Jornal dos Desportos

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Girabola

Clássico sem chama

Betumeleano Ferrão - 05 de Novembro, 2016

Tricolores e militares aquecem hoje o 11 de Novembro no fecho do Campeonato

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Petro de Luanda faz hoje guarda de honra ao 1º de Agosto, antes, e depois do clássico. O ingrediente é capaz de resultar em tudo de bom para o jogo, que devia em outras circunstâncias  definir o campeão, se os tricolores não empatassem e hipsu facto, apressaram a consagração do rival que esta tarde, às 15h30, vai ao Estádio 11 de Novembro provar que a regularidade foi superior, à excelente segunda volta do rival.

As duas equipas já agitaram o clássico com guerra de palavras, agora chegou a hora de cada provar que sabem ganhar com mérito. A julgar pelo comportamento dos dois adversários,  há motivo para acreditar que existe moralização nos dois lados, o campeonato está decidido, mas falta resolver a questão de honra, que sempre existe quando Petro e 1º de Agosto se enfrentam.

O resultado do clássico é  para encher de orgulho o lado vencedor, as duas equipas demonstram ser equivalentes, pelo que é prematuro usar o termo favoritismo. O Estádio 11 de Novembro até pode não “rebentar pelas costuras”, mas é ponto assente que as direcções, técnicos e adeptos dos dois clubes ambicionam ver a sua equipa competitiva em todos os momentos.

A qualidade do ataque do campeão costuma desamarrar jogos difíceis, mas está claro, que o 1º de Agosto preparou alternativas a Papel e Gelson. As duas estrelas do plantel de Dragan Jovic têm a obrigação de contagiar a equipa, mas caso sofram algum apagão, alguém tem de assumir o papel de protagonista, para que os militares mantenham a invencibilidade que dura desde 2014.

O Petro de Luanda trás o orgulho ferido, ninguém está à espera de ir ao clássico para servir de bombo de festa. A vitória, de modo algum, chega para apagar a desilusão do título conquistado pelo rival, porém, é importante destacar que os tricolores estão à procura de um resultado capaz de provar a crença que têm, de que são os mais competitivos de momento no Girabola ZAP.

O Petro de Luanda não perdeu na segunda volta,  esse, é um bom aliciante para o 1º de Agosto. Os tricolores podem repetir o registo de 1986, mas os militares querem evitar a todo o custo que o rival termine o campeonato com dois pontos de desvantagem, que a acontecer alimenta o jogo de palavras entre ambos.

A sorte final dos rivais, no clássico, interessa em demasia ao destronado Libolo, caso vença na Huíla, e o Petro perca ou empate, tem a  chance de terminar em segundo lugar. Ser vice -campeão nunca foi a ambição dos libolenses, agora, a equipa de Calulo só tem de contentar-se com pouco.

O Desportivo da Huíla aparenta estar desesperado, as questões extra-campo tiraram consistência aos militares. Ainda assim, é de esperar que o corpo técnico e atletas estejam ansiosos por enviar um recado à direcção, uma vitória sobre o campeão em título pode ser uma boa amostra do que os militares podiam fazer, se estivessem focados apenas em jogar.

O Benfica de Luanda tirou o sal ao campeonato, ao empatar com o Petro na jornada passada, esta tarde as águias vão à Cidadela  provar ao Progresso do Sambizanga que não foi em vão que acabou com o sonho tricolor de chegar ao título.

A campanha sambila no campeonato é semelhante a da águia, a intermitência é imagem de marca dos dois contendores,  que a acontecer no dérbi, só causa espanto se o vencedor estabelecer um placar gordo. Até certo ponto, os dois planteis são equivalentes, agora, a grande dúvida é se Progresso e Benfica encerram o campeonato com um jogo bem conseguido.



PETRO DE LUANDA
Tricolores focados
no segundo lugar


Os jogadores e a equipa técnica do Petro de Luanda trabalharam na semana para o jogo com o 1º de Agosto, focados na necessidade de alcançarem os três pontos, de forma a conservarem a segunda posição do Campeonato Nacional.

O jogo agendado para hoje, às 15h30, no Estádio 11 de Novembro, está a ser aguardado pelos tricolores com grande interesse e enorme expectativa, dado o propósito da equipa encerrar o Girabola Zap na vice-liderança, conforme deixou claro o técnico Beto Bianchi, durante a conferência de imprensa de antevisão ao jogo.

"Desde o primeiro jogo do campeonato que trabalhámos para  ganhar todos os jogos e este não será diferente. É o último jogo do campeonato, e seria um prémio para os meus jogadores encerrarem com uma vitória, sobretudo, pela excelente segunda volta muito conseguida", disse.

"O objectivo é assegurar o segundo lugar e terminar o campeonato invicto. O grupo está motivado, porque o principal objectivo era o terceiro lugar, mas quando estamos em vias de alcançar um objectivo superior, é sempre bom", acrescentou.

A equipa do Petro hoje entra para jogar com o rival 1ºde Agosto, salvo alteração de última hora, não difere muito da que empatou com o Benfica, na jornada anterior. Ou seja, Beto Bianchi pode depositar confiança nos seguintes jogadores: Gerson - Ari, Élio, Wilson e Mabiná- Manguxi, Job, Carlinhos, Herenilson e Tiago Azulão - Fabrício.
PAULO CACULO


FILIPE NZANZA •
“Rivalidade fala mais alto”


O técnico -adjunto do 1º de Agosto, Filipe Nzanza, afastou a ideia do clássico perder a emoção que se esperava, pelo facto do conjunto militar ter conquistado o troféu. Segundo ele, a rivalidade entre as duas equipas prevalece, também porque  ambos ambicionam terminar o campeonato com uma vitória.

De acordo com o adjunto de Dragan Jovic, militares e tricolores podem apresentar um bom espectáculo de futebol, no desafio desta tarde, às 15h30, no Estádio 11 de Novembro.

“Penso que não tira nem sal, nem pimenta, porque acima de tudo, o Petro é um rival que nós gostaríamos de ganhar e eles a nós, e porque queremos terminar o campeonato com uma vitória. Com mais facilidade não diria, o jogo não vai ter a luta pelo título, mas são duas boas equipas para ter um bom Girabola, essas equipas têm de estar bem, e foi isso, que se viu este ano. A rivalidade fala mais alto no jogo de amanhã (hoje)”, disse o antigo médio militar, na quinta-feira, em conferência de imprensa.

Filipe Nzanza destacou a semana de preparação do conjunto.

“Esta foi uma semana em que a equipa trabalhou bem, a pensar numa vitória. No rosto dos jogadores vi alegria e estão de parabéns, todos os que contribuíram para que o título fosse uma realidade, desde os trabalhadores do clube, direcção e adeptos, pelo apoio que nos deram, e graças a Deus somos campeões”, agradeceu.

O treinador admitiu que o título tem um sabor especial, depois de uma década, e terem passado por lá vários treinadores, por isso, destacou o apoio recebido.

“Respeitamos o Petro, somos rivais, mas também somos amigos. Mas esse título tem um sabor especial, nove anos não são nove dias.  Por aqui (no clube) passaram vários treinadores que respeitamos e podiam ser campeões. Agradecemos muito a Deus por esta conquista. Não é o momento de falar muito, mas de agradecer pelo apoio que nos deram”, apontou.    
 JORGE NETO