Jornal dos Desportos

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Girabola

Faria d murro na mesa

Paulo Caculo - 17 de Junho, 2016

Presidente de direco do Petro fala em desrespeito de alguns rbitros aos jogadores e treinadores

Fotografia: Domingos Cadncia

O presidente de direcção do Petro Atlético de Luanda, Tomás Faria, acusou ontem a arbitragem do Girabola Zap 2016 de ter influenciado nas derrotas consentidas pela sua equipa, sobretudo na última jornada do campeonato, diante do 1º de Agosto.

Falando em conferência de imprensa de balanço da primeira volta do campeonato nacional, o responsável máximo da estrutura directiva dos tricolores fez questão de admitir que, se não fossem os erros cometidos pelo trio de arbitragem, estariam hoje muito melhor posicionado na tabela de classificação.

"Penso que estamos numa fase do campeonato em que a questão da arbitragem mexeu muito connosco. E o nosso futebol, infelizmente, foi o que sofreu mais com isso e, inclusive, o último resultado do nosso jogo, acabou sendo uma cópia do jogo feito com o Desportivo da Huíla", lamentou o dirigente.

Tomás Faria assegurou, que as incidências do desafio com o 1º de Agosto não o surpreendeu e muito menos criou qualquer espanto, muito menos o comportamento da equipa de arbitragem constituiu para os tricolores uma novidade.

Garantiu mesmo não ter ficado assustado com tudo que considera de anormal no jogo.

"Estamos bastante indignados com o comportamento da arbitragem, sobretudo nesta fase do campeonato.

Não queremos justificar os nossos resultados com isso, porque não é má a nossa prestação, mas está claro que alguma coisa tem de ser feito", destacou.

Alertou no sentido da federação ter outra postura para com os árbitros. "Acho que a FAF precisa intervir mais, porque os árbitros têm de andar à moda do que a federação pretende e não procederem à sua maneira", acrescentou Tomás Faria.

O presidente do Petro de Luanda advertiu que o trio de a arbitragem têm que perceber que são juízes e não devem mudar da sua função para prejudicar quem quer que seja, pois, os regulamentos são iguais para todos.

Deplorou, por isso, o facto de, na sua óptica, continuarmos a ter árbitros que quando entram para fazer a vistoria às equipas nos balneários e depois acabam tratando os atletas como se dos seus empregados se tratassem.

"Temos de acabar com isso. E se não acaba de uma forma, temos de acabar de outra.

Não vamos permitir que os árbitros continuem a faltar com o respeito. Um árbitro não pode continuar a expulsar treinadores nos jogos em que aparece sempre, sem razões plausíveis", sublinhou.Assegurou que tudo vão fazer para banir esta prática no futebol nacional.

"Este é um aspecto que vamos combater, porque temos consciência do trabalho que estamos  a fazer e dos resultados que conseguimos alcançar até agora", revelou.  Tomás Faria garantiu, ainda assim, que o balanço da primeira volta é positivo, porque "os números mostram isso", pelo que aconselha os outros clubes a fazerem a sua parte, mas sem prejudicarem aqueles que buscam alcançar objectivos à custa do trabalho que desenvolvem.

"Apesar de estarmos calados, não quer dizer que estamos satisfeitos. Parece-nos algo combinado, porque não pode haver o mesmo erro para os mesmos clubes, os mesmos atletas e mesmo tipo de falta. Não pode repetir-se e, se andarmos, vamos continuar na segunda volta da mesma forma".


RECONHECIMENTO
“Nunca duvidámos do valor do técnico”


O nível do trabalho desenvolvido pelo técnico hispano-brasileiro, Beto Bianchi, mereceu igualmente avaliação do Petro de Luanda. Tomás Faria confessou estar satisfeito com a competência demonstrada pelo treinador, que chegou a ser questionado durante o anuncio da sua contratação.

"A equipa-técnica do futebol, ao contrário do que nos foi dito quando anunciamos a contratação do treinador, que estávamos a contratar alguém que era tudo, menos treinador de futebol e com fraca experiência, tive a oportunidade de dizer que ele cumpria com todos os requisitos, apesar de não ter ganho um campeonato, tinha conquistado troféus. Portanto, estava dentro do que precisávamos", esclareceu.

"Pelo menos os números estão aí e dão-nos razões para estarmos satisfeitos. O saldo dos 15 jogos da época passada, comparados com os alcançados este ano, temos mais três vitórias e empatámos menos dois jogos. Temos menos uma derrota, mais golos marcados, menos sofridos e mais sete pontos em relação ao ano passado. As pessoas podem dizer o que quiserem, mas os números falam por si", comentou.

O presidente do Petro de Luanda recorreu novamente aos números e as estatísticas para provar que a chegada de Beto Bianchi ao comando técnico dos tricolores ajudou a acrescentar muito de novo ao futebol da equipa do Catetão.

"No ano passado, a esta altura, estávamos em oitavo lugar e hoje estamos em terceiro. Queremos sempre muito mais e fazendo a comparação dos dados, notamos que há uma melhoria substancial. Vamos mudar para ver se este rendimento mantém-se na segunda volta", desejou. Tomás Faria, considera, por outro lado, haver provas inequívocas de qualidade de trabalho, pois, refere não ser normal e muito menos fácil para quem chega, pela primeira vez num campeonato que mal conhece e consegue chegar a estes números, suplantando treinadores que estão mais tempo no mercado.

"Podemos estar satisfeitos com a contratação feita, porque o técnico (Beto Bianchi) está a levar a nossa equipa dentro dos objectivos que pretendemos", asseverou, visivelmente animado com os resultados.


REFORÇOS      
“Atacante é prioridade
para a segunda volta”


A contratação de um avançado representa a grande prioridade para o Petro de Luanda, tendo em vista o "assalto" à segunda volta do Girabola Zap. Quem o diz é Tomás Faria. O presidente dos tricolores disse haver toda a necessidade da equipa ser reforçada com mais um ou dois jogadores.
"Em principio, esperamos contratar para reforçar a equipa, mas provavelmente não contratemos aquilo que mais necessitámos, na medida em que a nossa maior necessidade é a posição de ponta de lança", comentou.

"Uma forma mais fácil de contratar um avançado era no mercado local, porque recebem kwanzas. Gostaríamos de ter atletas que venham para jogar e não atletas que venham para jogar e no mês seguinte não tenham salário e criem estabilidade na equipa, desta forma preferíamos aguentar conforme estamos. Mas vamos contratar", disse o responsável máximo do clube da Sonangol.

O dirigente deixou ainda claro que a ideia da equipa de futebol é ter entre um ou dois atletas só para esta segunda volta.  Em relação as posições, reforça que o ataque é o sector de maior necessidade, ao passo que no meio-campo pede-se alguém que consiga fazer as posições seis ou dez.

"São as posições que nesta altura precisámos. Mais difícil é conseguir um avançado, porque os que existem no mercado interno têm contrato e no mercado externo precisámos de encontrar alguém que aceite receber o salário em kwanzas", esclareceu.


DESAFIO
Clube adaptado à novas filosofias


Tomás Faria disse ontem estar em curso um projecto de descoberta de novos talentos, a partir dos escalões de formação, cujo objectivo visa deixar o futebol nos próximos quatro anos, adaptado às novas filosofias em curso. Revelou que no centro da estratégia de desenvolvimento do futebol dos tricolores estão engajados treinadores espanhóis e angolanos.

"Continuamos com o nosso projecto de desenvolvimento de novos talentos, que entrou nas duas fases de implementação. Começamos com a parte prática, com o treinamento ao nível dos trabalhos de campo dentro da nova filosofia.Os próximos quatro anos, provavelmente, a equipa principal começará a jogar dentro da nova filosofia, porque os talentos jovens estarão a integrar nessa altura a equipa principal", perspectivou o presidente de direcção dos tricolores, confiante em relação ao futuro.

O responsável não escondeu as dificuldades enfrentadas para manter os jogadores estrangeiros no clube, devido as dificuldades de obtenção de divisas. Enalteceu o profissionalismo dos atletas e técnicos expatriados que continuam solidários com as contrariedades enfrentadas pelo clube, relativamente à satisfação das compensações salariais em dólares.

"Trata-se de um período em que não devemos ignorar o que está a acontecer ao nível do país. Estamos com dificuldades de transaccionar com o mercado internacional, sobretudo quando o assunto é a moeda estrangeira.

Também estamos afectados com isso, quer para a compra de bens, quer na remuneração dos atletas expatriados, mas é um caso que vamos procurar gerir. Esta situação também tem prejudicado o clube, porque temos estrangeiros na equipa", disse.
PC