Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Drbi do povo

Teixeira Cndido - 20 de Maio, 2012

Petro de Luanda e 1 de Agosto jogam hoje o clssico 61, e o futuro de cada um no presente Girabola.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Petro de Luanda e 1º de Agosto jogam hoje o clássico 61, e o futuro de cada um no presente Girabola. Tricolores  e militares sabem que uma derrota esta tarde, no Estádio 11 de Novembro, apesar de todas as possibilidades matemáticas que possam manter, os “afasta” da corrida ao título. Ganhar é, por essa razão, obrigatório para as duas equipas. Mas como no futebol só uma equipa pode vencer, à partida isso significa que um dos grandes pode ficar arredado da luta pelo Girabola 2012.

Este cenário implica, contudo, que o Recreativo do Libolo ganhe ao Interclube, no jogo de atraso. Em caso de vitória, os campeões ficam com 13 pontos de avanço e só um desastre retira o segundo título à equipa de Zeca Amaral. Para este  clássico, tal como para os outros, não  há favoritos. Mas sobretudo neste, dada a coincidência dos números, o barómetro permite aferir a competitividade de cada uma das equipas. Petro de Luanda e o 1º de Agosto diferem neste Girabola apenas no número de golos. Os tricolores fizeram mais e os militares consentiram menos.

No gol average (saldo de golos entre os marcados e os sofridos) o 1º de Agosto tem vantagem de um golo. Há seis vitórias para cada um, três empates e duas derrotas, tendo os tricolores feitos 19 golos e consentindo 11. Os militares rubricaram 17 e sofreram oito. Na jornada passada, as duas equipas perderam. O Petro de Luanda  foi derrotado pelo Progresso, por 3-1, e o 1º de Agosto perdeu com o Atlético Sport Aviação (ASA), por uma bola. No plano individual,  o treinador sérvio tem maior pressão do que Romeu Filemon, uma vez que orienta o Petro de Luanda pelo segundo ano consecutivo e tem todas as condições para conquistar o título.

Depois de ter feito no Girabola passado uma revolução, ao pôr jovens no plantel, recebeu este ano três jogadores experimentados para ajudar os miúdos a conquistarem o título. Por essa razão, Maksimovic não tem desculpas a dar à direcção do Petro de Luanda caso não conquiste o Girabola’2012. Com Romeu Filemon é diferente. Trata-se do seu primeiro ano no comando dos militares e de um dos grandes. Não ganhando o Girabola este ano, tem a segunda oportunidade. Mas a sua relação com os adeptos pode não ter o mesmo caminho. Ou seja, dada a enorme rivalidade, para os adeptos ganhar ao Petro de Luanda é mais importante do que vencer três jornadas consecutivas. É assim para os militares tal como para os tricolores.

No 11 de Novembro
Dérbi com sabor
especial no Catetão


A partida da 12ª jornada, a disputar-se no maior estádio do país, o 11 de Novembro, é, regra geral, alvo dos maiores e piores vaticínios por parte dos adversários e adeptos, com a interrogação dominante de quem vai vencer e, sobretudo, se vai haver goleada ou não. Nessa perspectiva, o recurso aos números e ao melhor momento de forma desportiva de cada equipa tem sido inevitável, apesar deste último pormenor não se afigurar relevante neste caso particular, em que a crença e vontade de vencer de cada atleta se traduz no redobrar de esforços.

Mas, se compararmos os resultados entre estes dois maiores clubes do país, cuja capacidade financeira ultrapassa qualquer outro (Interclube, Libolo e Kabuscorp vêm a seguir), os petrolíferos têm maiores incentivos psicológicos. Além de se terem estreado em 1980 e os Rubro e Negros antes disso, em 1977, detêm o maior número de vitórias no Girabola, com um total de 14 contra 10 do adversário mais velho.

 O Petro também possui a vitória mais gorda no cômputo das 42 partidas disputadas até à edição de 2011: 6-0 em 1988 e 6-2 em 1982, apesar de os resultados típicos actualmente se cifrarem em diferenças mínimas de um golo. Nos últimos 11 anos, a equipa liderada pelo sérvio Miroslav Maksimovic possui um registo de 11 vitórias, contra apenas cinco da liderada por Romeu Filemon.

Miller Gomes confiante
num resultado positivo


O técnico-adjunto do Petro de Luanda, Miller Gomes, acredita que os maus resultados que as duas equipas tiveram no jogo anterior em nada vai influenciar no grande clássico de hoje, no estádio 11 de Novembro.  De acordo com o principal auxiliar do técnico sérvio Miroslav Maksimovic, os jogadores das duas formações já ultrapassaram os seus desaires e estão dispostos a dar o máximo hoje à tarde. “Para este jogo, tudo aquilo que se passou fica de parte. É um jogo ímpar, não é de hoje, é um clássico que está desenhado há mais de 30 anos e, sendo assim, penso que não estão em causa os resultados anteriores. O que está em causa é o que as duas equipas querem para o jogo”, garantiu.

O jovem técnico considerou que o conjunto tricolor realizou uma boa preparação dentro dos condicionalismos que enfrentam, em função das ausências confirmadas de Lamá (por cartão vermelho no jogo anterior), Mabiná e Katongo (acumulação de três cartões amarelos) e as dúvidas de Etah e Love (recuperam de paludismo). “Preparámos este jogo dentro dos condicionalismos que estamos a viver. Os jogadores vindos da selecção nacional integraram-se na passada quinta-feira, mas de qualquer das formas durante a semana houve uma interacção dos jogadores. O grupo esteve compenetrado e como se sabe nestes jogos a motivação é alta e todos querem jogar. É com este diapasão que preparámos este jogo”, analisou.

Miller Gomes afirmou ainda que estão preparados para dar a volta a essas contrariedades, pois os jogadores disponíveis dão garantias de desempenhar um bom papel no clássico, tendo em conta a sua alta motivação. “Se estes jogadores não recuperarem, vamos ter de recorrer aos outros que fazem parte do plantel. O importante agora é que eles recuperem.

O corpo médico está a trabalhar a todo o vapor, mas há coisas que também não dependem dela, mas sim do estado em que eles se encontrarem”, assegurou o técnico-adjunto, acrescentando que, “de qualquer forma, além da situação que está a acontecer, o importante é que cada um dos jogadores que estão presentes no momento, apresentem determinação, pois o clássico mexe com tudo e vamos potenciar aqueles que eventualmente possam jogar em substituição dos que não estão no pleno das suas capacidades”, finalizou Miller Gomes.
Jorge Neto

 MILITARES
Barbosa garante
regresso às vitórias

Depois do desaire na ronda anterior frente ao ASA, o 1º de Agosto quer vencer o derbi de hoje a qualquer preço. Os militares não estão dispostos a cederem mais pontos na prova, seja com que adversário for, sob pena de começarem a comprometer as suas aspirações no campeonato. António Barbosa um dos adjuntos dos rubro-negro, admitiu sexta-feira que a equipa não quer perder mais jogos “encaramos esta partida com muita responsabilidade e com objectivo de vencermos. Temos consciência que não será fácil, mas acreditamos que será possível”, realçou o treinador militar.

A derrota na ronda anterior, não estremeceu a estrutura da equipas militar e logo diante dos petrolíferos, o nosso interlocutor afirmou que vão aparecer com a postura e a disposição que lhes é peculiar. “O grupo está moralizado e os níveis de confiança estão em alta. O ambiente na equipa é dos melhores e acreditamos que nem mesmo o facto de ser um clássico vai afectar a disposição e o querer dos atletas”, admitiu.

O trabalho feito ao longo da semana, com destaque para a exploração dos pontos fracos do adversário e as cautelas para as suas qualidades, mereceram maior atenção da equipa técnica, que não deixou de advertir os jogadores por este factor. “Tivemos o cuidado de estudar ao pormenor a forma como o adversário joga para montarmos o sistema que melhor se enquadre para anularmos o nosso opositor. Trabalhámos sempre em função das características de cada adversário, então é imperioso que anulemos todos os seus pontos fortes e tiremos vantagens das suas fraquezas”, destacou.

NO EIXO-VIÁRIO
Malamba admite existir
uma grande expectativa 


O director para o futebol do Petro de Luanda, Sidónio Malamba, afirmou ontem que a direcção do clube está a viver com grande expectativa o clássico e criou todas as condições para que haja um bom espectáculo. “Estamos a viver este jogo com grande expectativa, porque um dérbi é sempre um dérbi, com resultados imprevisíveis, exibições fora do comum, é o maior dérbi do país, há uma grande rivalidade entre estes dois clubes, mas queremos que, acima de tudo, reine o fair play, porque no fim de contas é apenas um jogo de futebol, apenas isso e nada mais”, alertou.

Malamba considerou o jogo diante do 1º de Agosto especial e que dentro do relvado os jogadores apresentam uma grande motivação para dignificar o prestígio dos dois clubes. “Nós, direcção do clube, preparámos o jogo com muito afinco, tal como fizemos nos outros jogos, mas claro que este merece outra atenção e tem um sabor especial. Em relação aos jogadores, não temos muito trabalho a fazer, porque eles, por si só, conseguem motivar-se e puxar toda aquela determinação e empenho, pelo facto do adversário ser o 1º de Agosto”, assegurou.

O ex-jogador tricolor lembrou ainda o tempo em que suava a camisola nestes grandes jogos e referiu que a ansiedade vai diminuindo à medida que se aproxima o apito inicial da partida. “Desde o princípio que aprendi a jogar nos clássicos, a minha estreia foi precisamente num clássico, na altura entre o ASA e o Petro, e era a final da Supertaça .JN

LAMÁ ANUNCIA
“O objectivo é vencer o jogo”


O guarda-redes, Lamá vai falhar o desafio desta tarde por ter visto o cartão vermelho na jornada anterior mas, ainda assim, reforçou a confiança do grupo para defrontar o 1º de Agosto, hoje, às16h00, no estádio 11 de Novembro. “Temos o nosso objectivo claro, que é vencer, apesar de respeitarmos o adversário. É um jogo entre dois crónicos candidatos ao título do Girabola e as duas equipas vêm de uma derrota. Temos consciência que um jogo tem três resultados possíveis. Já esquecemos o resultado negativo contra o Progresso, agora estamos a olhar para a frente, e acredito que da forma como trabalhámos vamos vencer o jogo”, garantiu.

O experiente jogador lamentou a ausência neste clássico, mas defendeu a motivação dos colegas, por se tratar de um jogo especial, e não duvida que vão dar a resposta certa nesta partida. “Todos os jogos são jogos iguais, o objectivo é vencer, mas acredito que todo o jogador do Petro e do 1º de Agosto encara este jogo como especial e todos querem mostrar o seu melhor, porque nos grandes jogos é que se notam os grandes jogadores. É claro que eu gostava de jogar, mas infelizmente não é possível”, disse.

O mais antigo jogador a vestir a camisola tricolor na actualidade disse ser mais fácil os jogadores prepararem-se para um jogo desta dimensão, pois o objectivo passa por ganhar ao arqui-rival. “Acredito que seja mais fácil. Tenho dito que cada um trabalha para um fim específico, que é atingir os níveis mais altos possível, tanto aqui no Girabola como na diáspora, o objectivo é o mesmo, ganhar no clássico”, analisou, acrescentando de seguida as suas recordações destes grandes desafios.

“Já estive em vários clássicos, bons e maus. Não sou perfeito. Há jogos em que estive bem e outros que não. Agora nem vale a pena recordar tudo, mas foram momentos de alegria e de tristeza. Porém, o importante é estar aqui a representar o Petro e dar o meu máximo”, sublinhou Lamá pediu a comparência dos adeptos no estádio 11 de Novembro e que tenham uma atitude positiva, apoiando as duas equipas e evitando as cenas de vandalismo. JN