Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Divisas afastam estrangeiros

Betumeleano Fer?o - 23 de Fevereiro, 2017

Campeonato Nacional da Primeira Diviso com nmero reduzido de atletas estrangeiros

Fotografia: Jos Soares

As dificuldades de acesso às divisas, estão a criar enormes constrangimentos ao desporto angolano, com realce ao futebol, apurou o Jornal dos Desportos de fonte segura. Alguns clubes do Girabola Zap desistiram esta temporada da contratação de treinadores e jogadores estrangeiros, ou optaram por reduzir o quadro de expatriados que tinham à disposição.

Os salários pagos em Kwanzas têm de ser transformados em dólares, é aqui onde começa o grande problema porque como apurou este diário, na maioria dos casos, os técnicos e atletas contam com a ajuda das direcções, estas nem sempre conseguem proceder às transferências para o país de origem dos seus técnicos e jogadores.

Por exemplo, um treinador português cujo nome o jornal  omite, revelou ao nosso diário que declinou um convite para trabalhar em Angola. \"Eu tive um bom convite de uma boa equipa angolana, era uma proposta aliciante, mas a questão das transferências inviabilizaram a negociação\", assegurou.

O técnico em causa disse que tinha enorme vontade de trabalhar em África, mas ao analisar as peripécias por que teria de passar, achou por bem não aceitar o convite. O receio da fonte, era a atitude de espera que a sua família teria de adoptar-se até receber o dinheiro a partir do nosso país.

A questão das transferências também está a afectar a vida dos atletas expatriados, alguns preferiram outras paragens por causa da questão das divisas, e acabaram por afugentar os que pretendiam jogar no campeonato angolano, ao relatar aos colegas de profissão as dificuldades por que teriam de passar para o sustento das suas famílias.

Um atleta confidenciou ao nosso jornal, que com base nas conversas que manteve com alguns colegas, no ano passado, apenas um clube no campeonato angolanos cujos jogadores tinham acesso aos dólares, recebiam o dinheiro vivo.

O Jornal dos Desportos fez manchete na semana passada, dia 16, a dívida avultada de mais de duzentos mil dólares , em relação ao diferendo que opõe o 1º de Agosto ao basquetebolista Cedrick Isom.

O caso do ex-atleta militar é apenas a ponta do iceberg, nas hostes rubro -negra, pois o nosso diário apurou que o ano passado houve um mau -estar na equipa de futebol, porque alguns dos estrangeiros achavam que a direcção mostrava pouco empenho em ajudá-los na questão das transferências. Por causa do clima menos bom, o pretenso agitador acabou por não receber proposta de renovação de contrato.

FAF exige plano de evacuação 
A Federação Angolana de Futebol (FAF) ordenou a introdução imediata de várias medidas adicionais de segurança nos recintos desportivos, como relatório de avaliação de riscos, plano de segurança do jogo, bem como o plano de evacuação dos espectadores.

As recomendações tornadas públicas, em comunicado da Federação, surgem em consequência do inquérito mandado instaurar pelo órgão reitor do futebol angolano, ao infausto acontecimento do dia 10 do corrente, na cidade do Uíge, onde morreram 17 pessoas e 58 ficaram feridas, aquando do acesso ao Estádio 4 de Janeiro para assistir a partida inaugural do Girabola Zap 2017, entre as equipas do Santa Rita de Cássia FC e o Recreativo do Libolo. 

Segundo o comunicado de imprensa da FAF, as equipas organizadoras (visitadas) devem indicar igualmente um coordenador de segurança, que passa a ser o elo com  os órgãos da ordem (Polícia Nacional, Serviço de Protecção Civil e Bombeiros entre outros) e nomear um director de campo, responsável por todos os aspectos técnicos do recinto, e da organização do jogo.

As formações anfitriãs passam  a divulgar o número e qualidade dos lugares correspondentes aos bilhetes a serem vendidos, assim como o plano de distribuição dos espectadores. De acordo com o documento, sem a observância dessas orientações que devem ser cumpridas a partir da próxima jornada, os encontros não devem realizar-se.

O inquérito mandado instaurar concluiu, que o cordão de segurança da área exterior ao recinto da realização do desafio, não obedeceu aos parâmetros normais e não foram observadas as distâncias necessárias para garantir a segurança mínima da zona de triagem à zona de acesso ao Estádio, permitiu que os populares com e sem bilhetes estivessem próximos do portão de entrada.