Jornal dos Desportos

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Girabola

Chegou a alegria do povo

Betumeleano Ferão - 10 de Fevereiro, 2018

Muitos, preferem ver a bola girar longe dos campos, contudo, nunca pedem o divórcio do Girabola ZAP.

Fotografia: kindala manuel

A liderança do campeonato, na jornada inaugural, nada tem a ver com o sagrar-se campeão, mas o Recreativo do Libolo  sabe que estar na liderança é condição indispensável para terminar em primeiro. É por isso, que hoje a partir das 15 horas no Estádio de Calulo, os libolenses abrem o Girabola ZAP 2018  no jogo com o 1º de Maio de Benguela, com os olhos postos nos três pontos, a justificar desde o começo o rótulo de candidato.
Os jogos com o 1º de Maio trazem sempre grandes recordações ao Libolo, pois, o normal é a vitória sorrir a quem demonstra dentro e fora de casa ser mais forte. Os libolenses entram moralizados na ditadura sobre os proletários, motivo por que não vão destoar na estreia com a que aparenta ser o seu maior cliente do campeonato.
 As mudanças no comando técnico e a saída de atletas influentes, ajudaram o Libolo a ter nome no futebol nacional, de modo algum  serve de desculpas, por um percalço caseiro. Os que aceitaram entrar para substituir quem saiu, sabem quanto valem mais do que aceitar o desafio de reforçar a equipa, ambicionam provar que podem contribuir para que o emblema do Cuanza - Sul volte a ser competitivo.
O técnico Kito Ribeiro costuma fazer bons trabalhos nas equipas por que passa, porém, nunca teve a chance de treinar uma equipa grande. Uma vitória na estreia é importante para o estreante treinador começar a aquecer o banco, e provar que é o homem certo no lugar certo, embora, seja verdade que o Libolo de hoje não parece ter os cofres como no passado.
A manutenção e não o título, é a meta do 1º de Maio de Benguela, para atingir esse objectivo é determinante a colheita de pontos, até mesmo extramuros, que os proletários têm de fazer. A história e a estatística dão poucos motivos para Agostinho Tramagal e pupilos estarem confiantes na obtenção de um bom resultado, que até pode ser um empate.
Os proletários estão fortes, desde que Agostinho Tramagal assumiu o comando técnico quando o campeonato transacto já estava a decorrer, mas também é verdade que a saída de atletas influentes como Kaporal e Rui, Interclube, debilitou a força competitiva que o 1º de Maio necessitava para inverter a má série contra o Libolo.
Um empate talvez fosse de grande satisfação para os proletários, pois, em regra perdem diante dos libolenses. O resultado da estreia é incapaz de determinar tudo, mas é ponto assente que o 1º de Maio vai  super motivado a Calulo e pode sair satisfeito se conseguir empatar com o Libolo.
Além do jogo de Calulo, a jornada inaugural do campeonato reserva para esta tarde o JGM - FC Bravos do Maquis, às 15 horas nos Kurikutelas, desafio que os maquisardes têm imensas chances de facturar os 3 pontos, se mostrarem no rectângulo que são mais equipa, no plano teórico ninguém dúvida da melhor qualidade do plantel forasteiro.
O JMG  enganou a todos na época de estreia do campeonato, sobreviveu de maneira inesperada, motivo por que os maquisardes têm de estar de sobreaviso para impedir que a equipa caseira saboreie qualquer ponto.
Os maquisardes foram intermitentes na época passada, fica claro que o técnico Zeca Amaral ambiciona passar  nova mensagem à sua massa adepta, um triunfo extramuros ajuda o Maquis a dar o primeiro passo para uma temporada tranquila.

AMANHÃ
A jornada prossegue amanhã com a disputa do único jogo, trata-se do Domant - Sagrada Esperança às 15 horas no Estádio do Dande, embate que os diamantíferos vão pôr à prova o real poder competitivo da equipa caseira, que voltou ao campeonato e não conta regressar de imediato.
A  equipa diamantífera foi a sensação da temporada transacta, o que significa que o Domant sabe o que  espera, vai ser necessário muita disposição física de quem joga em casa para acompanhar a passada larga que o Sagrada impõe, uma vez que é esse o estilo das equipas do técnico Ekrem Asma.
O Sagrada Esperança pode querer e poder, contudo, ainda não é agora que vai ser colocado no grupo de candidatos ao título, isso de modo algum significa que os diamantíferos estejam proibidos de sonhar a partir de hoje no Dande, vencer é uma mera formalidade a cumprir pela equipa da Lunda -Norte.
A diferença de qualidade entre os contendores deve ser bem entendida pelo Domant, se for humilde e aceitar que não tem as mesmas armas, pode aumentar as chances de oferecer uma prenda aos adeptos na estreia no campeonato.
O outro destaque da tarde dominical, recaí  na deslocação do Interclube ao reduto do Desportivo da Huíla, seguramente um dos jogos mais equilibrados da ronda inaugural. Militares e polícias são capazes de tudo, mas a pressão está mais do lado de quem viaja de Luanda para tomar parte no embate marcado para às 15 no Ferrovia.
A época de estreia do técnico Paulo Torres foi marcada por altos e baixos, melhor do que ninguém o treinador sabe, que a partir de agora a direcção tem todos os motivos para aumentar a cobrança. Um triunfo, num dos campos mais difíceis do Girabola ZAP, pode dar aos polícias a primeira credencial para entrar no grupo restrito de candidatos ao título.
Os militares prometem muito, como sempre, mas questões de bastidores acabam sempre por condicionar o rendimento em campo. Problemas extra - campo de lado, o que se pretende é que o Desportivo cumpra com a tradição da época passada, bater o pé aos candidatos ao título no seu reduto.

Prova acelerada para cumprimento de prazos

Os apaixonados e os adeptos esperam que a bola role nos relvados, logo após o apito inicial hoje, para começar o campeonato nacional de futebol. As inesperadas inovações feitas pela CAF encurtam o passo do Girabola Zap, todavia, as jornadas permanecem as mesmas 30 no total.
A maior prova do futebol nacional vai ser jogada num ritmo acelerado de Fevereiro a Agosto. A ausência de um dos históricos, o ASA, deixa o 1º de Agosto como o totalista de todas as edições do campeonato da I divisão.
Os militares, campeões em título, e o Petro de Luanda, equipa mais titulada da competição são os atractivos competitivos do Girabola e têm tudo para esquecerem os ausentes.
O campeonato angolano chega a 40ª. edição, num momento conturbado para os clubes. Muitos ainda estão limitados ao redemoinho da crise financeira e lançaram já o grito de socorro antes do arranque da prova.
Diante deste cenário, a Federação Angolana de Futebol \"FAF\" vai  ser rigorosa como nunca antes na sua história, para evitar que a prova passe para lá do prazo, para satisfazer a exigência do  calendário reajustado, proposto pela CAF.
O Girabola 2018 vai ser um teste para o órgão reitor do futebol nacional. Aliás, a Federação sabe que parar por parar, como virou moda o ano passado, é um prejuízo que os clubes não vão pagar.
O facto de abrirem mão da Taça de Angola, para ajudar no  reajuste federativo, é uma prova inequívoca da solidariedade que deve existir entre a Federação e os filiados, contudo, acreditamos que não estejam dispostos a mais sacrifícios.
A FAF e os clubes vão ser submetidos à prova. Forçados a saírem da sua zona de conforto, plasmados a reformularem as  programações para as ajustar ao contexto actual.
O passo acelerado do Girabola ZAP 2018  exige espírito de abnegação aos atletas, uma que estão sujeitos à disputa e suam as camisolas. Portanto, têm de provar  jornada a jornada, isto é, de Fevereiro a Agosto a capacidade física para aguentar os 30 jogos em sete meses, sem acusarem desgaste a meio do percurso.
As reclamações provenientes do futebol europeu, o mais competitivo do mundo, ajudam a perceber que nem mesmo os que têm às melhores condições de tudo, mantêm o rendimento quando jogam duas vezes por semana.
O sorteio do campeonato realizou-se de forma atempada, nenhum competidor tem como reverter o cenário criado. 
Como acontece quase sempre, essas equipas queixam-se antes ou depois do início do Girabola ZAP.
Antes dos jornalistas abandonar a sala onde decorreu a última reunião de acerto entre a FAF e o G-16, o presidente Paixão Júnior, do Progresso do Sambizanga, revelou que algumas equipas bateram à porta do Ministério da Juventude e Desportos.
\"Os clubes estão a pedir apoio ao ministério. Muitos vão ter dificuldades para continuar, se o campeonato for disputado\", informou aos presentes antes de anunciar o seu pessimismo. \"Sei que vamos começar, só não sei se vamos terminar\", reforçou.
A ideia de adoptar um modelo de séries não vincou, porque no desporto também a vontade da maioria vence sempre. O facto de  equipas cotadas, como o 1º de Agosto, sugerirem a criação de séries, é uma prova de que até os endinheirados estão preocupados com as finanças dos menos afortunados do campeonato nacional. 
Com ou sem cofres cheios, o campeonato começa esta tarde para satisfação dos amantes do futebol nacional, que nunca se cansam de acompanhar as emoções do desporto rei. Muitos, preferem ver a bola girar longe dos campos, contudo, nunca pedem o divórcio do Girabola ZAP.

REPRESENTANTES
Luanda continua a mandar

Quando na tarde de hoje, em Luanda, se der o pontapé de saída para a 40ª. edição do Campeonato Nacional da I Divisão, vulgo Girabola Zap, Luanda, capital de Angola, continua a  ser a maior praça do desporto-rei no país.  Sendo para já um estatuto que a capital angolana carregue desde o lançamento oficial da competição em 1979, a situação é justificada pelo facto de, grosso - modo, Luanda ser uma cidade cosmopolita nos mais variados sentidos. Além de que ao longo destes anos ser o centro das decisões do país, é também o maior pólo de desenvolvimento desportivo, não fugindo à regra no caso particular do futebol, rotulada como se disse atrás, como a modalidade rainha.
No presente Girabola Zap, Luanda está representada por cinco equipas, designadamente, o 1º de Agosto, campeão em título, Petro, vice -campeão, Interclube, Kabuscorp do Palanca e Progresso do Sambizanga. Em termos de representação geográfica a cifra da capiatl corresponde a 31,25 por cento das equipas que desfilam no carrossel do Girabola. Logo a seguir vêm a Benguela e a do Huambo como segundas maiores praças do futebol em Angola. A cidade das “Acácias Rubras” vai desfilar com as equipas do 1º de Maio e da Académica do Lobito, ao passo que a Cidade Vida conta com o Recreativo da Caála e o JGM. Cada uma delas com o percentual de 12,5.
As restantes sete províncias marcam presença na prova com uma equipa, cifra que corresponde a 6,25 por cento por cada uma .
Nessa condição, surge Cabinda com o Sporting, Bengo com o Domant FC; Cuanza - Sul com o Recreativo do Libolo; a  Huíla está com o Clube Desportivo; a Lunda -Norte com Sagrada Esperança; o Moxico com o FC Bravos do Maquis, e finalmente, o Cuando Cubango FC .
Tendo em conta o facto de que o país conta geograficamente com 18 províncias, as dez que vão disputar o Girabola Zap correspondem a um percentual de 55,55.  De fora, nesse caso, ficam as províncias do Uíje, Zaire, Malanje, Cuanza Norte, Lunda Sul, Bié, Cunene e Namibe, respectivamente, com os restantes 44,44 por cento.
De recordar que o Petro de Luanda, com 15 títulos conquistados, e 1º de Agosto, com 11 títulos são os maiores emblemas do futebol nacional.        
SV. DIAS