Jornal dos Desportos

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Girabola

Filipe Nzanza deplora violncia

Augusto Panzo - 30 de Maio, 2016

Filipe Nzanza admite que a violncia est a caracterizar o Girabola Zap

Fotografia: Jos Cola

O treinador -adjunto da equipa de futebol do 1º de Agosto, Filipe Nzanza, mostrou-se feliz com a vitória de três bolas sem resposta, alcançada pelo conjunto militar diante do seu mais antigo rival do Girabola, o Atlético Sport Aviação (ASA), em partida referente à 14ª jornada da temporada, mas manifestou-se inconformado com os níveis de violência que se registam na competição.

Num discurso directo aos órgãos de comunicação social, presentes no sábado no Estádio dos Coqueiros, no final da partida entre aviadores e militares, Filipe Nzanza manifestou-se preocupado pelo facto de ter muitos dos seus jogadores lesionados.

"Nestes últimos jogos estamos a perder jogadores, por que acabam sempre lesionados, o que  tira a possibilidade de terminarem os jogos. Esse não é o futebol que queremos. O futebol tem de ser bem jogado. Tem de haver fair-play", lembrou o adjunto de Dragan Jovic.

Em função dessa constatação, Filipe Nzanza admite que com essa violência que está a caracterizar o Girabola, o nosso futebol não vai registar melhorias profundas, para sair do marasmo em que se encontra.

"Se queremos que o nosso futebol cresça, é preciso que haja jogo limpo", disse o técnico, para depois entrar em detalhes sobre a lista dos  pupilos que se encontram nessa situação.  "Temos problemas com o Gelson, o Buá, o Nelson, o Ary Papel, enfim, praticamente  metade do nosso plantel está lesionado. Outros atletas estão a jogar limitados.

A nossa realidade actual é essa. Estamos completamente 'embrulhados' em lesões, por causa da violência que graça no Girabola", lamentou.
Como é uma situação abrangente a todos os clubes que estão a participar no campeonato da Primeira Divisão, Filipe Nzanza pediu uma especial atenção aos árbitros, no sentido de terem mão pesada para com os prevaricadores, para que a grande festa de futebol angolana não se estrague.

"Os árbitros têm de estar  atentos a isso, para não estragar o futebol, não se trata apenas do 1º de Agosto que tem este tipo de problemas, mas também os outros clubes. Todos os jogadores influentes têm de ser protegidos, porque senão não vale a pena", recomendou.  

APELO
"Precisamos de fair - play"


Num manifesto gesto de muita contestação, o treinador -adjunto do 1º de Agosto, Filipe Nzanza, aconselhou os jogadores das outras equipas presentes no Girabola Zap 2016 a terem  espírito de 'fair play', de forma a evitar lesões desnecessárias aos seus companheiros de profissão.

"Num contexto geral, o Girabola está violento sim. Precisamos de ter 'fair play', saber perder com a cabeça erguida. Nós perdemos com Kabuscorp e com o Caála, mas sempre de cabeça erguida tal como o fizemos  no empate com o Interclube. Quem perde deve assumir a derrota com 'fair play'. Não precisa de enveredar na violência", recomendou.

Lembrou ser igualmente desnecessário o recurso às faltas, para justificar algum descontentamento por um resultado que não seja do agrado, porque  na óptica de Filipe Nzanza  todos os jogadores independentemente das cores do clube que cada um defenda, são necessários à selecção nacional.

"Maltratar os jogadores não faz parte de um bom futebol, porque nós precisamos de todos, seja do Petro, do Interclube ou de qualquer outro clube, porque são influentes nos trabalhos da selecção nacional, onde se espera que ajudem os Palancas Negras, em nome da Nação inteira", fez questão de recordar.

1º DE AGOSTO
Pausa no campeonato preocupa 1º de Agosto


O Girabola Zap de 2016 está a partir de amanhã em pausa de uma semana, em função do compromisso dos Palancas Negras que defrontam a selecção da República Centro-Africana, para a quinta jornada das eliminatórias ao Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2017, a ter lugar no Gabão.

Em função disso, os profissionais de comunicação social indagaram Filipe Nzanza se é benéfico para o 1º de Agosto o repouso que se tem no campeonato, em termos de recuperação de jogadores, ao que retorquiu não  estar muito de acordo."Com uma semana de pausa não sei se recuperamos todos os nossos jogadores lesionados, de formas a tê-los aptos para o jogo da 15ª jornada, a última da primeira volta, diante do Petro de Luanda", afirmou.

Com relação à gravidade das lesões de cada atleta do plantel, Filipe Nzanza adiantou que tudo carece de relatórios a serem passados pelo departamento clínico do clube militar.  

"Estamos à esperar do relatório médico do nosso departamento clínico, para sabermos de concreto qual é a gravidade da lesão do Gelson e dos outros também. Só depois disso, estaremos em condições de dizer o grau da gravidade de cada um dos nossos jogadores", atirou.                                                     
 AP