Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Eficcia militar

12 de Junho, 2016

Com golo madrugador de Isaac, aos 3 minutos, os militares derrotaram os petrolferos por 1-0

Fotografia: Jos Soares

O golo madrugador apontado por Isaac aos 3’, do 1º de Agosto catalisou as  apetências dos comandados de Dragan Jovic que, tendo já entrado de rompante, continuou no controlo das principais operações num jogo envolto à partida de muita expectativa.

A partir daí, os militares dominaram o meio campo e privilegiavam o jogo ofensivo no lado direito, onde Mira que foi chamado a colmatar a ausência do lesionado Miguel, teve imensas dificuldades para travar os “endiabrados” Geraldo e Isaac que davam consistência as rápidas transições do caudal ofensivo dos visitados.

Resignados, os tricolores, com gritante falta de sincronia e atitude defendiam-se na medida do possível, procurando estancar os intentos militares a partir da entrada do seu meio campo. Mesmo com clara intenção de sair em contra-ataque, jogando no erro do 1º de Agosto, os petrolíferos construíam mal as jogadas porque, notava-se, a olho nú, que faltava um homem com “coragem” para assumir o comando e liderança das jogadas ofensivas.

Com entrada de Job aos 21’, na sequencia da infortunada lesão de Diógenes, parecia ter ressurgida a chama na sonda petrolífera. Por duas ou três vezes a equipa de Beto Bianchi levou o perigo à baliza  de Dominique. Ainda assim a excessiva timidez e pouca atitude com que faziam, fez com que o 1º Agosto voltasse a assumir o comando do desafio.

A justificar isso foi a entrada perigosa de Ary Papel, aos 30’, pelo lado esquerdo, endossou a bola para Gelson que se deixou antecipar pelo guarda-redes petrolífero. Nervosos, os rapazes do Catetão, não conseguiram se encontrar procurando remar contra a maré até ao final da primeira parte.

Quando se pensava que o Petro de Luanda se iria continuar a resignar diante da avalanche dos militares, aconteceu o contrário. Sabendo bem da estratégia militar e talvez adivinhado mesmo o seu comportamento táctico, os petrolíferos entraram mais afoitos dispostos a mudarem o rumo dos acontecimentos.

A má fase de Gelson e Ary papel juntando a improdutividade de Geraldo, na linha da frente fez com que a nível do meio-campo, os rapazes de Beto Bianchi  conseguiram supremacia nesta zona nevrálgica melhorando o seu jogo ofensivo. Nesta fase, Mateus era uma seta apontada para a baliza de Dominique.

Com dribles estonteantes conseguiu levantar o ânimo dos adeptos do Petro de Luanda porém, mal aproveitados pelos seus colegas. As mais flagrantes, foram aos 62’, quando o mesmo Mateus cruzou e Job, em frente à baliza cabeceou ao lado; e aos 68’, com Carlinhos a rematar à figura de Dominique.

Esporadicamente, a equipa de Dragan Jovic ia demonstrando que estava viva e presente, levando sempre perigo à baliza de Gerson mas, a pouca produtividade de Ibukun, Geraldo e Bua, nesta altura bem policiados por Chara, Herenilson e  Carlinhos travando uma autêntica “batalha campal”.

Apesar do caudal ofensivo evidenciado na segunda parte pelo Petro, a sorte acabou por acompanhar o 1º de Agosto que foi mais audaz e calculista, levando merecidamente os três pontos em disputa que lhe conferem mais folga na liderança do campeonato.


OPINIÃO DOS TÉCNICOS


Filipe Zanza
(1º de Agosto)

“Ganhámos bem”
“Foi um bom jogo em que as duas equipas praticaram um bom futebol. Ganhamos bem mas o Petro de Luanda acabou por dignificar o espectáculo com a sua juventude que se bateu muito bem. O segundo tempo foi de facto mais equilibrado que nos terá obrigado a controlar o jogo, resultado dai uma vitória merecida da nossa equipa”.

Beto Bianchi
(PETRO DE LUANDA)

“Derrota injusta”
“Foi um bom jogo onde perdemos injustamente. Foi uma derrota injusta. O Petro de Luanda, depois do golo sofrido esteve melhor em campo. O 1º de Agosto aproveitou bem a oportunidade criada e marcou. Vamos continuar a trabalhar para que tenhamos melhores resultados nos próximos jogos”.


ARBITRAGEM
Osvaldo acertou


Osvaldo Felix, o árbitro da partida apresentou-se bem no ponto de vista físico e disciplinar. Em termos técnicos, o filho mais velho do ex-árbitro Jacinto Felix pecou em demasia no julgamento de algumas jogadas durante quase todo jogo usando mal o chamado poder discricionário. Em algumas, foi induzido em erro pelo seu próprio irmão, o primeiro assistente José Felix. No golo madrugador de Isaac a jogada é precedido de fora-de-jogo que Osvaldo fez vista grossa. Noutras situações da dinâmica de jogo, o árbitro acabou por estar a altura do jogo mantendo um trabalho com altos e baixos.


MELHOR EM CAMPO
Grande Isaac


Marcou o único golo da partida e fez uma “jogatana” com soe dizer-se. Falamos de Isaac. O lateral direito do 1º de Agosto demonstrou que está na sua melhor forma. Principalmente na primeira parte, jogou e fez jogar a sua equipa subindo e provocando imensas dores de cabeça à defensiva contrária. Na segunda parte, com missões mais defensiva, apesar de ter estado bem a atacar, esteve com mais tarefas defensivas, a julgar pelo caudal ofensivo evidenciado pelo ataque do Petro de Luanda.