Jornal dos Desportos

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Girabola

Futebol est no sangue

Morais Canmua,no Lubango - 15 de Julho, 2015

O irmo mais velho da nova coqueluche do futebol nacional revelou que ele comeou a despontar muito cedo nos trumunus do bairro at chegar a uma grande equipa

Fotografia: Jornal dos Desportos

Quando decidiu levar o irmão Gelson, ao 1º de Agosto, para tentar a sorte, Elísio, apesar de reconhecer as qualidades técnicas, não esperava que o sucesso fosse tão rápido e conquistar logo a simpatia da massa associativa do clube rubro negro e não só.O “veterano” lateral direito do Clube Desportivo da Huíla, manifestou em entrevista ao Jornal dos Desportos, a sua satisfação pelo desempenho do ponta de lança da formação militar e dos Palancas Negras. O atleta confessou estar feliz e sente-se gratificado, pois, a aposta valeu a pena. 

Depois de representar  durante várias épocas a formação rubro negra, clube em que se notabilizou e algumas passagens pela selecção nacional, Elísio disse, que é uma grande alegria ver o irmão a brilhar nos campos. Afirmou que o início do sucesso de Gelson, “é fruto da humildade que sempre patenteou desde criança”, justificou.O irmão mais velho da nova “coqueluche” do futebol nacional, revelou, que ele começou a despontar muito cedo nos “trumunus” do bairro. “Na altura, já demonstrava dotes de bom jogador e com talento”, ressaltou.

Confessou que foi esse o motivo, que levou a apresentar-lhe ao então técnico dos escalões de formações da equipa do Ex-RI 20, Lourenço Chilombo, antiga estrela do clube. “No Golfe onde morávamos, na área conhecida por ‘terra vermelha’, ele já tinha fama entre os garotos da zona , como bom jogador e que marcava muitos golos, ali mesmo no areal. Notámos, que estava a nascer, um talento para o futebol”, defendeu.

Elísio conta a insatisfação da mãe, pelo facto do filho estar mais concentrado  no futebol e relegar a formação académica para segundo plano, fez que Gelson reduzisse a prática da modalidade e dedicasse mais atenção aos estudos. Dois anos mais tarde, tornou a solicitar ao irmão para o levar, dizendo que dessa vez era a valer. Pressionado pelo irmão e como na altura era um atleta de referência, “tornei a levá-lo, mas dessa vez apresentei-lhe ao técnico Filipe Nzanza, que na altura treinava a equipa de juvenis”.

“Recordo-me,  que logo nos testes, o mister disse que estava diante de um talento e um futuro craque “, revelou. Longe dos holofotes da fama, integrado ainda nas equipas de formação do clube militar, Jacinto Muondo Dala, ou simplesmente “Gelson” procurava trabalhar com afinco, na plena certeza de que um dia a sua carreira não ia  tardar a ser risonha.Começou então no clube do “rio seco,” depois nas selecções jovens onde veio a ser chamado várias vezes, fruto do talento que já evidenciava. Porém,  um acto inconsciente fez com que o seu aparecimento fulgurante no escalão superior ficasse adiado.

ADULTERAÇÃO DE IDADE
Por pouco perigou a carreira


A  despontar com a camisola rubro negra e ser visto em alguns círculos, como uma referência, o garoto envolveu-se numa embrulhada de troca de identidade, que lhe custou a suspensão de toda actividade desportiva por parte da FAF.“A Federação teve de resolver o problema dentro e fora das nossas fronteiras,” disse, em recente entrevista ao JD, o secretário geral do órgão reitor do futebol nacional, José Cardoso de Lima.Elísio, que nessa altura já estava no Lubango ao serviço do CDH, confessa, que não sabia do que estava acontecer. “Apercebi-me do que se estava a passar quando ele ficou suspenso”, especificou.

Com a intenção de retardar a  ascensão para outro escalão e continuar a dar o seu show, Gelson, decidiu adoptar a identidade do seu irmão mais novo,  Carlos Muondo Dala.“O que interessa agora é que tudo foi resolvido à contento e aí está o rapaz, que é o orgulho da nossa família e começa a conquistar o país”, completou. Sustentou, que apesar de toda a situação negativa que viveu, a mesma não abalou  o seu empenho e procurou sempre dar a volta por cima. “Trabalhou sempre de forma afincada, sempre na perspectiva de melhorar as suas performances”, comentou.

O antigo lateral direito do 1º de Agosto, hoje com 34 anos, admitiu que pela experiência, tudo tem feito para ajudar o  irmão a andar com os pés bem assentes no chão,  ser humilde e não se deixar levar pela fama.“Incentivo-o  a trabalhar, respeitar os treinadores, os colegas, as pessoas que o rodeiam e sobretudo, continuar com a humildade que sempre o caracterizou e crescer sempre mais”, disse,  para de seguida argumentar que “ele tem acatado os conselhos e tenho a certeza que vai continuar a dar alegrias ao seu clube e ao país”, precisou.

CARÁCTER
“O Gelson é bom rapaz mas tímido”
 

Instado a falar do irmão,  o penúltimo rebento da família do falecido Figueira Muondo Dala (pai), Elísio, não pestanejou e disse logo, que “o Gelson é um bom rapaz, mas é muito tímido”, explicou.Sublinhou que foi sempre o seu carácter enquanto criança, mas acredita que se mantiver  com esse comportamento as coisas podem correr-lhe ainda melhor. “Ele sempre foi assim. É muito calado e reservado, humilde e foi sempre muito obediente”, avaliou.

Quando um dia se predispôs em ver um jogo dos garotos,  no bairro, em que Gelson ainda com tenra idade, brilhava, Elísio quase nem acreditou no diamante bruto que tinha em casa e de seguida decidiu pedir o consentimento da mãe.Voltou a recordar que não foi fácil convencer a mãe, a deixar o irmão ir tentar a sorte e apostar na carreira de futebolista. “Pedi o consentimento da mãe e levei-lhe ao 1º de Agosto, onde foi apurado no primeiro teste”, enaltece com  alegria.

ESCALÕES DE FORMAÇÃO
Irmão cassule segue as pisadas


Elísio revelou ,que o futebol, é o desporto preferido da família. O veterano do Clube Desportivo da Huíla, conta, que foi o seu irmão,  Real Dala, já falecido, que levou-lhe a treinar no ex-RI 20.  Lamentou o facto de o mesmo não ter visto a despontar na equipa rubro negra, já que faleceu dois anos depois, mas está ciente que soube dignificar e honrar  a aposta do mano.

“É pena ele não ter tido a oportunidade de acompanhar a minha carreira”, destacou.Seguindo as pegadas dos “Kotas,” o cassule, o puto Melo,  é já uma referência nos escalões de formação do clube militar. O JD apurou que é um bom atleta e com boa margem de progressão.Hoje, dona Azenati Muondo,  orgulha-se dos filhos, na ausência prematura do companheiro Figueira Kimuanga Dala, falecido em 2000, que infelizmente não pode testemunhar a carreira dos filhos e sentir-se  orgulhoso do que os filhos têm feito em prol do futebol nacional.

Instado a falar do irmão,  o penúltimo rebento da família do falecido Figueira Muondo Dala (pai), Elísio, não pestanejou e disse logo, que “o Gelson é um bom rapaz, mas é muito tímido”, explicou.Sublinhou que foi sempre o seu carácter enquanto criança, mas acredita que se mantiver  com esse comportamento as coisas podem correr-lhe ainda melhor. “Ele sempre foi assim. É muito calado e reservado, humilde e foi sempre muito obediente”, avaliou.

Quando um dia se predispôs em ver um jogo dos garotos,  no bairro, em que Gelson ainda com tenra idade, brilhava, Elísio quase nem acreditou no diamante bruto que tinha em casa e de seguida decidiu pedir o consentimento da mãe.Voltou a recordar que não foi fácil convencer a mãe, a deixar o irmão ir tentar a sorte e apostar na carreira de futebolista. “Pedi o consentimento da mãe e levei-lhe ao 1º de Agosto, onde foi apurado no primeiro teste”, enaltece com  alegria.