Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Clssico molhado

Jorge Neto - 08 de Abril, 2019

Mau tempo no interferiu no desempenho dos jogadores no clssico dos clssicos

Fotografia: Vigas da Purificao | Edies Novembro

Não foi desta, que o Petro de Luanda colocou um ponto final no histórico negativo dos últimos seis jogos sem vencer o 1º de Agosto, terminando com a divisão de pontos, num nulo que dá vantagem aos agostinos, em caso de igualdade na última jornada da presente edição do Girabola Zap.Numa tarde bastante chuvosa, militares e petrolíferos disputaram uma partida emotiva, que mexeu com os corações dos adeptos de ambas formações no estádio 11 de Novembro e em toda a parte do país.

A jogar em casa e pressionados para vencer os tricolores que, pela primeira vez num clássico, tiveram no banco de suplentes o técnico Tony Cossano, entraram dispostos a marcar cedo, tal como ficou provado nas jogadas de Tiago Azulão e Tony, ainda nos primeiros dez minutos.Os militares responderam apenas aos 12´, com Mabululu a cabecear para defesa de Elber. Porém, os tricolores não se intimidaram pela vantagem do adversário na tabela de classificação e assumiram o controlo do desafio. Fruto da pressão, Neblú quase oferecia um brinde a Tiago Azulão, mas mesmo escorregando apelou aos reflexos, para afastar a bola do alcance do avançado petrolífero.

Com o passar do tempo, os militares subiram mais no terreno e Mabululu esteve perto de marcar, mas a cabeçada parou nas mãos de Elber, que demonstrou segurança no desafio. Contudo, aos 30´Karanga resolve inventar uma jogada individual, passou pela defesa do 1º de Agosto e rematou com intenção, mas viu Neblú a negar-lhe o golo. 

Depois disso, os agostinos acordaram e entraram em acção. Mongo, em duas ocasiões levou o perigo para a baliza tricolor, na primeira ocasião o guarda-redes defendeu e, na segunda, o remate sem preparação levou a direcção errada. Já nos minutos finais da etapa inicial, Isaac quase tirou as medidas a Elber, mas este evitou o pior para a sua equipa, ao mandar a bola para canto. Destacar a exibição de Tó Carneiro, bastante interventivo no desafio. 

No segundo tempo, as coisas no terreno de jogo voltaram a aquecer, apesar da chuva que caía no estádio 11 de Novembro, as duas equipas queriam marcar, ninguém se limitava a defender. Os trincos militares subiram mais e rematavam, enquanto do lado dos tricolores o mesmo não acontecia. O extremo tricolor Karanga, provocou dores de cabeça aos defensores militares, foi uma das melhores unidades, ao passo que Herenilson travou uma grande batalha no meio campo.  Do lado dos rubro e negros viu-se pouco de Ary Papel e a zona intermédia perdeu algum protagonismo, para o Petro de Luanda.

Inconformados com o resultado nulo e como as coisas corriam no jogo, os dois técnicos mexeram no xadrez das suas equipas. Os petrolíferos pressionaram mais e levaram o perigo a baliza de Neblú, embora os militares respondessem na mesma moeda.O clássico encaminhou-se para o final e ninguém festejou o tão ansiado golo, que daria a alegria aos adeptos de uma das equipas.  

ARBITRAGEM 
Hélder Martins esteve impecável

O árbitro Hélder Martins controlou o desafio desde o início, mas economizou na mostragem do cartão amarelos. Parecia que não o tinha bolso, pois, os jogadores de ambos os lados, em alguns lances, passaram o limite das regras. Ficou por mostrar a cartolina amarela a Show, quando entrou por trás a Tiago Azulão no primeiro tempo. No reatamento mudou de postura e não permitiu o jogo duro, admoestando, pela primeira vez, aos 50´Bwá e aos 58´a Dany Massunguna. Depois disso, começaram a chover os cartões. A aposta do Conselho Central de Árbitros da FAF num trio internacional, composto ainda por Jerson Emiliano e Ivanildo Martins, surtiu o efeito desejado por não se envolver em lances polémicos, apesar das queixas dos jogadores de ambas equipas.

MELHOR EM CAMPO   
Tó Carneiro a todo terreno


O lateral esquerdo do Petro de Luanda, Tó Carneiro, realizou uma grande exibição no clássico, ao contribuir tanto no aspecto defensivo como no ofensivo. O camisola 13 não deu azar a sua equipa, pelo contrário, foi um talismã para anular os avançados agostinos e ao mesmo tempo criar desequilíbrios no ataque, com jogadas rápidas de transição, que levaram o perigo ao último reduto do conjunto militar.  


OPINIÃO DOS TÉCNICOS
  Toni Cosano Petro de Luanda
“Psicologicamente estamos fortes”

"Não estou satisfeito com o resultado porque preparámos o jogo para somar mais três pontos, mas estamos orgulhoso com a equipa. Lutámos para ganhar o jogo, fizemos o possível, tivemos o controlo dentro dos 90 minutos e opções claras para fazer golo. Sabemos que o 1º de Agosto é um grande adversário, mas vamos lutar até ao último minuto para ganhar o campeonato. Mostrámos que psicologicamente estamos fortes. Eles também não somaram mais três pontos, está tudo por igual, ainda temos muitos minutos de jogos, o Girabola vai estar aberto até à última jornada, o título ainda é possível, nós acreditamos, os adeptos também devem acreditar e estarem orgulhosos pelo trabalho que fizemos hoje (ontem). Vamos recuperar e preparar o próximo jogo com o Libolo".
 
  Ivo Traça 1º de Agosto
“Gostaríamos de ganhar”

"Foi uma grande partida de futebol. Foi muito bom o povo ter aparecido, também aqueles que ficaram em casa a ver pela televisão, acredito que todo mundo ficou contente. Jogámos com uma grande equipa, que é o Petro de Luanda, são as duas equipas que estão a lutar pelo título neste momento, sem desclassificar as outras que vêm atrás. O empate valeu por aquilo que as duas equipas fizeram em campo, é uma pena não haver golo, vamos trabalhar para os próximos jogos. Quero aproveitar para dar os parabéns à nossa equipa de andebol que ganhou no africano e a qualificação da nossa equipa de basquetebol. O 1º de Agosto apresentou-se bem no jogo, foi uma partida boa para nós, gostaríamos de ganhar, mas não é fácil vencer o Petro de Luanda. Se terminarmos com o mesmo número que o Petro de Luanda, seremos campeão".