Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Embate de colossos

Betumeleano Ferrão - 24 de Setembro, 2016

Petro de Luanda -Kabuscorp do Palanca é o jogo de maior cartaz marcado para esta tarde no Estádio 11 de Novembro

Fotografia: José Cola

A questão do título pode ganhar esta tarde/noite um contorno diferente, com jogos aliciantes a envolver três equipas, das que têm mais chances de terminar em primeiro lugar.

O trio da frente  está posta à prova, e todos têm embates de alto risco. Cada um dos três tem de puxar dos galões para sair da jornada, com a esperança renovada, não importa quanta luta ofereça o  adversário, porque o que interessa é vencer.

O 1º de Agosto aparenta ter a vida mais facilitada, porque defronta o Desportivo da Huíla, o seu filiado, às 15h00 no Ferrovia. Se a moda pegar, os rubro -negros podem ser 'presenteados', já que aos poucos começa a ser costume ver a formação do Lubango murchar, nos embates com os agostinos.

Os militares da Região Sul estão numa situação periclitante, e o espectro da despromoção é real. Agora, resta esperar pela luta pelos pontos, para aumentar as chances de permanência, ou dá-se primazia à causa alheia, como aconteceu nos últimos anos.

A equipa de Dragan Jovic vê os perseguidores a  aproximarem-se de maneira perigosa, uma vitória em casa alheia aumenta as possibilidades de consagração. A ausência dos influentes Gelson e Ibukun, de modo algum diminui o apetite do líder do campeonato de ganhar, até porque a ligação sanguínea com o adversário não significa postura passiva em campo.

O jogo entre as duas equipas fardadas, tinha tudo para ser competitivo, se não fossem as condicionantes que todos conhecem. É ponto assente, que há revolta no Desportivo, mas o técnico Ivo Traça e o grosso dos jogadores  oriundos do 1º de Agosto, sabem que esta tarde estão 'impedidos' de pensar com a própria cabeça. As possibilidades dos anfitriões somarem três pontos são quase nulas, por causa dos condicionalismos originados por defrontar o clube  'mãe', mas é possível que na pior das hipóteses a equipa caseira consiga sair do Ferrovia com um empate, o único resultado que não belisca a campanha dos agostinos rumo ao título nacional.

O campeão Libolo não tem a mesma sorte do 1º de Agosto, por isso, vai  suar nas Mangueiras, também com início às 15h00, para derrotar o Progresso da Lunda Sul. O campeão está intermitente, embora, se mantenha na corrida e é nesta réstia de esperança, que os donos de casa vão  se apegar, para atrasar a corrida ao detentor do título.

Os comandados de Kito Ribeiro têm a vantagem de entrar em campo a saberem de antemão, o tipo de postura do seu oponente. É consensual, que João Paulo Costa e pupilos vão as Mangueiras para ditar as regras do jogo, mas a obrigação de vencer deixa o campeão sem escolha. Permitir que os donos de casa agarrem o jogo, pode resultar em mais um desperdício de pontos, na fase mais decisiva do campeonato.

A deslocação da formação de Calulo a Saurimo vai exigir espírito de sacrifício. O campeão precisa de marcar mais um golo que o seu oponente, para sair de lá, com sorriso nos lábios.

É esta a estratégia que os libolenses devem esforçar-se para tornar realidade e acalentar as esperanças de revalidação.

O Petro de Luanda entra em cena pressionado, por jogar com os resultados do 1º de Agosto e do Libolo. O apito final serve de juiz aos tricolores,  o Kabuscorp é um adversário indesejável, mas também não deixa de ser verdade, que nem Beto Bianchi nem o plantel gostavam de entrar em campo com a obrigação de imitar militares e libolenses.

A chama fraca, na primeira volta, fez os petrolíferos perderem a cotação no campeonato dos candidatos, mas esta noite, às 18h00, no 11 de Novembro, a equipa entra para o dérbi com ligeiro favoritismo, até porque estão competitivos e recomendam-se, por isso, entraram de novo nas contas do título.
O Kabuscorp aproveitou o triunfo sobre o ASA para voltar a falar da ambição de ser campeão. A matemática ainda dá esperanças aos palanquinos, mas tinha de acontecer um milagre para ultrapassar todos os que estão à sua frente.

O dérbi promete ser renhido no 11 de Novembro. Os visitantes são capazes de jogar à imagem do seu treinador, e o rigor táctico deve ser a divisa principal dos comandados de Romeu Filemon. A postura que adoptarem vai ser um bom teste, a atitude de espera do Petro de Luanda que também gosta de jogar em transição, porém, com a particularidade de ser mais espontâneo na hora de largar as amarras tácticas.

A partida entre tricolores e palanquinos é de alto risco, para os dois contendores, mas era bom que a equipa de arbitragem estivesse à altura do dérbi.
Se a verdade desportiva prevalecer, com árbitros imparciais, o Estádio vai fervilhar no relvado e nas bancadas, porque quer o Petro como o Kabuscorp têm jogadores e adeptos, para levarem ao rubro o 11 de Novembro.