campo de futebol. \"Sabemos que é próprio dos adeptos protestarem todas as acções do árbitro com as quais não concordem. Mas terminamos a carreira sem lembranças de um dia termos visto a vida por um fio.\"
No seu entendimento na arbitragem sempre existiram reclamações, mas não como nos dias de hoje. \"Hoje as reclamações são demais, por uma razão muito simples: está enraizado o interesse.\"

ERAM POUCOS
Árbitros da primeira hora com muita carga


O convite à conversa foi quase provocante para o antigo internacional da nossa arbitragem. Obrigamo-lo a evocar coisas e nomes de que já não tinha memória. Foi como que remetê-lo novamente a um passado que tanto pode ter sido bom ou mau para si.
Explica que no primeiro campeonato as coisas na arbitragem não estavam bem definidas. Não havia árbitros principais e fiscais de linha. Fazíamos tudo. Tanto podíamos apitar um jogo hoje e no próximo fazer o papel de fiscal de linha. Éramos uma espécie de \"pau para toda a obra\". Apitávamos e fazíamos também papel de fiscal, só muito depois é que as coisas mudaram.\"
Embalado na velocidade das lembranças, abriu o seu bau e de lá foi buscar nomes como de Manuel Pimentel, Pereira Lopes, Mário da Ressurreição, Mário de Amezalak, Manuel Fernandes, Charumbo Neto, Cruz Lima, Oliveira Pinto, João Mavunza, João Madeira e outros.


BREVES


Osvaldo
Saturnino de Oliveira

Uma das maiores referências do nosso futebol, não esteve presente no Girabola/79. Nessa altura devia estar no Independente do Rangel, só no Girabola 80/81 se junta aos bons


Pelados
dominaram campeonato

Cidadela, Coqueiros(Luanda), Senhora do Monte e Ferroviario(Lubango), Cacilhas e Kurikutelas(Huambo) eram os únicos estádios com relva

José Eduardo
dos Santos viu o jogo da final

A final do campeonato contou com a presença do presidente da república, José Eduardo dos Santos, que procedeu à entrega da taça de campeão nacional a Lourenço Quilombo, capitão do 1º de Agosto.


EDUARDO MACHADO
Um maestro na equipa
da Taag

Eduardo Machado, foi um dos jogadores que disputou o primeiro campeonato nacional de futebol em 1979, representando o Grupo desportivo da TAAG,  com Chico Ventura, no comando técnico.
O antigo camisola 10 da TAAG,  antes  teve o privilegio de  jogar em Portugal, com apenas 15 anos de idade entre 1971 á 1974 nos juvenis e juniores do Futebol Clube do Porto, onde fez parelha no ataque com Fernando Gomes.
No Grupo Desportivo da TAAG, Eduardo, irmão mais novo de João Machado, jogou de entre outros com Rosinha, Ndisso, Geovett, Lutandila, Chinguito, Rui Gomes, Juju, Rola e tantos outros.
“ Digo de boca cheia e sem receio de errar” começou por dizer a antiga vedeta do nosso futebol “ no meu tempo havia futebol de verdade, porque haviam jogadores de grande nível técnico. Estou a falar por exemplo de um Arménio, Vicy, Ndunguidi, Chiby, Samuel, Geovett, Chinguito, Napoleão, Garcia, João Machado, Chimalanga, Silva, Manecas e outros”.
Vale recordar que o primeiro campeonato nacional de futebol depois da independência foi disputado por 24 equipas distribuídas em quatro series, sendo quem as equipas mais cotadas eram o 1º de Agosto, TAAG, Nacional de Benguela, Palancas do Huambo, Desportivo da Chela, Diabos Verdes, Futebol Clube do Uíge e Construtores também do Uige.
Eduardo Machado, que foi um jogador muito talentoso com grande visão de jogo o que fazia dele um bom distribuidor de jogo empurrando a sua equipa perigosamente para o ataque. Com Geovett, Rola e Chinguito formaram um quarteto letal que fazia da TAAG uma das melhores equipas que o país já teve.
A antiga Gloria do nosso futebol que foi várias vezes internacional pelos Palancas Negras, diz: “ o campeonato de 1979, marcou-me muito pela forma em que foi disputado e além disso em quase todas as equipas havia no mínimo dois jogadores que faziam a diferença e por isso os estádios estavam sempre cheios.”
Recorda que nas meias finais contra o 1º de Agosto, “ eles venceram o primeiro jogo por uma bola a zero e no segundo nós ganhamos
por duas bolas a uma. Por isso nós é quem devíamos estar na final. Mas não sei como marcou-se um terceiro jogo no Lubango onde o 1º de Agosto acabou por vencer por uma bola a zero e foi disputada a final contra o nacional de Benguela. Acho que não foi justo nós é quem deveríamos jogar a final.”
Entretanto, Eduardo Machado, reconhece: “ não há dúvidas de que o 1º de Agosto, era a potência máxima do  nosso futebol e foi por isso que conquistou três campeonatos seguidos. com o envelhecimento de alguns jogadores nucleares em 1982 o Petro de Luanda, acabou com a hegemonia dos militares. 
Indagado sobre como explica a diferença abismal que existe entre os jogadores do seu tempo com os da actualidade, o antigo girabolista disse que “ a diferença reside na facto de que a maior parte dos jogadores do meu  tempo vieram das camadas de formação da era colonial e os portugueses eram muito bons formadores. Além disso, havia muita força de vontade dos jogadores em aplicarem nas quatro linhas o que aprendiam”
Prosseguindo, Eduardo Machado, afirmou que “ outro factor importante que difere os actuais jogadores dos do seu tempo é a forma em que a maior parte deles leva a vida fora da vista do treinador. Quando alguém pensa que engana o treinador por levar uma vida que choca contra as normas que um jogador deve seguir para ser bem sucedido então o resultado é o que nós vemos hoje: um futebol sem qualidade alguma. As vezes sinto vergonha de ver a nossa selecção jogar. Peço desculpas se feri susceptibilidade. Mas é um facto. Dá pena ver a nossa selecção jogar!
Entretanto, o antigo pé canhão da TAAG que fazia estremecer os guarda redes, acredita que podemos mudar o rumo dos acontecimentos. “ Temos cérebros capazes para engendrarem ideias que nos ajudarão a sair da actual situação. 
Eis o onze ideal de Eduardo Machado para 1979: a baliza Napoleão Brandão, lateral direito Leandro, no meio Garcia e Lourenço e lateral esquerdo Mascarenhas, Geovete, Sabino, Mateus César, Eduardo Machado, Arménio e Ndunguidi.
Eduardo Machado representou os Diabos Verdes (Sporting de Luanda), TAAG, Petro de Luanda, com o qual ganhou um campeonato nacional, Mambrôa e  1º de Agosto.
AUGUSTO FERNANDES


CAMPEÃO
Zeca saboreou o primeiro título


 “Foi um momento memorável para todos nós do 1º de Agosto a conquista do primeiro título nacional” começou por dizer o antigo meio campista dos rubro negros Zeca Lopes,  que em companhia de Napoleão, Ângelo, Dongala, Manico, Mascarenhas, Zomi, Lourenço, Garcia, Mateus César, Sabino, Chimalanga, Amândio, Ndunguidi, Luvambo, Sansão, Agostinho e outros subiram o pódio.
Segundo Zeca Lopes, antigo meio-campista dos militares cuja forma de jogar nos faz lembrar  Ibukun,  “o Nacional de Benguela foi um adversário a altura, pois tinha no seu conjunto jogadores muito talentosos como o Leandro, Silva, Quim, Samuel, Benchimol, Barros e outros e valorizou o espectáculo. Foi um jogo muito difícil”.
Quisemos saber de Zeca Lopes, sobre a reclamação que os jogadores do Nacional de Benguela e muitos adeptos do futebol que viram a partida,  fazem sobre o golo da vitoria do 1º de Agosto apontado por Sansão, que  segundo eles, foi precedido de falta por carga do dianteiro militar sobre o guarda redes Pinto Leite, ao que  ele respondeu: “eles dizem isso. Então devem apresentar os argumentos para justificar tal afirmação.”
Com relação a questão que muitos jogadores da TAAG consideram, ter sido uma injustiça, segundo a qual a equipa do aeroporto é que deveria disputar a final contra o nacional de Benguela, por ter perdido por uma bola a zero e vencido por duas bola a uma, nas meias finais diante dos militares,   Zeca Lopes, argumentou: “ temos de ter em mente qual era o critério da organização. O que diziam as regras?”
Prosseguindo o antigo camisola oito dos militares disse que “ não tenho em mente o que diziam as regras mas creio que o que estava em causa não era a diferença de golos. A priori estavam dois jogos à disposição dos contendores que resultaram num empate em termos de pontos. Obrigatoriamente havia necessidade de um terceiro jogo e nós ganhamos. Portanto fomos à final com muita justiça…. Risos.” 
Zeca, como é conhecido no mundo do futebol, lamenta o facto de o futebol angolano ter regredido até ao ponto em que se encontra. “ Não tenho palavras para descrever o actual estado do nosso futebol. Lamento profundamente. Mas um dos motivos que contribuem para a actual situação é o facto de a maior parte dos nossos jogadores actualmente não se importarem se as coisas correm ou não bem para a sua equipa. O mais importante é lutar para ser titular, o resto são favas…
“No meu tempo, nós lutávamos para defender a nossa honra. Fazíamos o inédito para sermos bem sucedidos nas quatro linhas. Pensávamos no orgulho dos nossos familiares. Como é que o meu filho, esposa, amigo e outros próximos a mim se sentirão se perdermos este jogo? Era assim que nós pensávamos. Hoje os nossos jogadores não estão nem ai”
Para piorar as coisas alguns dirigentes do nosso futebol cometem erros tão crassos que prejudicam gravemente o nosso futebol contribuindo para o seu estado actual. Um exemplo disto foi a escolha de Beto Bianchi para selecionador Nacional.
Em pleno Século 21 a direcção da FAF deu-se ao luxo de escolher para treinador principal um individuo que era treinador de uma equipa que disputa o Girabola. Com que resultado? 
“Na hora “H” o  homem teve de bater com a porta na cara da direção da FAF e consequentemente os Palancas Negras vão para o CHAN praticamente para servir de alimento para os Leões e outras feras que por lá vão aparecer” desabafou a antiga glória do futebol angolano.
Eis o onze ideal de Zeca Lopes do Girabola em 1979: na baliza Napoleão, a defesa: Manico, Garcia, Lourenço, Mascarenhas. Meio campo: Mateus Cesar, Sabino e Geovete. No ataque: Ndunguidi, Barros e Chimalanga.
Em minha opinião( Augusto Fernandes) o onze ideal seria: a baliza Napoleão, defesa: com Leandro, Garcia, Lourenço, Mascarenhas. Meio campo: Arménio, Geovete, Chiby e Sabino. No ataque: Ndunguidi e Chinguito.
AUGUSTO FERNANDES