Jornal dos Desportos

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Girabola

Equipa do 1º de Maio com registo negativo

Betumeleano Ferrão - 27 de Outubro, 2016

Proletários tiveram um novo desaire na maior prova futebolística nacional

Fotografia: Nuno Flash

O 1º de Maio de Benguela, campeão nacional em 1983 e 1985, e o Sagrada Esperança, vencedor da edição 2005, continuam a ser os únicos clubes que desceram de divisão, depois de erguer o ceptro do Girabola. Os proletários são recordistas pois registam seis despromoções, com esta já incluída, enquanto os diamantíferos por uma vez foram relegados para a segundona.

A equipa mais popular da terra das acácias rubras ganhou desde a mudança de século, grande apetência em descer e subir de divisão, em curto espaço de tempo. Desde o começo do novo milénio, os proletários foram despromovidos em cinco ocasiões, 2001, 2009, 2011, 2014 e agora 2016.

O 1º de Maio começou a disputar o Girabola em 1981, e a partir de 1997 iniciou a travessia de altos e baixos. O rejuvenescimento do plantel deu a oportunidades a jovens promessas como Jamba e Yamba Asha, este último ainda no activo, ganhar o seu espaço no futebol angolano.

A aposta proletária mereceu elogios no princípio, mas a saída maciça de jogadores experientes com a maioria a rumar para Luanda, acabou por ser desastrosa no final, quando a equipa desceu de divisão.

Os proletários tiveram de fazer uma longa espera até 2001, para tornar a disputar o Girabola, as pesadas derrotas contra adversários modestos como o FC de Cabinda, 4-0, e Académica do Lobito, 3-0,  disparou o alarme de despromoção.

A humilhante goleada de 7-0,  infligida pelo Petro de Luanda, serviu para provar que o 1º de Maio perdeu a glória do passado. Em 26 jornadas, a equipa somou 21 pontos, e foi a lanterna vermelha.

Quase num abrir e fechar de olhos, os proletários voltaram ao Girabola em 2003, mesmo com resultados modestos, excepção feita ao 5º. lugar, em 2005.  Conseguiram em quatro anos consecutivos manterem-se na primeira divisão, mas em 2009, voltaram a cair de divisão.

O que aconteceu a seguir, faz parte das páginas mais negras da equipa da Rua Domingos do Ó. O gigante 'com pé de barro' nunca mais foi capaz de  aguentar-se por temporadas consecutivas no Girabola. Em 2011, regressou ao campeonato, desceu de imediato e voltou a subir em 2013, para ser despromovido em 2014. No ano seguinte regressou, para ser relegado pela 6ª. vez, da sua história.

Ao contrário dos proletários, os diamantíferos apagaram em definitivo a baixa cotação de 2008. A equipa da Lunda Norte conseguiu o inédito título em 2005, depois pagou o preço da fama.  Perdeu o técnico Mário Calado, vários jogadores influentes e teve de ficar duas épocas, na segunda divisão.

O Sagrada Esperança voltou a disputar o Girabola em 2010, nunca mais desceu, é verdade,  com excepção do 5º. lugar, em 2013, fez épocas muito apagadas e oscila de rendimento. Hoje, está envolvido no campeonato da despromoção, e em vários ocasiões esteve na iminência de descer, mas safou-se sempre “in extremis”.


AFROTAÇAS
Proletários têm
marca histórica


As melhores páginas das equipas angolanas, nas competições africanas, começaram a ser escritas pelo 1º de Maio de Benguela. Depois do sucesso imediato em Angola, chegou ao Girabola em 1981, e no ano seguinte venceu a primeira edição da Taça de Angola. Os proletários acabaram com a tradição da FAF indicar o representante angolano para a Taça dos Vencedores das Taças, competição que foi extinta.

O baptismo nas Afrotaças começou e terminou nos 16 avos de final. O apertado 3-2 na primeira mão, deu poucas esperanças para o decisivo jogo em casa do Cheminots do Congo. A derrota fora de portas, por 2-0, eliminou os proletários em 1983.

Um ano depois, fizeram a  estreia na Taça dos Clubes Campeões, sob o comando de João Machado, em substituição de Peter Kzernevic, técnico que deu o primeiro título aos benguelenses. O 1º de Maio perdeu na primeira mão, por 2-0, com o Atlético de Malabo,  em casa, contornou a preliminar com  uma goleada de 6-1.

O adversário seguinte dava poucas hipóteses  ao 1º de Maio, que conseguir passar dos 16 avos de final,  nem mesmo o empate a uma bola em casa alheia, fez os cépticos mudarem de ideais, afinal, o Ashante Kotoko de Kumasi, do Ghana, era o campeão africano.
No jogo da segunda mão, o continente ficou incrédulo com o triunfo de 2-1 dos proletários,  os ecos do êxito proletário levaram o programa Desportivo da RNA a repetir no dia seguinte, os lances com a narração dos golos de apuramento.

A eliminação na eliminatória seguinte, com o Semassi Sekodé, do Togo, foi difícil de digerir. Igualados em termos de resultado, vitória de 2-0, para cada um dos contendores, o desempate na lotaria dos penáltes acabou por penalizar o representante angolano, 4-3, foi o saldo final.

A década de 90, foi o período de graça do futebol angolano, nas Afrotaças. Em 1993, o ASA caiu na Cidadela, nas meias-finais diante do Simba da Tanzânia, mas em 1994, o 1º de Maio e o futebol angolano viveram um dos momentos mais felizes, ao mesmo tempo dramáticos e inesquecíveis.

Os proletários chegaram à final da Taça CAF, a disputar todas as eliminatórias no seu campo, mas na véspera da primeira mão com o Bendel Insurance da Nigéria, a lei do mais forte impediu que o primeiro embaixador angolano, de marcar presença na decisão de um troféu africano, jogasse em casa.

Depois de muitas acusações e troca de acusações, os proletários foram forçados a vir a Luanda jogar, e vencer na Cidadela, por 1-0. Na segunda mão, aconteceu o impensável. A cidade e o Estádio em que o representante angolano jogou não oferecia as tais condições que Benguela não tinha.

A pesada derrota de 3-0, no tempo regulamentar, de certeza que ainda não foi digerida por quem testemunhou a campanha e até hoje, permanece a convicção de que se a equipa jogasse em casa, o troféu africano ficava em Angola.    
BF