Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Desportivo trava marcha do Kabuscorp

Benigno Narciso, Lubango - 09 de Agosto, 2016

Os comandados de Ivo Traa esto h onze jornadas consecutivas sem vencer e at apareceram transfigurados com uma postura e actuao longe da registada nas jornadas anteriores

Fotografia: Santos Pedro

Para quem como o Desportivo da Huíla que precisa de pontos para sair da situação classificativa incómoda em que se encontra no Girabola Zap 2016, o empate, a uma bola, alcançado ontem no estádio do Ferroviário, no Lubango, diante do Kabuscorp do Palanca, para a 20ª jornada, soube a pouco.
Há onze jornadas consecutivas sem vencer, os comandados de Ivo Traça até apresentaram-se transfigurados com uma postura e actuação longe da registada nas jornadas anteriores.

Combatividade, crença e um futebol ofensivo com perfeição “defensiva” permitiram ao Desportivo da Huíla dominar o Kabuscorp durante largos minutos do desafio. Contudo, como não há bela sem senão, a mancha que fez abalar a estratégia montada por Ivo Traça surgiu curiosamente de um dos seus comandados.  
Depois de uma primeira parte bem conseguida, fruto da disciplina e fidelidade das duas equipas aliada a alguma qualidade do futebol praticado pelos vinte e dois atletas em campo, foi na segunda parte em que se definiu a história conclusiva do desafio. 

Na segunda parte, os militares da Região Sul mantiveram e entraram com a mesma postura. Alternaram com o adversário no quesito domínio do jogo e passam a ter maior volume de acções ofensivas. Esse ascendente o replica ao adversário fez acalentar esperanças de que o golo tarde ou cedo haveria de surgir. Ilusão. A imprevisibilidade do futebol se fez sentir e aconteceu o que os adeptos da formação local não esperavam.

Nisso, quando menos se esperava, numa altura em que o jogo se caracterizava por um domínio ligeiro dos visitados, a equipa visitante explora um contra-ataque e descaído do lado esquerdo à entrada da grande área surge um remate defensável a cerca de 60 metros que o guarda-redes Nuno do Desportivo da Huíla, tenta sem sucesso segurar mas esta escapa dentre as suas mãos e na sobra cai para o controlo do avançado Fundo, que na pequena área e pleno de oportunidade, atirou para o fundo da baliza quando decorriam 74´.

Na reacção, melhor atitude não se poderia esperar. O Desportivo que entrou ao jogo com o objectivo único de vencer parece não ter ressentido o efeito da vantagem do adversário no marcador. Manteve-se fiel à coesão defensiva e reestruturou a estratégia ofensiva. Surgiu maior agressividade e insistência.  Como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, um contra-ataque rápido pega em contra mão a defensiva adversária, nasce um cruzamento remate da esquerda para a direita, a bola cruza toda a pequena área e no último poste Bruno com um remate colocado atira para o golo da igualdade. Eram decorridos 80´.

Após o tento da igualdade qualquer uma das duas equipas poderia ampliar o marcador e definir a vitória. Contudo, foi o Desportivo da Huíla que mais fez para desfazer a igualdade, mas, a falta de pontaria e a concentração defensiva do Kabuscorp impediram que tal acontecesse e por isso a igualdade a uma bola acabou por ser o resultado final do encontro.

ARBITRAGEM
Prestação positiva
de Mauro de Oliveira


O trabalho do árbitro Mauro de Oliveira e seus assistentes com um outro erro não teve nenhuma influência no resultado do jogo que opôs o Desportivo da Huíla e a formação do Kabuscorp do Palanca, referente ao encerramento da 20ª jornada do Girabola Zap. Mauro de Oliveira proveniente da capital do país assinalou com precisão e determinação as faltas cometidas pelos protagonistas do espectáculo no decorrer dos 90 minutos do tempo regulamentar do desafio. Fruto disso, foram as três cartolinas amarelas amostradas a Maludy (CDH), a Silva e Faustino (Kabuscorp) do Palanca por jogos violentos. Por outro lado, o árbitro, demonstrou debilidades no acompanhamento às jogadas, o que se presume falta de rotina devido o período que ficou sem apitar, já que na primeira volta apenas ajuizou seis partidas.

TREINADORES
Jornalistas impedidos de fazer entrevistas


Os jornalistas dos órgãos de comunicação social pública e privada nomeadamente Televisão Pública de Angola, Rádio Cinco, ANGOP, Jornal dos Desportos, Jornal de Angola, Rádio Comercial 2000, Rádio Eclésia, Rádio Mais e TVZimbo, foram impedidos pela equipa da Zap de efectuar o seu trabalho de reportagem no fim do jogo entre as formações do Desportivo da Huila e Kabuscorp do Palanca.

Devido à situação constrangedora, os repórteres destacados ontem  no estádio do Ferroviário da Huíla na cobertura da referida partida, não lhes foi permitida colher as opiniões dos treinadores das duas equipas. A justificação é que a operadora Zap comprou os direitos de transmissão do jogo, daí nenhum técnico devia falar à imprensa acima citada, salvo a Zap. “Não podemos falar dentro do recinto do jogo porque temos contrato com a ZAP”, disse uma fonte ligada à direcção do Kabuscorp do Palanca. 

Os jornalistas dos órgãos presentes tudo fizeram junto da equipa da Zap e direcção do Clube Desportivo da Huíla no sentido de realizar o seu trabalho de informar a opinião pública, amantes do desporto os factos ocorridos bem como as declarações dos técnicos, mas os esforços ficaram gorados.

IMAGENS
Jornalistas impedidos de fazer entrevistas


A captação de imagens do jogo de ontem foi feita a “ferro e fogo” pela Televisão Pública de Angola e ZAP. Tudo começou quando um membro de marketing da ZAP insurgiu-se contra a equipa de reportagem da TVZimbo e da TPA, alegando falta de acordo pelos direitos estarem reservados a ZAP.“Não podem filmar o jogo. Os direitos cabem a ZAP e mais nada”, disse de forma arrogante um membro da área de marketing da ZAP.

No Entanto, a direcção de marketing e comunicação do Clube Desportivo da Huíla pediu as sinceras desculpas ontem aos órgãos. “Pedimos as nossas sinceras desculpas pelo sucedido no jogo. No decorrer da semana, procuraremos formalizar as nossas desculpas junto dos órgãos lesados (TPA, Edições Novembro (Jornal dos Desportos e Jornal de Angola), TVZimbo, Rádio 2000, rádio Cinco, Rádio Mais, Rádio Ecclésia e ANGOP”, disse Adriano Lopes, director da área de Comunicação e Marketing.