Jornal dos Desportos

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Girabola

Ekrem Asma quer protido

Jlio Gaiano, no Lobito - 05 de Setembro, 2015

Asma destaca assimilao dos estudantes

Fotografia: Jornal dos Desportos

O técnico da Académica do Lobito, Ekrem Asma, disse em entrevista ao Jornal dos Desportos, que vai aproveitar a pausa no campeonato nacional para rever alguns aspectos, reflectir em torno da prestação da equipa e perspectivar os próximos seis jogos.

 Sublinhou, que a recuperação dos atletas lesionados, enquadra-se nas prioridades. O treinador turco -alemão defendeu a pretensão de ter todo o plantel em prontidão para parte final da época.

Confessou estar a viver um momento ímpar e assegurou que os seus jogadores estão a encaixar-se no seu estilo de jogo, falta muito pouco para atingir a excelência.

“É uma questão de tempo. Com um pouco mais de paciência e concentração, vamos chegar lá”, ressaltou o técnico da formação lobitanga que acredita, piamente, na manutenção da equipa no escalão máximo do futebol nacional.

“Estamos a recuperar e produzir aquilo que gostaria que fizesse ao longo da competição, aliás, os meus jogadores são capazes de produzir muito mais,  têm qualidade e potencial para tal”, avaliou. Referiu que o plantel acredita mais nas suas potencialidades. 

“Eles aperceberam-se através de trabalhos psicológicos aturados, que podem fazer mais e melhor. Tem sido bom para eles, uma vez que já abordam os jogos com outra atitude. Respeitam todos os adversários, mas não se acobardam como sucedeu na primeira volta. Não foi fácil chegar a esse ponto, mas conseguimos”, explicou.

O técnico Asma frisou que o Girabola2015, é dos mais mediatizado no continente, facto que exige de todos os seus actores, Federação, clubes e
massa associativa, maior envolvimento no sentido de valorizar ainda mais a prova.

Para o timoneiro dos estudantes do Lobito “o Girabola é uma marca que pode vender muito bem no mercado interno e externo”. Contudo, defende que se acabe com cenas que coloquem em causa o prestígio que já granjeou.

“As pessoas estão atentas ao evoluir do nosso futebol. Não é por acaso, que as grandes operadoras televisivas se interessam pelos jogos do Girabola. O mundo futebolístico consome o nosso produto. Podem crer, há muita audiência lá fora, sobretudo, no mundo lusófono que busca a realidade do futebol angolano”, comentou.

GIRABOLA
“Temos de valorizar  esta marca”


Com insistência, o professor dos estudantes da cidade do Flamingo, alertou que é preciso rentabilizar o prestígio que o Girabola já granjeou a nível do continente e tirar dele maior rendimento, mas é preciso mudar muita coisa.

“Só isto não basta, é preciso rentabilizar a marca, que passa por banir as más práticas, que infelizmente ainda observamos no nosso futebol”, aconselhou.
O técnico da Académica do Lobito sugeriu, que pela dinâmica que atingiu a prova, até os quatros primeiros classificados estão em condições matemáticas para conquistar o ceptro, o mesmo cenário acontece na luta pela despromoção.

“Embora o Recreativo do Libolo esteja na “pole position” para revalidar o título, mais três formações podem atingir o topo da classificação, não obstante uma depender do desempenho da outra. Estes indicadores provam de que temos um campeonato muito equilibrado”, assinalou.

Reforçou a sua avaliação e recordou que até o último classificado, no caso do Domant FC, em termos matemáticos está em condições de livrar-se da despromoção do campeonato. 

“É uma competição em que todos entraram com o objectivo de fazer o melhor de si, a julgar pelo potencial financeiro que cada tem para aguentar-se na referida competição. Por isso, o despique vai até ao fim”, precisou.

“Arbitragem deve pautar pela imparcialidade”

O comportamento na actuação de alguns árbitros no presente Girabola mereceu abordagem com o técnico Ekrem Asma, que lamentou o facto de existirem alguns mal-intencionados, facto que, no seu entender, deviam ser exemplarmente castigados de forma a salvaguardar a verdade desportiva.

"Nos últimos tempos, temos assistido alguma falta de responsabilidade de certos árbitros. É preciso pôr-se fim a esse tipo actuação que em nada beneficia o nosso campeonato que, é assistido em muitos países de África e outros continentes", lembrou.

"As pessoas têm de se valer pelo que são e pelo que fazem e não errarem da forma como erram. Há que parar e pensar para onde queremos ir a contar com esse tipo de actuação (deveras desprezível) para a imagem dos nossos árbitros", comentou.

Sublinhou que na maior parte das derrotas que a sua equipa sofreu no presente Girabola foram provocadas pelas falhas dos árbitros. "Não tem sido fácil segurar a situação. Se reclamas és sancionado e prejudicas o clube e os interesses da sua massa associativa que espera de nós resultados e não desculpas", esclareceu.

"Diante deste cenário, vimo-nos na necessidade de calar e ver a onda passar. Espero que a FAF continue a envidar os esforços no sentido de se acabar com tais práticas e devolver ao futebol o espírito de confiança entre os seus actores”, elucidou.


PAUSA NO GIRABOLA
Treinador considera
reajuste de calendário


Ao contrário da paralisação dos 40 dias que se registou no campeonato, Ekrem Asma, minimizou os 12  dias de interregno que a prova observa. Comentou que a mesma faz parte do calendário reajustado da FAF, devido ao compromisso dos Palancas Negras.

“É um assunto que apesar de tudo, temos de nos adaptar. É uma paralisação que pode beneficiar uns e prejudicar outros, sobretudo, aqueles que se encontram na fase da recuperação da sua forma desportiva, como é o nosso caso”, lamentou. Reconheceu, que apesar de ser uma situação que em nada beneficia o conjunto que dirige, não tem alternativa. “É um facto, porém não temos como evitá-lo, porque resulta de um reajuste entre clubes e a FAF, tudo em benefício do país”, referiu.

E como há males que vêem por bem, o treinador voltou a reiterar que a paragem vai servir para recuperar a forma desportiva de alguns atletas que nos últimos jogos não foram utilizados com a regularidade necessária, por razões de saúde.

“Temos neste momento seis jogadores, que precisam de ser recuperados para integrarem o plantel. São os casos de Wilson Alegre, Nelito, Higino, Zuzi, Jacek Magdzinsk e Joka Palana. Este último, saiu tocado no desafio com o Sporting de Cabinda (1-1), no estádio do Tafe”, explicou.

REABERTURA DO MERCADO
"Reforços deram outra
qualidade ao plantel"


O técnico Ekrem Asma considerou oportuna e necessária a inscrição dos quatro jogadores que reforçaram o plantel do clube na reabertura da transferência. Enalteceu a entrega e o sentido de responsabilidade demonstrada pela direcção do grémio que acabou por satisfazer a pretensão da equipa técnica.

"São bons jogadores. Todos eles têm as suas qualidades e trouxeram ao plantel uma mais valia para aquilo que pretendíamos para atacar a segunda volta do campeonato. Felizmente, temos sido bem sucedidos e os resultados falam por si", qualificou.

Considerou a safra dos lobitangas de satisfatória com a contratação dos reforços. "Em nove jogos, vencemos dois, empatamos quatro e perdemos três. Se a prova terminasse hoje, a equipa não baixaria de divisão. É obra para quem faz da fraqueza as forças para se livrar da despromoção”, assentou.

Para a segunda volta do Girabola, o Departamento para o Futebol da Académica do Lobito assegurou a inscrição de Wilson Alegre
(guarda-redes), João Vala (defesa), o cabo-verdiano Jorge Kadú (médio-ofensivo) e Joka Palana (avançado).

Por razões administrativa, a direcção da Académica liderada pelo empresário Luís Borges não pôde inscrever o jovem atacante Belito, atleta que actua pelo Desportivo da Huíla.