Jornal dos Desportos

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Girabola

Feridas saradas

Jlio Gaiano, em Benguela - 10 de Dezembro, 2018

1 de Agosto contra a Acadmica despertou apenas na segunda para cimentar a vitria.

Fotografia: PAULO MULAZA | EDIES NOUVEMBRO

O 1º de Agosto provou que está quebrado física e emocionalmente. O seu afastamento prematuro nas Afrotaças estará a influenciar no comportamento dos jogadores em campo. Está mal, admita-se, porque no desafio disputado ontem, no estádio nacional de O’mbaka, frente à Académica Petróleos do Lobito foi o que se constatou.
Apesar de vencer, não convenceu. Entrou assustado e, pior do que isto, patenteou um futebol incaracterístico, denotando cansaço e muita falta de acutilância sobretudo na finalização.
 O 1º de Agosto está uma equipa sem imaginação e desgarrada. Contra a Académica, a contar para a 5ª jornada do GirabolaZap2018/19, despertou apenas na segunda metade da contenda, isto é, depois do golo de bola parada, executado por Mongo, num minuto 64. Foi um golo que acabou por impor a injustiça no resultado. Isto mesmo, injustiça no resultado (do jogo) se se levar em conta que foram os estudantes que mais se evidenciaram ao longo dos 90 minutos.
 Os militares do Rio-Seco foram, simplesmente, pragmáticos e assertivos no golo. Ou seja, jogaram no erro do adversário para, na hora da verdade, definirem o resultado.
 Diga-se, um resultado que acabou por castigar a ousadia (exageradas, que se diga) do técnico da Académica do Lobito, Júnior Paulino \"Biggú\". Para além de arriscar-se de mais, não soube tirar proveito da apatia manifestada pela turma do Rio-Seco.
 O técnico da Académica do Lobito deixou-se levar pelas emoções e ovações que vinham das bancadas. Do outro lado da bancada aconteceu o contrário. Em momento certo, operaram-se as substituições que resultaram num golo que deixou milhares de lobitangas atarantados.
 Na verdade, só depois do golo de Mongo é que se viu um 1º de Agosto diferente. Já corria um pouco, mas nada mais do que isso, porquanto, acabou por revelar-se fraco e cobarde em certo momento do jogo. Os seus jogadores caíam à toa e pior do que isso, por tudo por nada, insurgiam-se contra a decisão do árbitro que, diga-se de passagem, não se deixou intimidar. Manteve-se firme nas suas atitudes.
 Em suma, foi um jogo que valeu mais pelas emoções do golo e da falta de arte e engenho da parte dos jogadores e treinadores da Académica do Lobito que não souberam tirar proveito da fragilidade psico-emocional e física do adversário.

FICHA TÉCNICA
DECLARAÇÕES DOS TÉCNICOS

“Uma derrota
sem contestação”


Agastado com a derrota da sua equipa, diante do seu público, o técnico principal dos estudantes reconheceu que o 1º de Agosto fez tudo o que esteve ao seu alcance para marcar o  único golo que valeu para a vitória: \"Tiveram uma espírito de equipa, venceram sem contestação, foi uma derrota sem contestação, nós continuaremos a trabalhar para os próximos jogos\".

Júnior Paulino |
Académica


“Foi difícil vencer  o jogo”

Pelo 1º de Agosto, quem deu cara e voz à imprensa, da forma feliz foi o craque que é Dany Massunguna. \"Foi difícil vencermos a Académica, foi a única que equipa que nos ganhou no ano passado e, por esta razão, viemos ao Lobito com a lição estudada. Vamos agora a Luanda trabalhar para os outros jogos, visando atingir as metas traçadas pelo grupo e  direcção do clube\".

Massunguna |
jogador

ARBITRAGEM
Apito certo

A actuação do trio de arbitragem liderado por João Goma foi excepcional. Mostrou serviço. Não se deixou ludibriar ante as artimanhas dos militares que tudo faziam para cavar faltas na área das grandes penalidades. Ou seja, foi um árbitro que fez jus a sua condição de internacional. Passou despercebido ao longo dos 90 minutos da contenda, pelo que mereceu da nossa parte distinção positiva. 

MELHOR EM CAMPO
“Patrão” Show

O médio trinco do 1º de Agosto, Show, deu mostras de que é um verdadeiro patrão do meio-campo. Ao contrário dos seus colegas, foi o mais ousado na retranca e nas construções de jogadas ofensivas. Foi pena que os seus colegas no ataque revelaram falta de acutilância. Caíam à toa e, mais do que isso, desaprenderam a saltar na área (cabeceavam com olhos fechados). O mesmo já não sucedeu com o jovem Show que cumpriu à risca a sua tarefa em campo. Anulou a criatividade do meio campo da Académica, para assegurar o triunfo da sua equipa. Bom jogador em afirmação.