Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

FAF de mos atadas com possveis desistncias

18 de Julho, 2019

Pr-poca abriu expectante com equipas indefinidas quanto ao futuro

Fotografia: Jornal dos Desportos

A FAF é capaz de ficar de mãos atadas, caso se confirme a desistência de um dos clubes que alegam dificuldades financeiras para disputar o Girabola ZAP 2019/2020, revelou ontem, ao Jornal dos Desportos, uma fonte da FAF.
O JD soube que os regulamentos da Federação são omissos para situações como estas, que surgem depois da realização do sorteio, pelo que caberia "à direcção da FAF tomar uma decisão que seria repescar uma equipa, ou então, deixar que o campeonato seja disputado sem o(s) desistente(s)\", precisou.
Segundo apurámos, até ontem, o órgão reitor do futebol nacional desconhecia a informação de que existem algumas equipas que estão na iminência de desistir. A nossa fonte revelou que a reacção oficial da FAF será feita, apenas, quando o clube que quiser desistir cumprir todas as formalidades.
"Até ao momento, não recebemos nenhuma notificação de ninguém, não temos nada escrito que diga algo em contrário. Ao que sabemos, o campeonato vai ter 16 equipas e para nós é tudo oficioso, por isso, não temos muito que comentar sobre isso, porque nada ainda é oficial", argumentou.
A omissão,  nos regulamentos da Federação, deixa em aberto dois cenários possíveis, um Girabola com 16 equipas ou amputado. Todavia, a nossa fonte esclareceu que a FAF vai tentar um consenso, pois, a situação é nova na história da competição.
"Infelizmente, o regulamento em nenhuma parte se debruça sobre essa questão, remete tudo para a direcção da FAF, então, se o pior acontecer, a Federação vai ser obrigada a agir", garantiu.
Sem citar nomes, a nossa fonte prometeu que na hora e local certo, vai dar a opinião final. "Eu darei a minha opinião como técnico", até lá, vai continuar a acreditar que nada de anormal vai acontecer, pois, poderia causar uma situação sem precedentes.
"Nesse momento já foi feito o sorteio, então, faltando pouco mais de um mês para o início do campeonato, o que e como se faria, para encontrar uma equipa capaz de substituir a que desistiu? As equipas para participarem numa competição como o Girabola,  têm de se preparar, e será que conseguiriam fazer isso, num curto espaço de menos de um mês? ", questionou.
O nosso Jornal dos Desportos apurou,  que na eventualidade de aparecer equipas dispostas a preencher a vaga dos desistentes, levantaria uma outra questão, o substituto seria um dos que desceu de divisão ou quem disputou a segundona?
A nossa fonte afirmou que "a equipa que se classificou, imediatamente, depois da que desistiu", estaria apta para disputar o campeonato, como prevê o regulamento. 
Em ocasiões anteriores, as desistências ocorreram no decurso da competição, a última vez foi em 2018 com o Benfica de Luanda, pelo que a fonte do JD teme que o pior cenário force o campeonato a começar e terminar a 16 de Agosto, sem a totalidade das equipas previstas.
 "Se isso acontecer, seria mais fácil resolver, porque a única coisa que iria mudar é o número de equipas a descer de divisão. O que acontece quando há uma desistência no decurso da competição, a prova continua com as restantes, mas diminuí o número das que descem, por causa de quem já desistiu. O número de equipas que sobem de divisão é outra coisa que permanece igual, isto é, subiriam sempre três", enfatizou.

REGULAMENTOS
Faltar ao campeonato penaliza apenas o clube


O clube que desistir do Girabola é punido com dois anos de suspensão, de todas as provas oficiais da FAF, como prevêem os regulamentos. O JD sabe, que a pena aplica-se em exclusivo às formações, e não aos dirigentes, pois, não \'podem\' ser privados de modo algum de exercer as suas funções num outro emblema.
A Federação prefere aguardar, a ter de pronunciar-se sobre uma possível desistência dessa ou daquela equipa do campeonato, mas se tal acontecer vai fazer cumprir o que está escrito.
"Os nossos regulamentos são claros e tudo está acautelado. As nossas leis estabelecem que quando um clube se qualifica para qualquer prova oficial como Girabola, Taça de Angola e até o Zonal de Apuramento (Segundona), é punido com dois anos de suspensão, se desistir depois de efectuado o sorteio", advertiu.
Ao longo das últimas edições, a FAF nunca se viu na obrigação de punir  nessas circunstâncias, pelo que a nossa fonte afirmou que os clubes infractores têm de estar conscientes das consequências que podem sofrer, se desistirem do campeonato depois do sorteio realizado.
"O nosso regulamento é antigo, anda aí há muito tempo, e não há necessidade de inventar nada. A suspensão recaí de maneira automática para o clube, nunca para o dirigente", afirmou.
Se a Federação punir também os responsáveis, estaria a cometer uma injustiça irreparável, a nossa fonte argumentou que as leis no desporto são claras, "os crimes não são transmissíveis".
O entendimento da FAF é que "os clubes gozam de personalidade jurídica, portanto, os actos praticados pelos seus dirigentes são feitos em nome do próprio clube, então,  pune-se o dirigente com base em quê? A punição tem de recair sobre o próprio clube, é o que está previsto no regulamento", esclareceu.
O futebol angolano está a ser assolado, nas últimas épocas, com constantes ameaças de desistência, antes e depois do início do campeonato. Uns poucos prometem e cumprem, motivo por que há pessoas bem-intencionadas que pedem mão pesada,  para desencorajar acções futuras.
A FAF diz entender os que ficam com motivos de queixa, mas discorda quanto ao tipo de punição a aplicar. "Para punir tem de haver uma base. Se o país tem leis e estas são bem claras, até mesmo quando se trata do nosso futebol, não podemos sofrer da doença de falta de conhecimento. Temos de aplicar o que está escrito, sem punir de maneira injusta, embora, uns depois acusem a Federação disso e daquilo", rematou.