Jornal dos Desportos

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Girabola

Encurtar o fosso

Paulo Caculo - 03 de Agosto, 2017

Petrolferos venceram para estar em segundo e agora aguardam pelo Libolo

Fotografia: Vigas da Purificao | Edies Novembro

A história do jogo entre o Petro e o Progresso da Lunda Sul resume-se ao golo de Tony, rubricado aos 23 minutos, ao penálti não assinalado à favor dos donos da casa, aos 61' e a períodos intensos de discussão pela posse de bola e criação de oportunidades de golo.

Apesar de ter entrado para o jogo de rompante, assumindo a maior posse de bola e dispondo das maiores ocasiões para marcar, nem por isso o Petro foi suficientemente avassalador. Tudo porque o Progresso não deixou e foi capaz de ostentar uma "pronta-resposta" às investidas do adversário, fechando muito bem as linhas e sacudindo a enorme pressão a que esteve sujeito durante quase todo o desafio.

A precisar de pontos como de pão para a boca na luta pela permanência no campeonato, já se esperava que os" lundas" fossem dar o corpo ao manifesto. Aliás, a equipa às ordens de Hilário da Silva nem por isso deixou transparecer em campo a imagem de um grupo a viver sérios problemas no balneário, agravado com a falta de salários e prémios de jogos.

O futebol intenso e a grande dinâmica imprimida as jogadas foram provas inequívocas do grande profissionalismo espelhado em campo pelos jogadores do Progresso da Lunda Sul. Se, por um lado, no Petro era pela qualidade do futebol de Diney, Manguxi e Tiago Azulão que o caudal ofensivo ganhava força para correr junto à baliza contrária, por outro, no Progresso os grandes "carregadores de piano" da orquestra ofensiva eram Chileshi, Gerard e Herve Ndonga.

Mas foi numa altura em que procurava equilibrar a tendência de jogo que os "lundas" viriam a sofrer o golo, na sequência de uma jogada de belo efeito dos donos da casa, com Mira a cruzar muito bem, antes de Tiago Azulão amortecer de cabeça, para Tony dar a "machadada" certeira.

A segunda parte trouxe duas equipas muito mais ofensivas, com os tricolores a mostrarem-se muito mais ansiosos para chegarem ao golo, porém desperdiçando de forma clamorosa as muitas ocasiões de golo. Tiago Azulão ainda viu o poste a negar-lhe o golo. Antes disso, o conjunto de Beto Bianchi reclamou, com razão, um penálti de falta do guarda-redes do Progresso sobre Nandinho.

Mas quem pensava que o futebol dos tricolores fosse encontrar facilidades, acabou completamente enganado, pois a equipa de Saurimo jamais virou cara à luta, dado que os seus jogadores lutaram o quanto basta, discutiram pela posse da bola e, em alguns períodos, ganharam espaços para jogar em zonas nevrálgicas do meio campo do Petro.

A vencer por 1-0, os tricolores continuaram a conservar a maior posse de bola e a criação de maior volume de jogadas ofensivas junto à baliza dos "lundas". Dada a enorme pressão a que passou a estar submetido nesse período, decorridos 78', não admirou que o Progresso fosse abanar na sua estrutura defensiva, embora jamais deixou-se cair.

A verdade é que o Petro acaba por ser o justo vencedor pelo único golo rubricado, enquanto da equipa do Progresso se deve enaltecer a postura aguerrida dos seus jogadores, que jamais deixaram de lutar e evitaram que sofressem mais golos num jogo em que estiveram em desvantagem também em número de ocasiões de jogadas de golo iminente criadas.

Tony resolve!
O brasileiro Tony foi, quanto a nós, a grande figura do jogo entre tricolores e lundas de Saurimo, ao rubricar o único golo que garantiu o triunfo dos donos da casa, num jogo que podia ter outro desfecho.

ARBITRAGEM
Um penalti por assinalar

A nota negativa da equipa de arbitragem aconteceu aos 61', pois ficou por marcar um penálti a favor do Petro, por derrube do guarda-redes Die Mavó ao avançado Nandinho. Tirando neste dado, a  actuação de Bernardo Nangolo e seus auxiliares pode ser considerada como tendo sido razoável, na medida em que não houve motivos para alaridos. Tecnicamente, o juiz da partida foi capaz de seguir as jogadas em cima do lance, cumprindo e fazendo cumprir as regras de jogo e punindo com cartões às entradas efectuadas à margem das leis de jogo.

DECLARAÇÔES
Beto Bianchi  (Petro)

“Resultado positivo”

Hilário (Progresso LS)
“Empate seria justo”

“Não tivemos sorte, o golo do Petro partiu de um erro nosso. As duas equipas bateram-se bem e jogamos contra uma super equipa e vocês viram que o resultado podia ser um empate. É difícil estar a decifrar aqui certas situações que passamos, mesmo com as dificuldades que estamos a passar os meus jogadores são guerreiros e não perdíamos há alguns jogos e são situações que estamos a passar, mas a prova da nossa luta está no que fizemos hoje aqui no estádio 11 de Novembro"