Jornal dos Desportos

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Girabola

Chuva de golos num jogo intenso

Paulo Caculo - 23 de Maio, 2016

Um jogo intenso com seis golos magistrais resume a histria da justa repatio de pontos

Fotografia: Jos Soares

Um jogo intenso, seis golos magistral e 90 minutos de bom futebol resume a história do empate travado ontem, no estádio 11 de Novembro, entre 1º de Agosto e Interclube, em jogo referente ao fecho da 13ª jornada do Girabola Zap.

Basta dizer que  o confronto entre polícias e militares resultou numa excelente propaganda ao futebol angolano. As duas equipas entraram de peito aberto, facto que ajudou a proporcionar um desafio bonito, frenético e disputadíssimo no meio-campo. Pertenceu ao Interclube a primeira grande situação de golo na partida, tendo o avançado Chico direccionado mal a bola.

Mas, melhor a entrar no jogo esteve o 1º de Agosto que, aproveitando muito bem as brechas entregues pelo adversário nos seus sectores mais recuados, não teve cerimônias em inaugurar o marcador, decorrido apenas sete minutos, por intermédio do inevitável Gelson, a aproveitar muito bem do seu potencial drible para abrir vias e acesso à baliza de Nelson.

A perder por 1-0, os policias quiseram ripostar. O conjunto do Rocha Pinto mostrava sempre força colectiva e capacidade ofensiva para inverter a tendência de jogo, mas faltava quase sempre arte e engenho ao ataque para na hora da finalização desferir o golpe fatal. E, em face disso, eram os militares que mostravam como se faz: três minutos depois seria a vez de Ary Papel a concretizar com golo uma jogada de belo efeito iniciada por Gelson, com participação de Geraldo.

A verdade é que mesmo não estando a fazer um mau jogo, a defesa do Interclube continuava bastante permissiva em zonas nevrálgicas do seu terreno de acção, que permitia ao 1º de Agosto fazer das suas no ataque, à semelhança do que viria a acontecer aos 28 minutos, com o terceiro golo rubricado por Ibukun, num remate surpresa tirado fora da área, com largas culpas para o guarda-redes Nelson, que deixa a bola passar-lhe entre as pernas.

O golo acabou sendo mais um duro golpe para a estrutura psicológica do Interclube que, nem por isso, deixava de lutar. Aliás, a equipa da Polícia passava a imagem clara de um colectivo com uma estrutura inabalável. Como prova disso, ainda próximo do intervalo e fruto de uma demonstração de força, reduzem a desvantagem no marcador, por intermédio de Cachi, aos 38', numa jogada de insistência.

A segunda parte foi um paradigma da etapa inaugural, com a diferença do 1º de Agosto ter baixado as suas linhas, reduzido a intensidade do seu futebol e apostado mais em jogar no erro do Interclube. Tal postura acabou castigando a equipa de Dragan Jovic, que passou a ver o Interclube a jogar muito mais próximo da sua baliza.

O facto é que o treinador da turma da Polícia teve sorte com as mexidas que efectuou, porque as entradas de Paty, Cachi e Moco vieram acrescentar muito de novo ao futebol da equipa. Fruto desta atitude, acabou sendo com alguma naturalidade que o Interclube chegou ao segundo golo, por Interclube de Pirolito, aos 85', num remate tirado fora da área.

O golo veio espevitar ainda mais o jogo e provocar um desfecho dramático. O conjunto da polícia acreditou ainda mais que podia empatar a partida, enquanto isso os militares permaneciam entrincheirados na sua defesa, à espera que o adversário chegasse, facto que foi muito bem aproveitado pelo Interclube, que voltou a apostar no remate a meia distância para anular o 1º de Agosto.

Paty, aos 90', num golo magistral e ao seu jeito, desferiu um potente remate que deixou o guarda-redes Dominique incapaz de evitar o golo. Estava reposta a justiça no resultado, pois os militares não justificaram a vantagem na segunda parte, período em que se limitaram a defender.

COMENTÁRIO
Foi na verdade um hino ao futebol

Desde que em 1999 o Interclube regressou ao Girabola - até então tinha ficado ausente sete anos -  só mais ontem voltamos a ver, da parte desta equipa, um futebol electrizante produzido por si, a toda a extensão do terreno, jogando de peito aberto contra esse grande 1º de Agosto que, diga-se em abono da verdade, ainda nesta segunda-feira deve estar atónito como a forma como foi forçado a repartir pontos.

Há quem de certeza diga mesmo que a "reviravolta" ao resultado, protagonizado pelos polícias, fez recordar, só para compararmos,  a forma como os nossos Palancas Negras se viram e empatadas em "cima da hora" naquele histórico jogo com o Mali, do nosso CAN, do já distante ano de 2010. Quem já não se lembra?...

Pois foi isto mesmo que se viu ontem no estádio 11 de Novembro, em noite de "hino ao futebol", um jogo jogado com passes longos e curtos bonitos de se ver, remates fulgurantes de parte a parte, para justa a igualdade. Quando os agostinos varriam já o polícias por 3-0 esfregavam a mão de contente, advinhando goleada à moda antiga, como as outras que o 1º de Agosto já infligiu a diferentes adversários do nosso campeonato.

Mas enfim, o Interclube ontem não esteve para meias medidas. Está com futebol adulto, a mostrar que é um forte candidato ao título, amedrontando outros concorrentes. Já foi assim em  2004, e depois em 2011: Por causa desta boa forma de jogar, chegou a dignificar o futebol angolano nas Afrotaças. Viva o espectáculo" 
A.FÉLIX

OPINIÂO
Filipe Zanza

(1º de Agosto)

"Sabor à derrota"

"Acho que foi um empate com sabor à derrota por tudo que fizemos na primeira parte, quando tudo parecia estar fácil a equipa baixou e o Interclube levantou. Na segunda parte não conseguimos concretizar as oportunidades e o Interclube acreditou mais. Temos de levantar a cabeça e ainda falta muito campeonato".

LUÍS BORGES
(Interclube)

"Ganhámos a segunda parte"

"O 1º de Agosto no primeiro tempo foi mais dominador, não pressionamos o nome com bola, facilitamos, mas acreditamos que seria possível equilibrar e marcamos um golo, fizemos o segundo e chegamos ao terceiro, penso que o 1º de Agosto ganhou a primeira parte e nós vencemos a segunda".

MELHOR EM CAMPO
"Senhor" Gelson

Gelson, s em disprimor para os colegas, foi melhor no jogo em que aproveitou muito bem as brechas dadas pelo adversário nos seus sectores onde foi visto em várias fases do jogo, sobretudo na sua. Não teve cerimônias em inaugurar o marcador, decorrido apenas sete minutos, a aproveitar muito bem do seu potencial drible para abrir vias e acesso à baliza de Nelson. E ainda deu a marcar um golo ao seu colega Ary Papel a concretizar com golo uma jogada de belo efeito iniciada por Gelson, com participação de Geraldo.

ARBITRAGEM
Trabalho razoável


O trio luandense, chefiado por João Goma, podia ter feito um trabalho muito melhor, ao nível do espectáculo proporcionado ontem pelas duas equipas. O árbitro quase estragou o jogo, na medida em que permitiu que os jogadores protagonizassem entradas à margem das regras, umas inclusive que chegavam a colocar em risco a integridade física dos atletas. Disciplinarmente também não esteve bem, porque podia ter mostrado mais amarelos.