Jornal dos Desportos

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Girabola

Clubes sentem os efeitos da crise

Betumeleano Ferr?o - 18 de Janeiro, 2017

Contexto económico do país influencia gestão das agremiações desportivas e da FAF

Fotografia: Vigas da Purificaçã

A Federação Angolana de Futebol "FAF" e o Benfica de Luanda são as pontas do iceberg dos problemas económicos que assolam o país, e por arrasto o futebol angolano.

A situação de cofres vazios, do órgão reitor da modalidade em Angola , há muito que é comentada na praça pública, ao passo que os problemas financeiros do clube encarnado vieram à superfície, com o começo do novo ano.

O Jornal dos Desportos apurou que as conhecidas dívidas da FAF, em relação aos seus funcionários administrativos, abrangem também os treinadores e jogadores das diferentes selecções nacionais. Alguns dos incumprimentos  duram a vários anos, e os lesados não sabem quando vão receber o dinheiro.

Um dos prémios aguardados é o da qualificação ao CHAN 2016. A selecção angolana garantiu de maneira sofrível o apuramento em Outubro de 2015, mas os obreiros da presença no campeonato africano, exclusivo a atletas que jogavam nos seus países, ainda aguardam o prémio que tarda a chegar.

Alguns dos jogadores que fizeram parte da campanha de qualificação, como por exemplo Mateus Galiano, Papel e Gelson já não actuam na competição doméstica, mas os que continuam a militar no Girabola esperam que o elenco de Artur Almeida e Silva consiga resolver a situação.

A dívida da presença no CHAN 2016 é uma das muitas que a FAF não  honrou de forma atempada. O montante do valor em falta aos funcionários continua no segredo dos deuses.

Por outro lado, é do domínio público que o desenlace com a equipa técnica liderada por Romeu Filemon, acabou por ser precipitado pelos muitos meses de salários em atraso.

 Um ex-internacional, cujo nome omitimos, revelou que o seu caso é um dos mais graves do nosso futebol. Lamentou que foi convocado para diversas competições, mas sem sentir no bolso a devida recompensa financeira, os anos passaram e as dívidas não foram saldadas.

A manchete de sexta-feira do JD,  relacionada com os problemas financeiros do Benfica de Luanda, teve repercussão em outros órgãos de informação, mas o silêncio da direcção encarnada não impede o êxodo maciço dos jogadores para outros clubes.

O avançado Amido Baldé saiu a meio da época passada, mas os que preferiram esperar por melhores dias não tiveram alternativa, senão seguir o mesmo exemplo, uma situação inédita num clube que por via de regra não abria mãos dos seus activos.

Os encarnados terminaram  o Girabola ZAP 2016 sem grandes tumultos,  agora é incerta a participação no campeonato deste ano, e continua a ser o único dos 16 participantes que não iniciou o trabalho de preparação para a época que inicia a 4 de Fevereiro.

Nos últimos anos, os clubes que disputam a prova futebolística nacional  ressentem os problemas financeiros que o país enfrenta, e alguns deles como o FC Bravos do Maquis, 1º de Maio, Porcelana e 4 de Abril acabaram  por baixar de divisão, ao passo que outros como o histórico ASA, ou o Desportivo da Huíla safaram-se a muito custo.