Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Diamante ofusca petrleo

Paulo Caculo - 03 de Setembro, 2018

Os adeptos continuaram a assistir a um desafio equilibrado com ataque e resposta.

Fotografia: PAULO MULAZA| EDIES NOVEMBRO

A história do jogo entre Petro de Luanda e Sagrada Esperança produziu um resultado que soube a muito pouco aos tricolores, mas que soube a muito  para os diamantíferos, pela forma brilhante como travaram o adversário, que ainda sonhava com a conquista do título.
Tal como já se esperava, os lundas iniciaram o jogo com grande atitude. Aliás, a equipa orientada por Roque Sapiri voltou a mostrar uma imagem de uma formação adulta, bem arrumada, sem complexos, a trocar muito bem a bola e a descobrir, com naturalidade, os caminhos de acesso à baliza de Gerson.
Fruto desta atitude, foi com naturalidade que provocaram sérios calafrios à defensiva dos “donos da casa”, na maioria das vezes pelo gigante Ben Traore que, diga-se em abono à verdade, merecia um golo ainda nos primeiros 45 minutos.
Pese a boa postura evidenciada pelo Sagrada, o Petro teve também posse de bola e procurou, sobre todas as formas, visar a baliza de JB. Mas a verdade é que revelou-se impotente nesse período, já que as jogadas de ataque protagonizados por Job, Diney, Mateus e Tiago Azulão, esbarravam sempre na grande muralha defensiva montada pelos lundas, no seu sector mais recuados.
A única grande situação de golo iminente criada pelos tricolores surgiu aos 12’, por intermédio do melhor marcador da equipa e Girabola Zap. O “suspeito de sempre”, num remate de cabeça, forçou JB a colocar em pratica a sua atenção e segurança entre os postos.
Antes do intervalo, foi bonito ver como os visitantes levaram “às cordas” o adversário- usando uma expressão do boxe - dado o enorme volume de jogadas ofensivas produzidas em zonas nevrálgicas do meio-campo tricolor.
A segunda parte trouxe um jogo muito mais emotivo, dinâmico e com a bola a rondar insistentemente as duas balizas. E a história não se alterou. Os adeptos continuaram a assistir a um desafio equilibrado com ataque e resposta.
E como a bola rondava às balizas, não admirou que, numa acção ofensiva dos tricolores, o cruzamento de Mateus encontrasse a cabeça de Tony, que precisou de “mergulhar” em grande estilo na área contrária, para tirar o primeiro nulo no resultado.
O golo não assustou o Sagrada. Muito pelo contrário. O conjunto diamantífero manteve-se consistente e batalhador, de tal forma que rapidamente chegou à igualdade, num erro de Mira, que, pressionado por Traore, fez um autêntico passe a Cachi, que não perdoou e fez o empate. Estava refeita a justiça no resultado.
Com a igualdade no marcador, as duas equipas continuaram a pressionar. Os atacantes jamais tiraram o pé do acelerador. Fruto desta atitude, continuou a assistir-se um jogo rápido, dinâmico, interessante e com ocasiões de golo para ambos os lados.
Se, por um lado, o Sagrada continuou a ser uma equipa muito bem organizada, por outro, o Petro nunca desistia em descobrir as vias de acesso à área contrária. E foi nesta toada de ora ataco eu, ora atacas tu, que o jogo caminhou para o desfecho justo.

ARBITRAGEM
Trabalho razoável

O árbitro António Dungula revelou inúmeras dificuldades, para ajuizar o desafio entre o Petro e o Sagrada. O juiz da partida teve alguns furos abaixo, sobretudo no que à avaliação técnica diz respeito. Deixou passar faltas por assinalar, com realce para uma jogada dos diamantíferos que podia dar em golo, provocando enorme sururu no banco dos lundas. Disciplinarmente também não esteve bem, porque deixou de punir os jogadores com a cartolina amarela, perante entradas à margem das regras.

MELHOR EM CAMPO
Traore incansável
Beto Bianchi  (Técnico do Petro)


A exibição patenteado ontem por Ben Traore merece todos os elogios. O avançado, que curiosamente já vestiu a camisola do Petro, fez “vida cara” ao seu antigo clube. Na defesa do tricolores não teve quem o parasse sem fazer falta. Um posso de força e pulmão, o atacante senegalês deu grande trabalho aos centrais Elio e Wilson, mas também ao lateral Mira. O atacante jogou a seu belo prazer e fez os seus colegas jogarem.


OPINIÃO
 DOS TÉCNICOS


Beto Bianchi  (Técnico do Petro)O adversário fez anti-jogo"""Tudo fizemos para vencermos o jogo. Fomos a luta e tentamos alcançar o resultado que nos interessava mas não conseguimos. Quero aqui dar os parabéns aos meus jogadores, que estiveram bem neste jogo. O adversário veio mais para fazer anti-jogo e na segunda parte jogamos apenas 20 minutos. Uma coisa é queimar tempo com trocas e posse de bola, outra é ficar caído no campo".

Roque sapiri
(Técnico do Sagrada)


\"Fizemos o que nos competia\"\" Foi um jogo muito bem disputado, em que entramos com vontade de conseguir um bom resultado nesta última jornada. Sabíamos que não seria fácil, pois o Petro estava atrás de um resultado positivo, ainda assim, demos luta e conseguimos o empate, porque não estávamos em campo para facilitar nenhuma equipa, mas fazermos o que nos competia\".