Jornal dos Desportos

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Girabola

FAF investiga inscrio do Santa Rita

Betumeleano Ferro - 17 de Novembro, 2018

Fotografia: Jos Soares |Edies Novembro

O Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF), abriu um inquérito para apurar se houve ou não irregularidades na inscrição do Santa Rita de Cássia FC, para a temporada 2018/2019, revelou ao Jornal dos Desportos uma fonte federativa.
A federação recebeu uma denúncia da Associação Provincial de Futebol do Uíge (APFU), motivo por que decidiu investigar para averiguar, se as supostas irregularidades levantadas pela APF ocorreram mesmo, confirme consta no documento enviado à FAF, apurou o nosso diário.
O inquérito vai ser determinante para ajudar a perceber \"se alguém facilitou\" o processo de inscrição dos católicos. A fonte preferiu não avançar prazos nem medidas disciplinares, mas assegurou que o Santa Rita pode ser sancionado.
\"Vamos averiguar primeiro, só depois é que vamos estar em condições de falar em penalizações, temos uma comunicação feita pela APF, agora queremos perceber o que de facto aconteceu, se ficar confirmado que houve irregularidades, alguém, até pode ser o próprio clube, vai ser penalizado\", prometeu.
A suposta medida disciplinar contra o Santa Rita já está a ser alvo de várias especulações, fontes oficiosas levam a hipótese de os católicos serem afastados do campeonato, mas a fonte contactada pelo Jornal dos Desportos preferiu aguardar pelo fim do inquérito, a ter de avançar com castigos.
\"Não sei se isso é capaz de dar exclusão da equipa do Girabola Zap, primeiro vamos tentar ver se a inscrição deles está legal ou não, só depois vamos estar em condições de falar em penalizações\", argumentou.
O presidente da APF do Uíge, Agostinho Neves, confirmou ao nosso jornal ter sido o autor da denúncia contra o Santa Rita, mas pediu compreensão por optar por se resguardar, \"enquanto estiver a decorrer o inquérito\", em que ainda não foi ouvido.
\"Até agora ninguém ainda me disse nada, eu enviei uma carta protesto, mas a FAF ainda não respondeu\", afirmou.
A decisão de alertar a FAF, surgiu porque Agostinho Neves diz ter concluído que os católicos não deram todos os passos necessários para fazer a sua inscrição, sem queimar etapas.
\"O processo deles estava incompleto, havia irregularidades que nós detectamos, por isso, devolvemos a documentação para o clube, porque as coisas não estavam conforme deveriam estar\", justificou.
Quando a APF recebeu o expediente e notou que faltavam coisas essenciais, como por exemplo, documentação médica, fez questão de enumerar todas as irregularidades que encontrou e pediu que a direcção do Santa Rita fizesse a sua parte, afirmou Agostinho Neves.
A intenção do presidente da APF era que os católicos aproveitassem o alerta dado e reunissem todos os documentos que faltavam e remetessem outra vez todo o seu expediente administrado para ser analisado pela associação, mas nada disso aconteceu até agora.
O Santa Rita recebeu o expediente mas, além de não efectuar nenhum tipo de correcção, remeteu todo o seu processo de inscrição à FAF.
\"Foi este o motivo que nos motivou a fazer uma carta protesto à federação, nós pedimos que eles corrigissem as regularidades que detectámos, mas nunca mais vimos a documentação deles, ficamos surpresos ao saber, via comunicação social, que eles já estavam inscritos, foi com base nisso que escrevi à FAF, mas até agora não nos responderam\", garantiu.
O presidente Agostinho Neves assegurou ao Jornal dos Desportos, que ele não tem nada contra o Santa Rita, mas sentiu necessidade de alertar a federação, para ajudar os católicos a perceber que têm de se submeter aos regulamentos.
\"Cada um tem a sua forma de apreciar o que está a acontecer, não estou contra o clube, queremos apenas organização e que nos respeitem\", afirmou.


FONTE FEDERATIVA
Católicos com “bênção”da APF Uíge

O Santa Rita de Cássia FC está legal no campeonato, porque \"há o próprio carimbo\" da Associação Provincial de Futebol do Uíge, em todas as suas fichas de inscrição. Esta garantia foi dada ontem ao Jornal dos Desportos, por uma fonte que acompanhou todo o processo de inscrição dos católicos.
Segundo nos informou, todo o expediente administrativo está correcto, amenos que a própria APF do Uíge consiga explicar como o Santa Rita arranjou fabricar um carimbo parecido ao da Associação.
\"A coisa parece ser mais grave do que se quer fazer crer, se a documentação entrou toda completa na FAF, até com os documentos médicos, que se diz estar em falta, e têm o carimbo oficial da APF, então, aqui já há uma questão de falsificação de documentos\", argumentou.
O Jornal dos Desportos soube que o que está a acontecer é a continuação de um mal-estar entre os presidentes da APF e do Santa Rita, a relação entre ambos é azeda há algum tempo.
\"Infelizmente, há um problema de fórum pessoal que agora está também a envolver outras pessoas, alguém está a querer levar para o lado profissional um problema pessoal\", acusou a fonte.Embora prefira aguardar pelaposição oficial da FAF, a fonte que vimos citando, revelou que a APF ainda não engoliu a decisão do governo provincial, que determinou que deve ser o Santa Rita o único responsável pelo estádio 4 de Janeiro.
\"É esse na verdade o único problema, quer a APF, quer o clube, achavam que tinham o direito de ficar com a tutela do estádio, como o governo concluiu que é o Santa Rita que deve ser o gestor, a Associação se sentiu lesada\", esclareceu.
Até prova em contrário, o Santa Rita está apto para continuar no campeonato, qualquer sanção disciplinar só pode ser tomada se ficar provado que as supostas irregularidades, aconteceram mesmo, garantiu a fonte.
\"A questão agora é saber quem cometeu um acto irregular, como já disse antes, há o carimbo da APF na documentação do clube, o que já é um sinal de que tudo está legal\", tranquilizou.
O Conselho Técnico da FAF é o único órgão da FAF responsável por passar um pente fino aos expedientes administrativos dos competidores do Girabola Zap, assim então, a fonte concluiu que o presidente da APF do Uíge deveria ter coragem de apontar o dedo ao Conselho Técnico, por aceitar inscrever um clube que cometeu irregularidades.