Jornal dos Desportos

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Girabola

Desportivo contraria previsão

Morais Canâmua, no Lubango - 09 de Novembro, 2016

Representantes da província da Huíla terminaram na décima posição com trinta e seis pontos

Fotografia: Vigas da Purificação

A décima posição alcançada pelo Clube Desportivo da Huíla (CDH) no Girabola Zap 2016, com 36 pontos, traduz o fraco desempenho que a equipa teve nas 30 jornadas da competição, considerado sofrível, só conseguiu a permanência na penúltima jornada.

Os militares da Região Sul, apelidada equipa sensação no princípio da competição, muito cedo transformou-se em equipa decepção, pelo facto de não manter o ciclo de resultados positivos com que iniciou a prova. Ao cabo das primeiras cinco jornadas, a equipa de Ivo Traça somou 18 pontos, e “atrevidamente” liderou a tabela de classificação, que deixou atónicos os amantes do futebol.

Porém, consciente dos diminutos pergaminhos, Ivo preferiu vir a terreiro  traçar uma profecia contrária, ou seja, aludiu na altura estar a “guardar o lugar dos mais fortes”.

Se foi ou não a pouca ambição que provocou  a derrocada do Desportivo da Huíla, o certo é que foi nos jogos com o Benfica de Luanda, para a nona jornada que perdeu em Luanda, por 4-0, e com o 1º de Agosto, na jornada seguinte, baqueou por 2-1. A partir daí, a equipa começou a claudicar, iniciou uma autêntica “travessia no deserto”.

Ainda assim, vale referenciar que dos jogos disputados antes da derrocada, a equipa de Ivo Traça esteve em grande no campeonato, ou seja,  começou a prova com o pé direito, venceu o Sagrada Esperança, por 1-0, foi ao encontro do Porcelana FC, em Ndalatando, onde triunfou pelo mesmo resultado. Na terceira jornada o CDH viajou até Luanda para derrotar  o Progresso do Sambizanga, por 1-0, na ronda seguinte, foi travado pelo 1º de Maio de Benguela,  consentiu um empate 2-2 que foi o desfecho da partida.

Apesar de baquear na quinta ronda em Luanda, com o Kabuscorp do Palanca, por 2-1, na jornada seguinte voltou aos triunfos e venceu em casa o Interclube, por 2-0. Na sétima ronda, a equipa de Ivo Traça, movida pelo ímpeto vitorioso voltou a Luanda para vencer o ASA, por 2-1, na ronda seguinte empatado 0-0 com o Petro de Luanda, na cidade do Lubango.

Só assim se explica, que à entrada da 9ª jornada, a equipa do CDH tivesse somado 17 pontos, ombreava os lugares cimeiros com os potenciais candidatos ao título, mal refeitos das consequências do início de época. Na verdade, os militares da Região Sul, até aí, estavam em período de graça no campeonato. Com efeito, na jornada 11, o grémio huilano empatou 0-0, em Menongue, com o 4 de Abril, porém, nem isso significou alento, porque em casa, na jornada seguinte, foi derrotado pela Académica do Lobito, um adversário directo, por 2-1. A partir daí, começou a “malapata” dos militares huilanos. Perdeu com o Progresso da Lunda Sul (1-0), com o Recreativo da Caála, em casa (3-1) e com o Recreativo do Libolo (1-0) na última jornada da primeira volta.

SEGUNDA VOLTA
Permanência esteve tremida


A campanha do Clube Desportivo da Huíla (CDH) no Girabola Zap,  continuou de mal a pior, na segunda volta do campeonato. Ou seja, no início do segundo turno, perdeu no Dundo com o Sagrada Esperança, por 3-0, e a derrota seguinte foi com o Porcelana do Cuanza Norte (1-0), logo, a crise nas “casernas” dos militares da Região Sul, era um facto.

A queda na tabela de classificação era visível. Ao invés de redimir-se  dos maus resultados, na 18ª ronda perdeu no jogo com o Progresso do Sambizanga, no Lubango, por 2-1, inspirados por algum alento nas duas jornadas seguintes, foram empatar em Benguela  frente ao 1º de Maio, e no Lubango diante do Kabuscorp do Palanca, a uma bola.

O grémio entrou então numa onda de indefinições e soluços. Só assim, se explica o facto de na jornada a seguir (21ª) perder por (1-0) com o Interclube e vencido o ASA (ambos em Luanda) por 3-1. Depois, perdeu igualmente em Luanda, com o Petro por 2-0, e na 24ª voltou a sorrir ao bater o Benfica, no Lubango, por 1-0. A derrota por 4-1, com o 1º de Agosto, veio a  ser compensada com vitória diante do 4 de Abril, logo a seguir, por 3-1.

Quando se pensou que a equipa tivesse resolvida a questão da permanência no jogo com a Académica do Lobito, no Estádio do Buraco, o Desportivo da Huíla deixou-se empatar a duas bolas a escassos minutos do fim da contenda. De forma sofrida, ainda com 30 pontos, tudo apontava que frente ao Progresso da Lunda-Sul, fosse  dar o mote,  inesperadamente baqueou, e em risco, verdadeiramente, a sua situação.

Como que ressurgido das cinzas, a equipa de Ivo Traça, inesperadamente, veio a vencer os últimos dois jogos do campeonato, diante do Recreativo da Caála, no Huambo, por 1-0, e o Recreativo do Libolo, no Lubango por 2-1, conseguiu o décimo lugar na tábua de classificação com 36 pontos, fruto de 10 vitórias, 6 empates e 14 derrotas. Marcou 29 e sofreu 39 golos.

COMPARAÇÃO
Classificações sofríveis
ao longo das épocas


Classificação idêntica a obtida na época 2016, que encerra na sexta-feira, no estádio 11 de Novembro, com a disputa da final da Taça de Angola, entre o Recreativo do Libolo e o Progresso Sambizanga, o Clube Desportivo da Huíla (CDH) teve em 2002, quando se estreou no Girabola, na altura sob comando técnico da dupla Arnaldo Chaves/Augusto Kamaty (este já falecido). O grémio militar somou 29 pontos, fruto de 8 vitórias, 5 empates e 13 derrotas.

Em 2003, na segunda presença na fina-flor do futebol nacional, primeiro com Ndunguidi Daniel e depois com João Machado no comando, o CDH não foi para além do 13º lugar, com 27 pontos, tendo sido relegado à segunda divisão. Em 2005, com Jorge Humberto Chaves, logrou o 11º posto com 31 pontos.

As melhores classificações do grémio huilano no Girabola, foram o 6º lugar nas épocas 2006 e 2013. No primeiro ano, iniciou com Jorge Humberto Chaves e terminou com Agostinho Tramagal. A equipa totalizou 36 pontos.

Já na temporada de 2013, com Mário Soares à cabeça, alcançou o 6º lugar com 42 pontos. Na referida época, o CDH foi finalista vencido da Taça de Angola e representou o país na Taça da Confederação, tendo sido afastado na segunda eliminatória pela formação tunisina do Bizertan.

Entretanto, à semelhança da temporada de 2003, em 2010 desceu de divisão, tendo regressado à primeira divisão em 2013, sob batuta do técnico Mário Soares.  Em 2014, assegurou a 11º posição com 32 pontos.

No Girabola do ano passado, já com o técnico Ivo Traça à cabeça, os militares da Região Sul ficaram na sétima posição, com 39 pontos, fruto de 10 vitórias, 9 empates e 11 derrotas, marcou 24 e sofreu 33 golos.

Contudo, apesar de não ter sido suficientemente forte, foi nos jogos em casa, no Girabola ZAP, onde o Clube Desportivo da Huíla assegurou o maior número de vitórias, seis, contra quatro extramuros. Quanto a empates teve três em casa e igual número fora, sendo que, em termos de derrotas, seis foram no seu terreno e em oito ocasiões não conseguiu evitar no terreno adversário.

Em relação aos golos marcados, de acordo os números, foi igualmente na condição de visitado que a equipa marcou mais, ou seja, 19 contra 10, sendo que, quer em casa, como fora, sofreu 20 golos.
MC