Jornal dos Desportos

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Girabola

Faltou mas graa e garra

Paulo Caculo - 28 de Dezembro, 2019

Campeo angolano volta a empatar em casa e complica as ambies na competio

Fotografia: AGOSTINHO NARCISO | edies novembro

Tal como já se esperava, pertenceu ao conjunto angolano a iniciativa de jogo. Aliás, os militares, pressionados pela necessidade imperiosa de vencer sob o risco de ver complicado as suas aspirações na prova, apostaram por uma entrada de rompante, mas as investidas atacantes esbarraram na bem montada muralha defensiva dos forasteiros. A verdade é que o TP Mazembe cedo deixou transparecer a imagem de uma equipa adulta, bem arrumada e sem complexos. Trocava muito bem a bola e a descobrir com naturalidade os caminhos de acesso à baliza de Neblu. Fruto desta atitude, acabou sendo também com grande naturalidade que a formação da RDC inaugurou o marcador, de forma madrugadora, aos 8’, por intermédio de Kalaba, após um cruzamento milimétrico de Issama, tirado da direita do ataque do TP Mazembe. O golo dos congoleses viria a compensar o claro ascendente em termos de volume ofensivo e disposição de oportunidades de golo criadas, nesse período, pois era a formação mais rematadora e a que mais fazia por merecer. Mas a resposta do 1.º de Agosto não se fez esperar, de tal forma que numa jogada de insistência, os militares viriam a ser compensados com o golo do empate, rubricado por Mabululu, aos 11 minutos, a emendar um cabeceamento de Massunguna. A igualdade no resultado veio devolver o equilíbrio, pois a partir daí ambas as equipas passaram a repartir a posse de bola, a disposição de ocasiões para marcar. Dada a boa postura atacante evidenciada, o jogo teve cenário de desfecho imprevisível, com a bola a rondar ambas as balizas.  Ou seja, quer os angolanos, tanto quanto os congoleses jamais baixaram os braços e foram à luta, porém mostraram-se poucos esclarecedores na execução de jogadas em zonas nevrálgicas do ataque. Aos 35’, Mabululu ainda viu o travessão a negar-lhe o segundo golo. A segunda parte foi muito mais intensa e de nervos, com as duas equipas a disputarem intensamente a posse da bola e a disposição de ocasiões de golo. Preocupado com o resultado, insuficiente para os objectivos, Dragan Jovic mexeu no onze, tendo as entradas de Nelson da Luz e Mongo ajudado a acrescentar muito de novo ao futebol dos militares.
Os últimos 20 minutos foram de claro nervosismo, tendo o 1.º de Agosto persistido no ataque, obrigando a defesa do TP Mazembe a experimentar largos períodos de calafrios. Umas vezes por Nelson da Luz, outras tantas por Mabululu e ainda Kila, o conjunto angolano procurava chegar ao golo da vitória. Os congoleses continuaram consistentes e batalhadores, de tal forma que foram capazes de suster a enorme pressão a que estiveram sujeitos nos minutos derradeiros. A dada altura, parecia que estavam satisfeito com a igualdade, em virtude da forma como procurava recuar as linhas e conservar o resultado. Os últimos minutos foram dramáticos e de jogo muito mais emotivo, dinâmico e com a bola a rondar insistentemente ambas as balizas. E a história do jogo não se alterou, os congoleses festejaram o empate, perante uma equipa angolana que se viu incapaz de dar a volta ao texto.  A igualdade não agrada ao 1.º de Agosto que volta a somar mais um empate nesta disputa da Liga dos campeões africanos, ainda assim melhor que uma derrota.

OPINIÃO DOS TÉCNICOS
DRAGAN JOVIC 
1.º DE AGOSTO

“O empate
torna tudo mais
complicado”


“Penso que jogamos bem, contra uma grande equipa. O TP Mazembe chegou ao golo, quando não tinha criado nenhuma oportunidade, mas empatámos e criamos oportunidades no primeiro e segundo tempo. Quando cria-se oportunidades e não se marca é complicado. Parabéns aos nossos jogadores, que tudo fez neste jogo. O empate torna tudo mais difícil, mas ainda temos jogos a fazer, e podemos vencer na RDC”.

MAHAYO KAZEMBE  TP MAZEMBE
“Jogo difícil”

“Foi um jogo difícil, diante de uma boa equipa. O 1.º de Agosto criou-nos muitas dificuldades. Marcámos primeiro, mas cometemos depois um erro que foi fatal. Acreditámos que temos todas as chances de poder corrigir a nossa postura no próximo jogo, em nossa, casa, em Lumbunbashi, onde temos de ganhar”.