Jornal dos Desportos

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Girabola

Estudantes e polcias repartem pontos

Jlio Gaiano -Lobito - 12 de Junho, 2016

As equipas da Acadmica do Lobito e do Interclube de Angola empataram ontem no estdio do Buraco a zero bola numa partida bastante equilibrada

Fotografia: Jornal dos Desportos

A Académica do Lobito e do Interclube de Angola empataram, ontem, no estádio do Buraco, a zero, numa partida marcada pelo festival de falhanços por parte dos estudantes que desde o minuto 34 actuaram com uma unidade a mais em campo. Pirolito do Interclube foi expulso por acumulação de cartolina amarela.

O jogo em si pautou-se pelo equilíbrio, a fazer jus à matriz do futebol patenteado pelas duas formações que, diga-se de passagem, empataram por merecer. Ou seja, não aproveitaram as inúmeras oportunidades criadas ao longo da partida, facto que acabou por penalizar mais os anfitriões que não souberam tirar proveito do factor casa.

O Interclube revelou-se hábil. Soube jogar com o tempo e procurou na medida do possível distrair o adversário com jogadas baixas, como as famosas queimas-de-tempo, simulando lesões. Houve momentos do jogo, em que jogadores do Interclube pareciam desinteressados pela contenda. Já não corriam e optavam aos chutões, tirando a beleza do futebol que, até, começou bem.

Por isso e por aquilo que foi o jogo, o empate acabou por castigar a ineficácia dos estudantes, também por "culpa" de Nelson, guarda-redes do Interclube que defendeu todas as investidas do adversário. Numa única frase, salvou os polícias do Buraco. A actuação da equipa de arbitragem liderada por Tânia Duarte e assistida por Luísa Luhako e Adália Jeremias realizou um bom trabalho. Mostrou segurança no juizamento dos lances susceptíveis de falta. Inclusive esteve bem na expulsão de Pirolito que se revelou mal-educado. Em face da sua atitude, deixou o rectângulo do jogo sob os apupos do público.


DIFICULDADE

Jornalista impedido
de aceder ao estádio


A cobertura de jogos no estádio do Buraco continua a constituir-se num autêntico problema para os repórteres de imprensa escrita. Ontem foi isto mesmo que se viu. Um jornalista ao serviço da Agência Angola Press viu a sua actividade inviabilizada por alegada ordem superior ligada a organização do jogo do Girabola Zap.

Tudo começou quando o jornalista Roberto Jubino, devidamente identificado, viu-lhe impedido o acesso ao estádio para a cobertura de partida que envolveu a formação da Académica e do Interclube. Num tom ameaçador, um dos agentes de segurança destacado no local acabou por escorraçar o jovem repórter da Angop, por alegada falta de autorização expressa da direcção da Académica do Lobito.

"Quem és tu? Aqui não entras, eu não te conheço, nunca te ouvi na Rádio Cinco e nem na televisão a tua cara não aparece. Angop é quê? Pensas que sou burro! Tu não me enganas! Deixa-me trabalhar, antes que me aqueças a cabeça. Diz ser da Angop. Sei lá o que é isto da Angop? Quem da direcção do clube te conhece (?)", barafustava o agente, exibindo-se num tom de valentia.

A situação provocou o espanto de muita gente que presenciou a cena que tomava contornos vergonhoso para os membros da classe que se viam impotentes na solução do problema. Alguns membros da direcção chamados a intervir no assunto mantiveram-se quietinhos, sentadinhos (no seu cantinho) como se de nada tivesse acontecido.

Foi uma autêntica humilhação e tristeza passar-se por momentos como aquele. Aliás, cenas como aquele que se viveu, ontem, tornou-se comum aos homens ligados a imprensa escrita na província de Benguela. Ou seja, não são tidos como tais, inclusive, barrados em eventos de importância jornalística.