Jornal dos Desportos

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Girabola

Festa da bola

Texeira Cndido - 19 de Fevereiro, 2016

Sobem hoje as cortinas da 38 edio do Girabola, prova maior do futebol nacional

Fotografia: Jornal dos Desportos

Esta é a principal novidade da competição, uma alteração que não é de somenos, dado que pode ser um pronuncio para uma viragem definitiva que se impõe. A par disso, os dezasseis clubes podem utilizar cinco jogadores estrangeiros no "onze" inicial, uma medida que traduz na prática situações que já se assistiam, embora ignoradas pelo órgão reitor doméstico.

Quanto ao prémio do campeão, é um facto que já será monetário, além do tradicional  troféu e medalhas. No entanto, não se sabe oficialmente qual será o valor. A Federação Angolana de Futebol (FAF) ainda não o definiu, segundo o secretário-geral daquela instituição, Cardoso Lima, em declarações ao Jornal dos Desportos.

Oficiosamente diz-se que serão setecentos mil dos cinco milhões de dólares que a Zap ofereceu para ser o "naming" da competição, e ficar com a maior parte dos direitos televisivos. Interclube é um dos poucos que não assinou com a Zap, por se encontrar vinculado a outra operada de serviço de televisão, Supersport.

As equipas do Recreativo do Libolo e o 1º de Agosto são os principais candidatos ao título da prova que arranca esta noite no Estádio dos Coqueiros. A terceira equipa sairá do leque constituído por Interclube, Kabuscorp do Palanca e o Benfica de Luanda.

Por conta dos quatro títulos conquistados nos últimos cinco anos, o Libolo apresenta-se como o principal concorrente à conquista do primeiro título com o selo da Zap.  É uma equipa que reúne jogadores experimentados e uma organização administrativa como poucos. Depois de um início temido, o Recreativo do Libolo assume-se hoje como uma das grandes equipa do futebol nacional, ultrapassando inclusive os tradicionais como Atlético Sport Aviação (ASA), tricampeão nacional, uma das equipas, a par do 1º de Agosto, que disputa o Girabola desde a primeira edição, em 1979.

O 1º de Agosto procura há dez anos anos pelo décimo título. Reforços atrás de reforços, tentam os militares colocar fim ao jejum que ameaça ser o mais longo. Na década de 80 do século passado, os militares experimentou situação igual, mas não chegou aos dez anos. De 1982 a 1991, a formação do Rio Seco assistiu o 1º de Maio e o Petro de Luanda repartirem os títulos.

Na década de 2000, os militares conquistaram apenas um título, em 2006, e vão assistindo ao surgimento de novas forças como o Recreativo do Libolo, que ameaçam a sua posição no concertos dos clubes mais titulados da competição doméstica.

Para muitos e especialistas que seguem o fenómeno desportivo este será o ano do 1º de Agosto. As bases que fundamentam esta posição prendem-se com a prestação do ano passado e a chegada de nomes sonantes ao clubes, como Geraldo.

Porém, não têm colocado nestas previsões a questão administrativa e da batalha fora dos relvados, tal como fazem o Recreativo do Libolo, Interclube e o Kabuscorp do Palanca. Curiosamente, todos conquistaram títulos neste intervalo que os militares procuram voltar ao pódio.

Falta ao 1º de Agosto uma voz de comando fora de balneário, uma situação que tem o Recreativo do Libolo (Rui Campos), Interclube (Alves Simões), Kabuscorp do Palanca (Bento Kangamba) e ainda o Benfica de Luanda (António Sério e o próprio treinador Zeca Amaral).

Os militares estão órfãos de personalidades como Ambrósio Narciso ou Santana Lungu (ex-vice presidentes), qualquer um deles conhecia o Girabola fora dos relvados e sempre foram capazes de disputá-lo.


HOJE À NOITE
Benfica
e 1º de Agosto abrem prova


Benfica de Luanda e 1º de Agosto dão hoje, às 18h00, no estádio dos Coqueiros, o pontapé de saída da edição 2016 do Girabola Zap. É um confronto entre o segundo e o terceiro classificados da última época. Mais do que ganhar, os militares procuram corrigir o início quase sempre desastroso das últimas edições.

Em 2014, por exemplo, começaram com três derrotas consecutivas. Na primeira jornada perderam frente ao Progresso Sambizanga, a seguir voltaram a cair aos pés do Recreativo da Caála e na terceira jornada perderam com FC Bravos do Maquis.

No ano passado, o mesmo percurso, com ligeiras diferenças. Empate na ronda inaugural frente ao Recreativo da Caála, duas derrotas consecutivas depois, perante Académica do Lobito e o FC Bravos do Maquis.

Esses resultados tiveram, um peso enorme nas suas aspirações, em particular no ano passado em terminaram com os mesmos pontos do campeão nacional, Recreativo do Libolo, mas com desvantagem nos confrontos directos e na diferença de golos.

Nos jogos entre si, os militares levam vantagem sobre os encarnados. No ano passado, na primeira voltam registou-se um empate a uma bola, na segunda, os encarnados foram goleados por 4-1. Em 2014, uma vitória para cada lado. O 1º de Agosto ganhou por 2-0, e perdeu por 2-1 no jogo de resposta.

Por conta dos objectivos que transportam esta época, os militares são favoritos à conquista dos três primeiros pontos do Girabola Zap. A equipa necessita dese impulso para se sentir galvanizada aos jogos iniciaos do campeonato.
TC


1º DE AGOSTO
Militares encaram dérbi como final


O treinador-adjunto do 1º de Agosto, Filipe Nzanza, garantiu que a equipa vai encarar todos os desafios do Girabola Zap como autênticas finais, tendo em conta os objectivos no campeonato, a começar pelo dérbi de hoje, às 18h00, no estádio dos Coqueiros, diante do Benfica de Luanda, referente à primeira jornada da competição.

Com isso, o auxiliar do técnico principal Dragon Jovic pretendem evitar os desaires do ano passado, onde somaram resultados negativos nos primeiros três jogos do Campeonato Nacional.

"Vamos encarar todos os jogos como autênticas finais, face aos objectivos traçados pela direcção do clube e nós, equipa técnica,  que passam pela luta pelo título", garantiu o adjunto de Dragan Jovic, acrescentando que “não queremos que aconteça o mesmo desaire do ano transacto em que começamos mal. Este ano queremos inverter o quadro, começando com vitória para galvanizar a equipa”, defendeu, na última quarta-feira, em conferência de imprensa, no ex-RI20, fazendo uma alusão às derrotas sofridas nas primeiras jornadas diante da Académica do Lobito (2-0), FC Bravos do Maquis (3-2) e Kabuscorp do Palanca (1-0).Filipe Nzanza  afirmou ainda que o grupo está mais forte com a inclusão dos novos jogadores e ambicionam fazer melhor em relação a época passada, em que ficaram na segunda posição.

“Pensamos este ano fazer um 1º de Agosto mais forte do que o ano passado e para isso acontecer é preciso marcar muitos golos, sofrer menos e fazer bons jogos”, disse.

Em relação ao estado anímico e técnico da equipa, o antigo médio militar assegurou que apresenta um quadro positivo, em face da preparação realizada durante a semana.

“Os jogadores estão a corresponder de acordo com o planificado e estão cientes de realizarem uma boa partida diante do Benfica de Luanda, em que naturalmente queremos ganhar o jogo", declarou.

O adversário é encarado com cautelas, pelo que representa no Campeonato Nacional, pois como disse, o "Benfica é um adversário forte, que merece todo o respeito, reforçou-se com bons jogadores e nos últimos anos tem lutado pelo título", analisou.

No desafio desta noite, que abre a 38ª edição do campeonato, estarão frente-a-frente o segundo e o terceiro classificado da época passada, em que o conjunto militar levou da melhor na segunda volta (1-1) e (4-1).
JORGE NETO