Jornal dos Desportos

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Girabola

Elementos do Maquis agridem jornalista

Gaudncio Hamelay-Lubango - 06 de Julho, 2018

Profissional do Jornal de Angola na Hula agredido pelos jogadores do grmio do Moxico aps a derrota (1-0) diante do Desportivo

Fotografia: SANTOS PEDROL | Edies Novembro

O jogo de futebol entre o Clube Desportivo da Huíla (CDH) e o FC Bravos do Maquis, com vitória dos militares da Região Sul, por 1-0, pontuável para a 21ª jornada do Girabola Zap, ficou marcado pela agressão física ao jornalista Arão Martins, do Jornal de Angola, colocado na direcção da Huíla.
O triste cenário vivido quarta-feira pelo jornalista Arão Martins, que fez parte da equipa de reportagem que cobriu o jogo, aconteceu após o duelo disputado no estádio do Ferroviário da Huíla, quando a equipa técnica e os jogadores da formação visitante, insurgiram-se contra o trio de arbitragem constituído por Feliciano Lucas (principal), Horácio Tchissingui e Alexandre Bengue (assistentes).
Visivelmente abalado, o jornalista confirmou à imprensa, que depois de fazer a cobertura do jogo entre o Desportivo da Huíla e o FC Bravos do Maquis, no final da partida, os membros da equipa técnica e os jogadores do conjunto visitante insurgiram-se contra o trio de arbitragem.
Acrescentou que, numa contestação forte, depois da presença de um cordão policial, Zeca Amaral, técnico do Maquis, dirige-se ao repórter do Jornal de Angola, pedindo para não fazer fotografias.
“De repente, surgiram muitos jogadores do Maquis a exigirem que eu apagasse as fotografias que tinha feito no momento da contestação. Parecia um filme de terror. Depois de fortes soquetes, lembro-me de imagem viva a presença do guarda-redes Mig. Ao tentar me libertar dos braços dos agressivos jogadores, um deles deu-me uma chapada na cara, mordi-me na língua e sangrei na presença de várias pessoas, inclusive, mostrei ao técnico Zeca Amaral, que me disse para eu verificar se a máquina havia sido  danificada. No momento da confusão, o camisola número 20 (Careca), torceu-me o braço e tiraram a máquina por esticão”, contou.
Adiantou que o jogador Careca (nº 20) depois de ter puxado a máquina, levo-a para o balneário, obrigando a intervenção da Polícia Nacional em serviço no estádio do Ferroviário da Huíla.
A máquina fotográfica, referiu, foi devolvida posteriormente, mas sem o cartão de memória de 32 GB e a tampa da objectiva.
“O guarda-redes Mig, durante o jogo, quando eu estava do outro lado da baliza, estava a reclamar contra os apanha-bola. Eu aconselhei os miúdos a continuarem a fazer o trabalho deles e ele (Mig) prometeu-me fazer mal no final do jogo, o que aconteceu”, frisou.
Apesar de a máquina custar mais de 500 mil kwanzas, Arão Martins realçou que o cartão de memória tem mais valor, porque é que armazena as fotografias, tendo revelado que a mesma tinha mais de duas mil fotos.
“Podemos ter uma máquina cara, mas sem o cartão de memória, perde logo o seu valor. Por isso, agradecia que me devolvessem o cartão de memória. Não cometi nenhum crime. Ao longo dos meus 15 anos de profissão, tenho pautado pela ética e deontologia profissional. É triste o que aconteceu”, lamentou.


ZECA AMARAL
“Pedimos desculpas ao repórter”

O técnico do FC Bravos do Maquis, Zeca Amaral, considerou reprovável o facto de alguns dos seus jogadores, terem retirado a câmara fotográfica do jornalista Arão Martins, do Jornal de Angola, no final do jogo diante da formação do Clube Desportivo da Huíla, em que perderam por uma bola sem resposta. Em entrevista à Emissora Provincial da Huíla, Zeca Amaral disse que, quando terminou o jogo, foram conversar com o árbitro da partida, porque houve necessidade de reclamar, pois consideram que o mesmo (juiz) não agiu na hora certa ao admoestar o guarda-redes Kissi, do CDH, com o cartão amarelo.
“No nosso entendimento, o cartão amarelo exibido ao guarda-redes do Clube Desportivo da Huíla, Kissi, foi tardio”, disse.
Justificou que o anti-jogo começou muito cedo e o árbitro quando fez a mostragem do cartão amarelo, já estava praticamente no tempo de compensação.
Segundo o técnico, houve também um lance em que os seus jogadores reclamam com o árbitro, como sendo um penálti não assinalado.
“Só foi isso. Infelizmente, durante esta conversa, há a exaltação, por isso podem perguntar ao árbitro, a exaltação do fiscal de linha que estava na bancada principal é que teve comportamento incorrecto com todos nós. Depois é aquilo que sabem, a Polícia fez a escolta da equipa de arbitragem. Nós estávamos a nos dirigir para o nosso balneário. Surgiram elementos, uns identificados e outros não, com algum público também e pronto!. Não acaba por ser nada mais do que isso”, disse.
Zeca Amaral admitiu ter sido uma atitude reprovável e que conversou com o grupo de trabalho sobre o sucedido.
“Foi reprovável o facto de terem pegado na câmara fotográfica do jornalista e não sei se efectivamente foi isso. Os jogadores entenderam, às vezes julgamentos são imparciais e foram falar com ele (jornalista) se tinha tirado a imagem do presumível penálti a nosso favor. No entanto, foi isso. Aproveitando, queremos pedir desculpas ao respectivo repórter. Já conversamos com o nosso grupo e é isso que temos a dizer relativamente ao que sucedeu. Não foi mais nada do que isso. É a exaltação no final do jogo, devido a uma situação que nós entendemos ser menos correcta. Não há nenhum tipo de agressão como querem fazer passar. Da mesma forma que há imagem, nós também temos imagens. Inclusive, já estamos a trabalhar nas imagens para averiguar o que efectivamente aconteceu. Por isso, fica aqui do mais relevante são as nossas desculpas pelo que sucedeu”, salientou.GH

\"CASO\" AGRESSÃO
Arão Martins pede intervenção da FAF

O jornalista Arão Martins, do Jornal de Angola, agredido quarta-feira última, pelos jogadores do FC Bravos do Maquis, no estádio Ferroviário, após a derrota (1-0) dos maquisardes, diante do Desportivo da Huíla, em jogo referente à 21ª jornada do Girabola Zap 2018, solicita a intervenção do Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF), devido aos danos psicológicos, físicos e materiais causados por alguns integrantes da equipa do Moxico.
Contactado ontem pelo Jornal dos Desportos, Arão Martins disse que, depois da confusão gerada, foi ouvido pelo efectivo da Polícia destacado no estádio Ferroviário da Huíla, tendo sido encaminhado ao piquete do Comando Municipal da Polícia Nacional do Lubango, onde prestou depoimentos e foi aberto um processo-crime por agressão física, por ter-lhe sido violado o direito de personalidade.
“O Serviço de Investigação Criminal (SIC) solicitou uma peritagem médica ao Departamento de Medicina Legal da Huíla, no âmbito do direito penal”, citou.
Disse que, em função do sangramento e das fortes dores que sentia no maxilar direito e no joelho, foi-lhe prestado os primeiros socorros no Hospital Central do Lubango e posteriormente no Hospital Militar da Região Sul.GH