Jornal dos Desportos

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Girabola

Desistncia provoca transtornos

Isidoro Natalcio-Ndalatando - 03 de Junho, 2016

Comerciantes de Cazengo aguardavam com ansiedade as equipas do 1 de Agosto e do Petro de Luanda naquela regio do Cuanza Norte

Fotografia: Jornal dos Desportos

A desistência do Porcelana FC do Cazengo do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, Girabola Zap, por dificuldades financeiras, vai provocar enormes prejuízos aos comerciantes da região.

O trabalhador Euclides Domingos, da cantina “Trabalho cansado”, situada na parte frontal do estádio Fernando Diniz, em Ndalatando, é um dos que manifesta a sua preocupação com a desistência do Porcelana do Girabola Zap 2016. Segundo ele, em dias de jogo, a venda aumentava e chegava a atingir 90 mil kwanzas, contra os 30 mil dos outros dias. Por isso, solicita a intervenção do Governo para salvar o clube.

“Vamos ver pouco dinheiro, por exemplo, na semana do jogo com o Libolo, vi muito dinheiro, mais de 90 mil Kwanzas, e quando é o 1º de Agosto ou o Peto não imaginem”, disse.

Música e dança é o cenário reinante por aquelas paragens quando há futebol. Igualmente apreensivos e tristes como Euclides Domingos estão os proprietários das outras sete lanchonetes no local. Joaquim João, da lanchonete Janela aberta do Locaide, disse sentir-se profundamente consternado com a decisão de desistência do Porcelana do Girabola ZAP. A inquietação se deve ao facto de em dias de jogos o negócio prosperar e por conseguinte contribuir no pagamento pontual dos salários dos trabalhadores.

“Quando há jogo a nossa facturação aumenta, aqui fica muito cheio, vendemos muito até 40 mil Kwanzas, enquanto em outros dias chega-se a 15 mil. Sinceramente, o Porcelana deixou-nos decepcionados, não esperávamos isso porque o Porcelana é que levantava a província, não poderia ser assim”, lamenta.

Os outros afectados são os cerca de 130 trabalhadores dos três maiores hotéis de Ndalatando, designadamente Kamuaxi, Miradouro e Términus. O encaixe financeiro baixou em face a fraca taxa de ocupação de quartos, bem como do número reduzido de refeições, que nos últimos seis meses dificilmente atinge os 30 por cento.

No dizer do director do Miradouro, José Amador, tudo se deve a crise económica vigente. Por isso, o “abono de família” tem sido as equipas de futebol que vêm à cidade de  Ndalatando defrontar o Porcelana.

 “Quando se alberga uma equipa visitante o rendimento bruto pode atingir os um milhão e 680 mil Kwanzas, suficientes para liquidar um mês de salário”, disse, tendo acrescento que como o Porcelana FC jogava duas vezes mensalmente em casa, os ganhos da hotelaria atingiam os três milhões e 360 mil Kwanzas.

A formação do Porcelana FC do Cazengo, que este ano regressou ao Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão (Girabola Zap), ocupa a última posição da tabela de classificação  da prova.

Em 42 pontos possiveis, a equipa treinada pelo braisleiro Luís Mariano conseguiu apenas 11, fruto de três vitórias, dois empates e nove derrotas.
O último desaire dos cuanza-nortemnhos aconteceu no último domingo, em Ndalatando, diante do Recreativo do Libolo, com quem perdeu por quatro bolas a uma.


CONSEQUÊNCIAS
Prestadores de serviço
lamentam situação


As casas vendedores de materiais de construção, de limpeza, manutenção e rega do relvado do campo Fernando Diniz, comercializadora de bilhetes para jogos, entre outras, também “choram” pela desistência da equipa de futebol do Porcelana FC do Cazengo do Girabola Zap 2016.

De acordo com o vice-presidente do Porcelana FC, Adolfo Aparício Manuel, sempre que há jogos no estádio Fernando Dinis, em Ndalatando, gasta-se 300 mil Kwanzas para comprar tintas para o alinhamento, limpar as bancadas, reparar danos e outros serviços. “Sempre que houvesse jogo na cidade (Ndalatando), era uma compra de tinta aceitável para a nossa loja”, disse sob anonimato, um mauritâniano, responsável de uma loja na regi. 

Para além da ausência da diversão e ocupação dos tempos livres, a desistência do Porcelana FC do Cazengo do Girabola ZAP pode desembocar em consequências de natureza socioeconómica.

O anúncio da desistência do Porcelana do Girabola aconteceu no passado domingo, em Ndalatando, feita pela presidente da Mesa da Assembleia Geral, Joana Lina, que evocou como causa a falta de dinheiro para pagar salários, prémios de jogo, encargos administrativos, serviços diversos, alojamento e alimentação da equipa.                 
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