Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Crise de divisas afasta estrangeiros

22 de Dezembro, 2016

Campeonato de 2017 pode ter menos expatriados

Fotografia: Jornal dos Desportos

O próximo Girabola Zap pode ver reduzido o número de futebolistas estrangeiros. O campeonato nacional que nos últimos anos foi 'assaltado' por técnicos e atletas expatriados, esta época o número pode reduzir-se substancialmente devido à crise financeira, que dificulta o cumprimento do pagamento dos contratos em divisas.

A competição vive o período de defeso,  regressa em Fevereiro de 2017, mês que marca a abertura oficial da época com a habitual disputa da Supertaça, entre o campeão, 1º de Agosto, e o vencedor da Taça de Angola, Recreativo do Libolo. Enquanto isso, cresce nos bastidores à expectativa em torno do que pode vir a ser o próximo campeonato. O futebol jogado dentro das quatro linhas deu lugar à habitual movimentação de jogadores e de treinadores, de uma para outra equipa.

A “dança” de transferências anima os dias de defeso no mosaico desportivo nacional, com os adeptos ansiosos em saber o destino dos principais ídolos. O cenário ganha a imagem da “luta pela sobrevivência”, na busca incessante das equipas por melhores reforços. Se por um lado, alguns clubes partem para a disputa interessados em formarem um plantel competitivo com atletas de qualidade, por outro, preferem reunir condições para manterem na equipa peças indispensáveis como os atletas que se revelaram fundamentais na época transacta.

Ao contrário da época passada, em a 2017 muitos clubes podem ver esfumado o sonho de enriquecerem os respectivos planteis com jogadores estrangeiros para colmatar algumas brechas. A crise de divisas que o país enfrenta,  proporciona cada vez menos condições aos clubes para apostarem em jogadores expatriados. O Petro de Luanda, que em meados da época transacta chegou a anunciar a decisão de contratar apenas jogadores e treinadores que aceitem receber salários em kwanzas, parece que recuou da sua posição.

Nem sempre os clubes convencem os jogadores e treinadores estrangeiros a adaptarem-se à actual realidade  com a moeda nacional, embora  depois se "desenrasquem" para municiar as respectivas famílias no exterior do país, uma missão cada vez mais espinhosa, a julgar pelos níveis de desigualdade existente, entre a procura e a oferta de divisas.

Embalados nesta visão, só devem ser capazes de alimentar o sonho de ostentar no plantel "reforços de luxo" ou técnicos estrangeiros categorizados, os clubes que não venham a sentir muito a influência da escassez de divisas, ou as agremiações desportivas cujos jogadores e treinadores aceitem receber salários e luvas contratuais em kwanzas. Dito de outra maneira, deve ser a regra do mais forte a imperar.

Os clubes considerados “grandes” assumem a posição de principais candidatos a ficarem com a maior fatia do bolo de jogadores disponíveis no mercado. O poder financeiro destes impressiona os atletas, que encaram a situação como oportunidade única na carreira para melhorar as contas bancárias, e desse modo, proporcionar melhores condições de vida às respectivas famílias.    

ESTÁGIO
Maquis prossegue
preparação em Benguela

De regresso ao comando do FC Bravos do Maquis, João Pintar revela-se  um técnico que conhece bem a casa, e que pretende realizar uma época sem sobressaltos no regresso ao campeonato nacional da I divisão. O facto de ser a primeira inquilina do Girabola Zap 2017 a abrir as oficinas, é clara demonstração de quão está apostado em fazer o melhor, em prol dos maquisardes.   

O treinador disse ao JD, que a direcção do clube está receptiva ao  programa de trabalho, e justifica a receptividade com o facto de trabalhar de forma antecipada e as exigências serem todas aceites. "Vamos dar continuidade ao nosso programa trabalho em Benguela, com a realização de alguns jogos de controlo, para avaliarmos individual e colectivamente o grupo. Cada um deles (os jogadores) está a mostrar os dotes e ainda temos de trabalhar mais e vai levar algum tempo", previu.

João Pintar prevê três semanas para enquadrar a ideia e a sua filosofia de jogo. Admite, que quando o campeonato começar, a  equipa vai apresentar-se homogénea, não por mero acaso, mas  pelo que está a fazer. "Vamos fazer sete a oito jogos (em Benguela). Não tenho o nome das equipas, em Janeiro teremos muitas equipas em Benguela e lá vai ser muito fácil manter contactos com treinadores. Vamos fazer uma prova desejada e alcançarmos o que preconizamos", prometeu.

Reiterou a admiração pela direcção, que tem feito tudo para que nada falte ao grupo de trabalho. "Não tenho nada a comentar, a prova está aí à vista de todos", afirmou orgulhoso. "O programa para Benguela está feito e repara que neste momento em que falamos, o vice-presidente para o futebol Alberto Russo está a ligar para os directores em Benguela para enviar um comboio especial para transportar a equipa", confirmou. De resto, os maquisardes ambicionam regressar aos tempos de glória no campeonato nacional em que já foi uma das equipas sensação da maior prova futebolística nacional.
DANIEL MELGAS - Luena