Jornal dos Desportos

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Girabola

Cheira "dobradinha"

Jorge Neto - 23 de Maio, 2019

Dobradinha pode ser uma realidade para o 1 de Agosto caso vena, o Desportivo da Hula

Fotografia: M.Machangongo | Edies Novembro

O sonho da dobradinha pode ser uma realidade para o 1º de Agosto caso vença, no próximo sábado, o Desportivo da Huíla, na final da Taça de Angola. O golo solitário marcado pelo congolês democrático Dago aos 73´, confirmou a vitória ontem dos agostinos sobre o Petro de Luanda, num desafio que levou as emoções ao rubro.
Tanto militares como tricolores entraram dispostos a dar um bom espectáculo ao público presente no estádio 11 de Novembro, procurando o golo o mais cedo possível, num ritmo frenético, onde os defesas tiveram bastante trabalho.
Depois da conquista do tetracampeonato no último domingo os agostinos pretendiam juntar a dobradinha, que já não acontece há várias épocas, e galvanizaram-se para atingir este objectivo, tendo a sua frente um adversário com argumentos suficientes para impedi-los. Aliás, pelo facto de falharam o título no Girabola Zap a formação orientada por Toni Cosano centrou todas as atenções na Taça de Angola para salvar a época.
No relvado, as duas equipas apostaram no ataque com os militares e tricolores a darem trabalho aos defesas, que tiveram de empenhar-se a fundo para evitar que as suas balizas fossem violadas. Vários duelos foram vistos, como por exemplo, Job e Isaac,  Tó Carneiro e Paizo, Dago e Eddie Afonso.
Apesar dos pupilos de Dragan Jovic em alguns momentos do jogo ter criado superioridade na posse da bola e rematar a baliza de Élber, o lance mais perigoso do primeiro tempo pertenceu ao brasileiro Tiago Azulão aos 36´, através de uma cabeçada que passou perto do poste defendido por Neblú.No segundo tempo esperava-se por mais movimentação dos jogadores e claro, golos. Os técnicos não mexeram no xadrez das respectivas equipas e regressaram com o mesmo onze na certeza de que estavam satisfeitos com aquilo que viram.
Nesta etapa do desafio Show assumiu os remates do 1º de Agosto e tentou várias vezes bater Élber, que esteve atento a intenção do médio agostino. Porém, foi numa jogada de contra-ataque que os militares estiveram próximos de marcar, mas Zito Luvumbo aos 70´, apesar do toque que sofreu dentro da área, aguentou a carga e rematou para uma defesa instintiva de Élber. Contudo, o golo militar surgiu aos 73´nos pés de Dagó, numa jogada de contra-ataque que envolveu Show e Ary Papel.
Do lado dos tricolores Tiago Azulão, Karanga e Job tentaram remar contra a maré, mas as suas investidas não levaram o destino pretendido, pois a defesa agostina mostrou-se segura. Aliás, provou mais uma vez os motivos que a tornam na melhor do recém-terminado Girabola Zap.
A festa era rubro e negra e o tempo escasseava para os tricolores, que olhavam para o cronometro com ansiedade, pois sabiam que estava em causa a salvação da época e as coisas não estavam nada favoráveis. O golo trouxe mais dinâmica ao jogo, dos dois lados ainda houveram remates à baliza, mas o resultado já estava carimbado. A formação do Catetão está há cinco jogos sem marcar ao conjunto militar e perdeu a oportunidade de defender o título que ostenta na Taça de Angola, conquistado em 2017, pois na época passada esta competição não foi disputada.

TÉCNICOS

1º de Agosto  (Ivo Traça)
"Ganha-se no campo não na Comunicação Social"

"Quando nos calhou o Petro para os quartos-de-final disse que seria um jogo de tira-temas e nos conseguimos provar isso. Fomos a equipa mais regular, tivemos bem ao longo do campeonato e hoje provámos, jogámos com uma grande equipa que é o Petro que esteve também muito bem durante a época. Agora vamos descansar e esperar pelo Desportivo da Huila que fez uma grande época com um treinador e uma equipa jovem. Os jogos ganham-se no campo e não a falar na comunicação social\".

Petro de Luanda (Toni Cosano)
"Vamos trabalhar para um novo plantel"


"Queríamos salvar a época com a conquista da Taça de Angola, sabíamos que era um adversário muito complicado e difícil. Em muitos momentos nos sentimos superior, mas por uma transição rápida sofremos o golo, perdemos o controlo do jogo e nos afectou psicologicamente. Acumulamos muito cansaço  físico e psicológico, tentamos fazer mais esforço, mas depois do golo baixamos muito, são muitos jogos durante a temporada, foi muito duro vamos trabalhar para o plantel da próxima época, pois a vida é assim."

MELHOR EM CAMPO
A resiliência de Show


O guarda-redes do Interclube foi o elo mais forte da sua equipa, negando várias vezes com que os jogadores do 1º de Agosto festejassem o golo. Landu contou igualmente com a falta de eficácia dos adversários e agradeceu fazendo pela vida. O experiente keeper dos polícias usou as mãos para segurar o resultado nulo e conseguir um ponto para a sua equipa, no arranque da segunda volta do campeonato nacional.

ARBITRAGEM
Apito sem influência


O árbitro Hélder Martins não teve influência no resultado final do desafio. Começou por deixar passar algumas faltas cometidas pelos jogadores do Petro de Luanda e assinalava apenas aquelas feitas pelo 1º de Agosto, o que encaminhava o jogo para situações que podiam prejudicar o espectáculo. Porém, o juiz acertou e soube comandar o desafio sem envolver-se em polémicas. Acompanhou as jogadas de perto de mostrou alguns cartões amarelos para os dois emblemas.

QUALIFICAÇÃO
Militares da região Sul travam Polícias


O Desportivo da Huíla recebeu e venceu, ontem, por 1-0, a Interclube, em jogo referente à meia-final da Taça de Angola, disputado no estádio do Ferrovia, na cidade do Lubango. Com a vitória, os militares da Região Su,l comandados pelo técnico Mário Soares, voltam a disputar a final pela terceira vez, depois de já o terem feito, em 2002 e 2013.
As duas formações entraram determinadas em vencer o jogo por se tratar de uma meia-final, que apura o vencedor à final da Taça de Angola.
Para o Desportivo, que fez um Campeonato Nacional brilhante, ao ocupar o terceiro lugar, onde já está apurado para disputar as eliminatórias da Taça CAF, para o Interclube, o jogo era encarado com responsabilidade acrescida, porque servia de trampolim para chegar na final e carimbar o passe para as provas africanas.
A história do jogo foi caracterizada com disputa renhida. O Interclube, entrou mais determinado, enquanto os militares da região sul resguardavam-se para efectuarem um estudo minucioso do adversário, mas foram os comandados de Mário Soares que, aos seis minutos, quando o avançado Milton pelo defesa contrário, Manucho, chamado a cobrar, rematou para uma defesa de recurso do guarda-redes Rui.
Dai em diante, o Desportivo da Huíla assentou o seu jogo e começou a comandar as rédeas do jogo, com Lionel Yombi, o jogador que incomodava de forma sequencial a baliza adversária. Não fosse o festival de falhanços protagonizado por ele, aos 11 minutos, 15 e 23 minutos, respectivamente, o resultado seria volumoso.
Em resposta, Paty, quase que marca na baliza adversaria, quando numa "embrulharada" na zona da pequena área defendida por Ndulu, Sargento, sacode o perigo.
Aos 31 minutos Caxala admoesta o primeiro cartão amarelo a Emilson do CDH, por jogo perigoso. Com um jogo bastante tenso e emotivo, as duas equipas procuravam tomar conta da partida. Com este pendor, aos 43 minutos, fruto da avalanche ofensiva imposta pelo Desportivo da Huíla, que este ano, apostou seriamente em fazer o melhor em todas frentes, volta a criar perigo na baliza de Rui, que já deitado, salva aquele que seria o primeiro golo dos donos da casa.
É com o empate a zero, que as duas equipas foram ao intervalo, depois de uma primeira parte bem disputada.
No reatamento do jogo, o Desportivo da Huíla, voltou com outra disposição e sufocou o adversário, que baixou a velocidade neste período, depois de imprimir dinâmica na primeira parte.
Com o Desportivo da Huíla a circular a bola em todo terreno do jogo, foi assim que aos 73 minutos da partida surge o golo dos huilanos, por intermedio de Manucho Dinis, que ao notar o adiantamento do guarda-redes Rui, depois de receber a bola da cabeça de Lionel, calculou para fazer o único golo da partida num remate forte a saída do centro da quadra, para o delírio do público presente no estádio.
Dai para frente, só deu Desportivo da Huíla. O Interclube tentava a todo custo mudar o rumo dos acontecimentos, mas sem sucesso. Mário Soares fez sair Mânico, para o seu lugar entrou Cagodó. Manucho Dinis deu lugar a Malamba, enquanto Sidney substituiu Milton, enquanto do lado contrario, o técnico Paulo Bruno Ribeiro, substituiu Carlito por Enoque, Pati deu lugar a Savany.
 Com a vitória de ontem, o Desportivo da Huíla cruza este sábado, pela primeira numa final da taça de Angola com o 1º de Agosto, que venceu, o Petro de Luanda.
Alias, o Petro de Luanda, foi o carrasco do Desportivo nas últimas duas finais ocorridas em 2002, com quem perdeu, por 3-0 e em 2013, onde foi derrotado, igualmente, pelo mesmo "score". GAUDÊNCIO HAMELAY, na Huíla