Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

"Estamos a jogar ao ritmo de campeão"

Paulo Caculo - 12 de Outubro, 2016

Líder máximo da estrutura do Petro rasga elogios à equipa de futebol

Fotografia: José Soares

A direcção do Petro de Luanda assiste com particular interesse, e enorme expectativa, as incidências do desfecho do Campeonato Nacional. Em entrevista exclusiva ao nosso jornal, Tomás Faria, líder da estrutura  tricolor, antevê uma ponta final imprevisível.

O dirigente destaca a regularidade evidenciada pela formação do Catetão, nesta segunda volta, como aspecto positivo que pode ser determinante para definir o campeão.

De acordo com o líder máximo do conjunto petrolífero, a ponta final do campeonato está muito competitiva, sobretudo nessa altura, em que restam quatro jornadas e existem três equipas bem posicionadas para conquistarem o título. 

“Poderemos, eventualmente, chegar à última jornada neste cenário, onde não se tem nada ainda definido. A diferença é que este ano são três equipas na luta pelo primeiro lugar, e no ano passado foram duas”, recordou. “Acredito que isso demonstra muito bem o nível de competitividade, e tendo em conta que no ano passado houve duas equipas, este ano surgiu o Petro, é bastante salutar”, disse Tomás Faria.

O responsável máximo da direcção dos tricolores admitiu que houve um enorme crescimento do Petro e os números falam por si. Sublinha que o nível de desempenho patenteado pela equipa às ordens de Beto Bianchi permite colocar o conjunto num nível satisfatório, à altura de discutir o lugar com o 1º de Agosto e o Libolo.

“O ano passado, na totalidade das 30 jornadas, terminamos com 38 pontos, e nesta altura com 26 jogos temos 54 pontos, facto que deve ser visto como obra! Ainda no ano passado, nessa altura, tínhamos cerca de 31 pontos, e hoje estamos com mais 23 pontos. Portanto, se fizermos um estudo profundo, veremos que o Petro cresceu muito em relação ao ano passado”, solicita.

“Este nosso ritmo de jogar pode estar escrito, porque estamos a jogar num ritmo de campeão. Não se consegue pontuar muito na segunda volta, mas está a ser para nós a fase em que estamos a pontuar muito mais. Terminámos a primeira volta com 27 pontos, em 15 jogos, os mesmos que temos agora, em 11 partidas”, acrescentou o presidente do Petro. 

Tomás Faria assegura que independentemente do desfecho do Girabola Zap, a direcção sente-se satisfeita por ter sido capaz de cumprir com a promessa feita aos sócios, por altura da última assembleia.

“Estamos entre os três primeiros, e não saímos desta posição. Falta definir se seremos terceiro, segundo ou primeiro do campeonato.  Sempre dissemos que tinhamos de procurar em cada jogo, conquistar os três pontos, e hoje  faltam quatro jogos, podemos afirmar que faltam quatro finais”.

DESAFIO
“1º de Agosto sem ajuda de árbitros perde”


Tomás Faria abordou de forma peremptória, a história dos confrontos, com o rival 1º de Agosto. Refere-se ao adversário da última jornada, e ao despique para conquista do título, como uma equipa normal. Sublinhou que os militares  não oferecem grandes preocupações ao seu conjunto, acusa-os de terem beneficiado da ajuda do árbitro, para ganhar o último dérbi.  

“Acho que  o 1º de Agosto é sempre a equipa mais fácil de defrontar. Se não estiver acompanhados da arbitragem, leva ‘porrada’ com Petro à vontade”, afirmou, sem evasivas, o presidente dos tricolores, antes de justificar que esta época o golo que ditou a derrota foi precedido de fora de jogo.

“Modéstia à parte, na primeira volta, o jogo que fizemos para a 15ª jornada, sofremos o golo aos três minutos, e isso, teve uma carga emocional muito forte nos jogadores, porque tivemos de lutar contra uma situação complicada, já que o golo foi muito mal sofrido, numa situação de fora-de-jogo”, acusou.

“O 1º de Agosto não tem equipa para jogar com o Petro, apesar de reconhecer que tem bons talentos e bons executantes, mas não tem equipa forte para jogar com o Petro”, acrescentou.

Tomás Faria foi mais longe na sua abordagem, salientou que não considera o 1º de Agosto um líder justo. “Não considero um líder justo.  Não fosse estes seis pontos ganhos de forma irregular, teria nessa altura, no mínimo, 51 pontos. Mesmo que fizermos todas as contas, não passaria dos 51 pontos. Se for jogar com o Petro onze contra onze, sem influência de árbitros, estou para ver a equipa do 1º de Agosto que vai vencer o Petro”, desafiou.

Reiterou que os rubro - negros “só nos vencem se colocarem a mão invisível, mas onze contra onze, não vejo equipa que consiga travar o Petro nessa altura”, disse.

CONQUISTA DO TÌTULO
Direcção mantém esperança


Confiança é o que não falta aos discursos de Tomás Faria. O líder dos tricolores afirma estar crente de que o Petro vença os últimos quatro jogos, tal como fez até agora, desde a 21ª jornada do campeonato nacional. “Nessa altura faltam quatro jogos, e ainda temos muita energia que dê para fazermos mais oito jogos. Estou confiante na nossa equipa e creio que temos condições de ganhar estes quatro jogos à vontade”, revelou.

“É verdade que cada jogo é um jogo, mas são quatro partidas que gostaríamos de ganhar. Estamos a vir de onze jogos sem derrota, e destes ganhamos oito e empatamos três.  No total são seis vitórias consecutivas”, regozijou-se Tomás Faria.

O presidente do Petro admite se não fosse a “derrota injusta” sofrida com o 1º de Agosto, na 15ª jornada, a equipa tinha um percurso de 15 jogos sem sofrer qualquer derrota.

O dirigente atribui o êxito ao grupo de trabalho, mas destaca a grande contratação conseguida com o técnico Beto Bianchi. “Devemos enaltecer o facto de fazermos uma grande contratação, que foi o nosso técnico principal.

A dada altura fomos criticados, porque estávamos a demorar muito tempo a contratar o treinador e alguns diziam que parecia que estávamos a contratar um presidente do Conselho de Administração de uma empresa.

Quando o técnico chegou, também sofremos criticas, porque era considerado um ilustre fraco, que não tinha ganho nada e não sabia de nada”, relembrou.

PONTA FINA
“Verdade desportiva está manchada”


Tomás Faria já não confia na verdade desportiva. O responsável do Petro de Luanda garantiu que dadas as anteriores incidências verificadas no campeonato, não se pode falar de justiça e imparcialidade no campeonato nacional.

“Tenho a certeza de que  a verdade desportiva está a ser adulterada. E, posso dar um exemplo: se no nosso jogo com o D'Agosto, aquele golo em situação de fora de jogo fosse anulado, hoje tirados os dois pontos ao 1º de Agosto e atribuindo um à nossa equipa, estaríamos empatados com 55 pontos e aí, é que seriam elas!”, disse, reiterando que gostava que as próximas jornadas fossem decididos em campo, sem influência da arbitragem.

O dirigente considera que na pontuação actual dos três primeiros colocados, a verdade desportiva está ferida, mas assegura que o Petro continua a lutar, com sacrifício, esforço e desempenho, para que consiga sorrir no final.

“Acredito que no final, a nossa alegria será maior, porque não vamos sorrir com um golo marcado com a mão, e não temos pontos conquistados na 'batota'. Se calhar, no final das contas, Deus vai escrever certo por linhas tortas”, admitiu.