Jornal dos Desportos

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Girabola

Dvidas com rbitros

Jorge Neto - 04 de Julho, 2016

Nem todos os clubes que disputam o Girabola Zap esto a cumprir com o novo projecto do Conselho Central de rbitros da Federao Angola de Futebol

Fotografia: Jos Soares

Nem todos os clubes que disputam o Girabola Zap estão a cumprir com o novo projecto do Conselho Central de Árbitros da Federação Angola de Futebol. A confirmação foi feita por Muluta Prata, em entrevista ao Jornal dos Desportos.

"É preciso dizer isso, que todos os clubes participantes no Girabola aceitaram essa responsabilidade. Agora é importante também que eles assumam a concretização dessa responsabilidade. Aquilo que nós temos estado a ver na reunião em que a federação convoca os clubes para abordar esta matéria, temos ouvido ainda que nem todos os clubes estão a cumprir na risca. Há clubes que estão em dívida", afirmou numa altura em que o Girabola Zap retoma a segunda volta no próximo sábado.

O dirigente disse que a implementação do projecto tem como experiência este ano e é um passo dado para frente, mas ainda há que se melhorar em alguns aspectos.

"Isto é um projecto que tem como experiência este ano. Durante muitos anos eram os clubes que tutelavam as equipas de arbitragem, recebiam e alojavam. Hoje mudou este quadro. É verdade que ainda ouve-se algumas vozes a dizer que isso pode não melhorar aquilo que é o desenvolvimento da arbitragem, mas na minha opinião acho que já ajuda", disse.

De acordo com Muluta Prata esta é uma iniciativa importante que ajuda a evitar alaridos quanto a suspeições do trabalho dos árbitros.

"Só o facto de ser os clubes a receberem os árbitros já não cria tanto alarido, tanta desconfiança por parte dos clubes visitantes e isso já é um bom presságio. Pensamos que quando é o clube a receber achamos que pode haver muita promiscuidade e assim pelo menos já evita", analisou.

Esclareceu ainda que o controlo das verbas depositadas pelos clubes não é feito pelo seu pelouro e pede aos clubes que sejam responsáveis no cumprimento de um regulamento que eles próprios acordaram.

"É verdade que a questão do deposito das verbas não é controlado directamente pelo Concelho Central dos Árbitros, mas sim por outro órgão da federação. Temos sentido que existem alguns clubes que não têm estado a cumprir de forma regular com esta sua responsabilidade, que foi um compromisso assumido por eles no início da época", rematou.

RECONHECIMENTO
“No jogo 1º de Agosto-Petro
houve erro de enquadramento


A direcção do Petro de Luanda reclamou da arbitragem do jogo contra o 1º de Agosto, queixando-se da sua equipa ter sido prejudicada no golo dos militares. Muluta Prata reconheceu o erro na jogada que ditou o golo dos agostinos, considerando que houve um erro de enquadramento do árbitro assistente.

Apesar disso, o Presidente do CCAFAF assegurou que não houve a intenção de prejudicar os pretrolíferos, por se tratar de uma jogada muita rápida.
 
"No jogo entre o 1º de Agosto e o Petro de Luanda houve um erro de enquadramento do árbitro assistente, em relação ao penúltimo jogador do Petro, que consideramos um erro de percurso, mas que não teve a intenção de prejudicar os petrolíferos. Foi uma jogada muito rápida.”, analisou.

De acordo com o dirigente os erros no futebol sempre vão existir, mas não se pode admitir que sejam com a intenção de prejudicar algum clube.
“Costumo dizer que no futebol só não existiriam erros se a arbitragem fosse computarizada e não é isso que se pretende.

Penso que os experts da FIFA ainda não estão interessados em ter uma arbitragem computarizada, em que não podíamos ter falhas. E se calhar o futebol é feito mesmo disso, tal como falham os jogadores e os treinadores, os árbitros também estão suspetíveis de falhar", disse acrescentando "o que não podemos admitir são as falhas visíveis com intenção de prejudicar este ou aquele clube, acho que devemos ser duros e sancionar os árbitros que assim procederem”, esclareceu.     

FALHAS GRAVES
Muluta Prata defende
reclamações dos clubes
    

Muluta Prata, presidente do conselho Central de Árbitros da Federação Angolana de Futebol (CCAFAF), considera ser importante as reclamações dos clubes quando estes sentirem qualquer irregularidade na actuação dos juízes.
O "homem forte" da arbitragem disse que os clubes devem manifestar-se através de cartas ou envio de imagem para o órgão que dirige, para deste modo, terem um retorno daquilo que é o trabalho desenvolvido pelos seus filiados.

 "É importante esta iniciativa dos clubes, de facto os clubes quando sentem qualquer irregularidade eles escrevem pra nós (federação), isto é bom, porque pelo menos vão nos dando algum “feedback” para nós podermos também melhorar o comportamento dos árbitros, porque nem tudo nós podemos considerar um mar de rosas", reconheceu.
O dirigente federativo garantiu que é importante receberem este sinal para serem analisadas nas reuniões realizadas nas quartas-feiras com os árbitros.

"É preciso que nós recebemos estes imputs da parte dos clubes, quer por via de cartas, imagens dos jogos para nós melhorarmos. Nós todas as quartas-feiras reunimos com os árbitros à nível de Luanda, temos de reconhecer que o grosso dos árbitros está na capital do país, e transmitimos o teor da reunião para as outras províncias, casos do
Huambo, Benguela e Huíla, onde também temos árbitros e árbitros assistentes na Primeira Divisão, bem como Cabinda e Moxico", defendeu.

Muluta Prata admitiu que as reclamações feitas pelo 1º de Agosto foram bem fundamentadas e os árbitros foram chamados a ter mais atenção para sancionarem as faltas que lesam a integridade física dos jogadores.

"No caso concreto da reclamação do 1º de Agosto nós de facto chamamos a atenção dos árbitros. Hoje, a FIFA apela muito para a não-violência no futebol e isso também está intrinsecamente ligado ao comportamento dos jogadores em campo. Por isso é que nós falamos em jogo perigoso e o comportamento anti-desportivo deve ser advertido com uma cartolina amarela. O jogo violento deve ser sancionado com o cartão vermelho", afirmou.

O numero "um" da arbitragem nacional reconheceu inclusive que a FIFA já determinou nas leis de jogo os níveis das faltas, em que existem aquelas por negligências e "faltas invisíveis, faltas que visam abortar um ataque prometedor, faltas que visam quartar jogadas de proeminência de golo.

Tudo isso são faltas que devem ser sancionadas, em função da gravidade dela os árbitros devem sancionar, seja com o cartão amarelo ou o vermelho", apontou.   

DIFICULDADES
“Os juízes ainda falham no fora-de-jogo e penáltis”


O fora-de-jogo e as grandes penalidades são os dois aspectos principais que estão na base dos erros dos árbitros e dos árbitros assistentes, de acordo com Muluta Prata, uma situação em que têm procurado trabalhar mais com os seus filiados. 

" Os erros da arbitragem não só em Angola como no resto do mundo, a natureza das falhas limitam-se se em dois aspectos fundamentais: nas grandes penalidades e nos fora-de-jogo", disse.

Nós temos estado a fazer um trabalho muito sério com relação aos nossos árbitros, nestes dois domínios. É preferível que não assinalar uma grande penalidade duvidosa do que assinalar um penálti duvidoso. É preferível não sancionar um fora-de-jogo duvidoso do que sancionar um fora-de-jogo duvidoso", disse o presidente do CCAFAF", acrescentou.
Muluta Prata explicou que existem alguns erros que são identificados apenas através das imagens, citando como exemplo, o clássico dos clássicos do futebol nacional. "Os erros que foram identificados dos nossos árbitros, quer em relação aos penáltis e aos fora-de-jogo, grande parte deles só foram identificados depois de nós visualizarmos as imagens", explicou.

Para elucidar  melhor o dirigente adiantou que "dou como exemplo, o jogo entre o 1º de Agosto e o Petro de Luanda, no golo dos agostinos. Só conseguimos identificar, todos nós, por via das imagens da televisão, porque por parte das pessoas que estavam em campo, ninguém identificou aquele fora-de-jogo".
Rejuvenescer a arbitragem nacional também é um dos objectivos perseguidos pelo pelouro de Muluta Prata, que aposta nos jovens juízes para a continuidade que se pretende exitosa, em todos os aspectos. 

"Nós estamos sempre a dizer que estamos a rejuvenescer a nossa arbitragem, conseguimos reduzir a nossa média dos árbitros, era mais ou menos cerca de 37 anos, e reduzimos para uma média de 28/30 anos. O outro aspecto que nós conseguimos, é adoptarmos os nossos árbitros com um bom nível académico",  frisou.

O presidente do Conselho Central de Árbitros defende que é importante que os árbitros sejam técnicos superiores para uma melhor compreensão das situações que acontecem, uma estatística que tem vindo a crescer consideravelmente no arbitragem nacional.

"Neste momento, dos nossos 23 árbitros que estão na Primeira Divisão podemos dizer, sem medo de errar, que 70 por cento dos juízes são técnicos superiores. No quadro dos nossos assistentes, o número é maior são cerca de 44 podemos dizer que 50 por cento são técnicos superiores. Poderão perguntar se isso é importante, eu digo que é, porque a capacidade intelectual também ajuda de facto a interiorizar determinados mecanismos", concluiu.                  
JN