Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Gira a bola

Policarpo da Rosa - 03 de Março, 2012

A bola vai, finalmente, começar a rolar

Fotografia: Jornal dos Desportos

A bola vai, finalmente, começar a rolar, depois de um defeso prolongado de, aproximadamente, quatro meses. Durante sete meses todas as atenções dos amantes do futebol estão centralizadas na maior prova do desporto nacional, pelas boas razões. E estas boas razões são as 30 jornadas que compõem a competição e onde as 16 equipas “mais poderosas” do nosso planeta futebolístico vão lutar pelo título, embora tenhamos noção que nem todas têm pedalada para lá chegarem.

O importante é que as melhores equipas da actualidade estão na grelha de partida, dispostas a darem o melhor de si. Motivo suficiente para prognosticarmos um Girabola bastante disputado e com um nível competitivo capaz de superar os números alcançados a temporada passada, onde o Recreativo do Libolo contrariou todas as expectativas, ao levar o título para a província do Kwanza-Sul. Não é novidade se dissermos que não está ainda tudo a 100 por cento, tanto a nível das equipas, pese a vontade e determinação durante os estágios realizados no interior e exterior do país, como da organização em si. Apesar disso, todos, clubes e FAF, estão cientes que é necessário elevar o nível competitivo (clubes) e administrativo (Federação), para se atingirem as metas traçadas para a presente época.
Tudo e todos são poucos para que a 33ª edição da maior prova futebolística do país decorra sem sobressaltos e tenha um bom início e um melhor final, comparado, por exemplo, aos da época transacta. As 16 equipas emparelhadas na grelha de partida querem ter a certeza que nada de anormal as vai incomodar para poderem concretizar os objectivos. Todas elas pretendem ficar distantes dos “arreliados protestos”, que acabaram por marcar, de forma negativa, o Gira/2011.  Quando estamos a pouco mais de 24 horas do “pontapé de saída” não é ainda hora das calculadoras entrarem em cena. Por enquanto, ficam na gaveta. A grande preocupação das 16 equipas que estão amanhã na grelha de partida é atingirem, na primeira volta, os pontos necessários para estarem mais próximo dos seus objectivos. Depois, já na segunda etapa da prova, a luta vai ser infernal e o mínimo erro pode ser fatal, o frustrar das ambições.

Candidatos
As 16 equipas que amanhã iniciam mais uma “grande maratona” futebolística partem com objectivos definidos em função do poderio em termos de plantel e financeiro. Isto para dizer que temos aquelas que lutam pelo título, as que entram para a competição para melhorarem as performances atingidas na época passada e as que querem evitar a despromoção. Como acontece em todo o mundo, a componente financeira tem um papel preponderante. Sobre o Recreativo do Libolo, na qualidade de campeão em título, recaem as maiores atenções. A época passada cumpriu-se uma promessa antiga da sua direcção, a conquista do título. Os jogadores, apesar da pressão a que foram sujeitos, reagiram bem e levaram a direcção a cumprir a palavra.

Este ano a fasquia está mais elevada em função de tudo o que produziu a época passada. É uma equipa a abater pelos demais candidatos, mas podemos dizer que o Recreativo do Libolo tem ainda melhores condições para revalidar o título, pese o facto de ter perdido a primeira prova da nova temporada, a Supertaça. Segurou os principais jogadores e foi buscar os que dão ao conjunto melhor qualidade competitiva. Por aquilo que produziu a época passada, o Kabuscorp do Palanca, vice-campeão nacional, é um sério candidato ao título. Quem alcançou, na época anterior, a segunda posição não pode pensar noutra classificação que não seja a melhoria.

No clube e mesmo no Palanca, dirigentes, técnicos, jogadores e adeptos desejam que esta temporada seja o prolongamento da anterior, com luta efectiva pelo título de campeão nacional, mas a experiência diz-nos que a junção de factores que permite uma surpresa como a de 2001 acontece esporadicamente, não em anos consecutivos. Não pensa desta maneira o Kabuscorp que pretende continuar a “surfar a onda” do pódio. Assim, foi buscar um campeão mundial e melhor jogador do mundo em….. Rivaldo, que se torna no jogador mais valioso do Girabaola. Não há que escondê-lo porque é uma realidade. O discurso pode continuar ambicioso, mas a incógnita é saber se a equipa repete os …pontos da época passada, mesmo com a vedeta Rivaldo no plantel. Se ultrapassar os …..já faz um campeonato extraordinário, por ser o segundo melhor da sua história. 
 
Petro e D’agosto
Neste rol de candidatos assumidos ao título temos obrigatoriamente de integrar o Petro de Luanda e o 1º de Agosto, as equipas mais tituladas do país, e o Interclube, campeão nacional em 2007 e 2010. “Apostar hoje para ganhar amanhã” é o lema da equipa do eixo viário desde a época passada. A aposta nos jogadores saídos da sua cantera tem sequência esta temporada. Não há qualquer motivo para, nesta altura, acreditar ser este o melhor caminho, mas também não existem dados que nos digam estar o clube do eixo-viário a cometer um grande erro. Dentro de alguns meses, os resultados começam a ter outra dimensão e, então, vê-se se a estratégia foi a melhor opção.

A aposta no título foi, este ano, mais fortificada com a contratação de Felix Katongo, que recentemente se tornou campeão africano ao serviço da Zâmbia, e do senegalês Bem Traouré, proveniente do futebol português. Nas hostes do clube petrolífero não se fala noutra coisa senão da reconquista do título. Mas, das pretensões à concretização dos objectivos há uma grande distância. O 1º de Agosto voltou a apostar num técnico nacional. Os resultados que Romeu Filémon obteve nas equipas por onde passou justificaram a aposta da direcção rubro-negra. Provavelmente acreditam estar ali uma “pepita” para os conduzir ao regresso às glórias.

Apostar num futuro próspero de Romeu Filémon à frente da equipa é acreditar que ela tem capacidade para acumular os pontos necessários para chegar ao título, que não conquista desde 2006, então sob direcção do holandês Jan Brouwer. O Interclube integra, por mérito próprio, o grupo restrito de candidatos ao título. Os dois títulos que ostenta, aliados às performances alcançadas nos últimos anos, fazem da equipa do Rocha Pinto um sério candidato ao título. A conquista da Supertaça, primeira prova da temporada, vai incentivar ainda mais a equipa a alcançar um dos principais objectivos. Sem pretendermos fazer futurologia, pensamos que deste quinteto – Libolo, Kabuscorp, Petro de Luanda, 1º de Agosto e Interclube – sai o futuro campeão nacional, sem qualquer desprimor para as demais equipas, cujas ambições ao ceptro consideramos legítimas. 

Crise não passa despercebida

A crise é real e, se afecta a sociedade em geral, o futebol, como grande empresa, também não escapa à recessão. São sinais de um tempo de vacas magras e nada aponta no sentido de una retoma. O Sporting de Cabinda, que este ano regressou à fina-flor do futebol nacional, está mergulhado numa profunda crise e corre sérios riscos de ficar de fora da competição. Não muito longe, a Académica do Soyo, depois de uma época em que soube contornar todos os obstáculos, não está alheia aos mesmos problemas, embora haja fumo branco no que toca à participação no campeonato.

Estes são apenas dois dos muitos problemas que afectam várias agremiações desportivas do país. A realidade é esta, ainda que muitos teimem em camuflá-la. E se uns preferem continuar a sonhar, outros simplesmente adiam aquele que pode ser, a breve prazo, um final mais do que anunciado para alguns deles.            PR

Quinteto no “campeonato do título”

Cumprindo um calendário que se vai tornando quase cíclico, eis-nos de volta às emoções da maior festa do futebol nacional, o Girabola, que a partir de hoje começa a fazer rolar a bola para a sua 34ª edição. Apesar de estarem perfiladas para o desfile 16 equipas, nem todas podem sonhar com o título. Este continua reservado para um número restrito de equipas que se apresentam, à partida, como os principais candidatos. Mas sendo o futebol uma bela caixinha de surpresas, as previsões que aqui avançamos podem não ser correspondidas, ou seja, aos potenciais candidatos não basta a força de vontade, um plantel à altura e outros quesitos. Eles têm de mostrar em campo durante as 30 jornadas que são mais poderosos e mais fortes que as restantes equipas do campeonato.

Depois do 1º de Agosto e Petro de Luanda terem visto um intruso, 1º de Maio, a imiscuir-se no despique cerrado que ambas as equipas protagonizaram na década de 80, duas décadas mais tarde estes dois papões do futebol nacional tiveram que “engolir” o surgimento de mais outros três “estranhos” na festa do título: ASA, Sagrada Esperança e Interclube. Na presente década, iniciada em 2010, militares e petrolíferos ainda não fizeram gosto ao sabor do título, facto que de ano para ano vai confirmando que o monopólio que os dois emblemas detinham vai dando lugar a uma maior competitividade na prova, com o aparecimento de mais candidatos, algo que se traduz num maior despique nos últimos anos.   
      
Tendo em conta factores como ranking, plantel, equipa técnica e capacidade administrativa, que de um ou outro modo têm influência directa no desempenho de uma equipa ao longo da prova, elegemos, sem qualquer ordem, cinco equipas das quais acreditamos que uma é, sem dúvida, o campeão nacional do Girabola-2012. Libolo, Kabuscorp, Petro de Luanda, 1º de Agosto e Interclube são os nossos “eleitos” à corrida pelo título.

Libolo
O Recreativo do Libolo é o campeão em título. Não mexeu muito na estrutura da equipa, reforçou-se para as encomendas e tem uma equipa técnica e direcção com competência para a fazer a defesa do prestígio conquistado. Apesar de ter perdido a primeira competição da época, a Supertaça, o Libolo é um dos cinco candidatos à coroa de rei. O facto de estar engajado em três frentes pode ser desvantajoso, sobretudo se não houver capacidade para se construir um plantel equilibrado, que consiga fazer face à Liga dos Campeões, Girabola e Taça de Angola.

Zeca Amaral sabe que o despique este ano é muito mais renhido, a julgar pela competitividade registada no campeonato anterior, em que o título foi discutido até à exaustão, próximo da jornada derradeira. Se quiser fazer a defesa da sua dama tem de fazer mais do que fez no ano passado e não voltar a dar as brechas que deu e correr o risco que correu.
 
KABUSCORP

Pelo espantoso campeonato realizado no ano passado, cujo título lhe escapou por um triz, e pelo investimento feito este ano, o Kabuscorp do Palanca é igualmente uma equipa a ter presente nas contas para o título. O facto de ter mantido a equipa técnica e se ter reforçado com a prata da casa e de fora, com referência para o veterano brasileiro Rivaldo, é sem dúvida um sério aviso de que a turma do Palanca, depois do segundo lugar no campeonato passado não tem outro objectivo que não seja o título do Girabola. O vice-campeão tem a obrigação de justificar o lugar que no ano passado “roubou” a tradicionais candidatos, fazendo um campeonato à altura da expectativa que criou. Pelos indicadores deixados no jogo de apresentação com o Vitória de Setúbal, a equipa de Bento Kangamba parece ter argumentos para estar entre aquelas que vão discutir o título.

 PETRO
Depois da amostra patenteada com a “revolução” operada pelo técnico sérvio Miroslav Maksimovic, o Petro de Luanda, o campeão dos campeões do Girabola, pode este ano voltar a quebrar o jejum de dois anos sem ganhar. om uma equipa na maioria constituída por jovens, auxiliada por alguns jogadores experientes e reforçada por alguns “pesos”, os petrolíferos têm um plantel que pode explodir esta temporada depois de um ano quase de introdução da filosofia do novo técnico, que deixou sinais evidentes de ser um conhecedor do futebol e que promete colocar de novo o Petro no pódio. Os 14 títulos que ostenta falam por si e colocam os tricolores na linha da frente como candidatos naturais. Mas como já o dissemos mais acima, é no campo e durante as 30 jornadas que o Petro de Luanda deve assumir o estatuto de campeão dos campeões.

D’AGOSTO
Taxado como crónico candidato, tal qual o Petro de Luanda, em virtude dos nove títulos que ostenta, o 1º de Agosto uma vez mais procura inverter a tendência de acabar o ano em branco, a julgar pelo longo período que está sem vencer, desde 2006. Com um novo técnico, vários reforços contratados e uma nova direcção, os militares procuram aproveitar este momento de renovação geral do clube para uma nova lufada de ar fresco, o que se traduz no resgate da mística. O facto de carregar a pressão de vencer levou a que os militares, desde a conquista do campeonato de 2006, sob a batuta de Jan Brouwer, enveredassem pela troca constante de treinadores, sendo que a contratação de Romeu Filemon elevou para seis o número de técnicos desde a saída do holandês. Desta vez a mudança surte o efeito desejado? A ver vamos.

INTERCLUBE
Campeão destronado da última temporada, os polícias, depois da conquista do primeiro título nacional em 2007, sob orientação técnica do brasileiro Carlos Mozer, situaram-se sempre entre as equipas do pelotão da frente (os oito primeiros) e passaram a entrar na discussão do título, bisando a proeza em 2010, com o português Álvaro Magalhães à frente do leme. No ano passado, o facto de ter começado o Girabola aos “zigue-zagues” levou a que a direcção demitisse Álvaro Magalhães, apostando no seu compatriota António Caldas, que teve as baterias viradas para as Afrotaças, onde a equipa parecia render mais até à sua eliminação. O quinto lugar no último campeonato não afasta o Interclube da concorrência e o facto de ter começado a época com o pé direito, com a conquista da Supertaça, superando o campeão, é um aviso de que os polícias estão vivos e prontos para mais uma disputa.
Mário Eugénio


Hoje jogo Eu
Os estrangeiros e o nosso “Gira”

Desde que o futebol, à escala mundial, atingiu foros de indústria, movimentando avultadas somas de dinheiro para compra de passes ou transferências de craques, eles passaram a ser mais conhecidos e cobiçados, não apenas nos seus países e campeonatos locais, mas também fora de portas, assediados por grandes e pequenos clubes. É por isso que à dimensão das nossas equipas e do nosso campeonato, já se vê em Angola uma plêiade de jogadores estrangeiros a darem outra expectativa, outra emoção e competitividade ao Girabola.

Este ano temos, por exemplo, um antigo campeão mundial, o brasileiro Rivaldo do Kabuscorp do Palanca, e um actual campeão africano, o zambiano Félix Katongo, no grande Petro de Luanda, para só citar estes. Mas eles não vieram cá parar em vão. A Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), estabelece balizas legais e as federações nacionais adoptam medidas, regulamentos e normas a respeito dessas entradas e saídas de jogadores forasteiros de uma equipa para a outra, de um país para o outro e até mesmo de uma selecção para outra. Neste particular, o nosso Nado Rafael é um exemplo vivo, jogou pela Alemanha e agora pelos Palancas.

Nós vivemos hoje num mundo tido como “aldeia global”, que facilita esses movimentos e transacções de jogadores, numa cadeia de actos muitas vezes mais atiçados por interesses mercantilistas, resultados imediatos. O mundo em que vivemos e o futebol em particular é cada vez mais dinâmico, mas também uma coisa é certa: impõe-se dar primazia aos jogadores nacionais, em vez de se privilegiar mais a “legião” de craques estrangeiros nas nossas equipas. Se assim não acontecer em última instância, acabamos, por exemplo, por ter e ver poucos jogadores jovens nacionais a jogarem. A consequência disto é evidente. Na hora da renovação da selecção, esta, seguramente, perde.

A FAF, pelo menos, parece estar atenta a isto e, assim, gostei de ouvir e depois saber do vice-presidente da Federação, José Luís Prata, que para o Girabola que hoje arranca, a estrutura que dirige o futebol nacional tem em carteira uma regra que só permite a uma equipa, dos 18 atletas inscritos, contar com cinco estrangeiros, isto é, três em campo e dois no banco de suplentes.
António Felix

Prova rola em
nove provincias


Luanda, à semelhança do passado, entra na condição de província mais representativa no Girabola deste ano. A capital do país entra este ano no carrossel do Girabola a desfilar com oito formações. O Interclube, Petro de Luanda, nas vestes de grande papão da festa, 1º de Agosto, Atlético Sport Aviação (ASA), Kabuscorp do Palanca, Benfica, Santos FC e Progresso Associação do Sambizanga são as equipas da capital. As restantes oito províncias que desfilam na prova fazem-se representar por uma única equipa. Benguela tem o Nacional, Kwanza-Sul o campeão em título, Recreativo do Libolo, Namibe o Atlético, Zaire a Académica do Soyo, Cabinda o Sporting, Huambo o Recreativo da Caála, Moxico o FC Bravos e finalmente a Lunda-Norte apresenta-se com o Sagrada Esperança.

As províncias da Huíla, Kwanza-Norte, Bengo, Malange, Bié, Lunda-Sul, Kuando- Kubango, Uíge e do Cunene não se fazem presentes nesta grande festa do Girabola, embora algumas delas reúnam condições para acolher a prova. Esta temporada, a grande festa do futebol nacional é disputada em nove províncias, uma cifra correspondente a 50 por cento no universo das 18 que compõem o território angolano. A fasquia eleva para mais uma província em comparação com 2011. Apesar disso, adivinha-se uma disputa acesa da prova a julgar pelos objectivos que as 16 equipas intervenientes perseguem. Umas com ambições no título, outras, como é óbvio, lutam para conquistar posições medianas e, como não podia deixar de ser, juntam-se aquelas equipas que têm como grande objectivo a manutenção na fina-flor do futebol nacional. A ver vamos.
Sérgio V. Dias   

Huíla com ausência relevante

Outrora apontada como um verdadeiro viveiro no país, a província Huíla marca uma ausência relevante na edição de 2012 do Girabola. Depois de se ter feito presente em 2010 com duas equipas, Clube Desportivo da Huíla (CDH) e Benfica do Lubango, a província viu-se gorada este ano deste objectivo, por causa da má campanha na 2ª Divisão em 2011. Uma onda grande de desalento apossou-se dos adeptos de futebol huilanos, que este ano não podem desfrutar dos jogos do Campeonato Nacional da 1ª Divisão. A tristeza dos huilanos está patente no facto de a cidade do Cristo Rei possuir infra-estruturas que podiam catapultar o desporto-rei na região para o mais alto pedestal.

Este é um quadro que os agentes do futebol na província procuram ultrapassar nas próximas edições do Girabola, para daí se resgatar a mística que a modalidade tinha granjeado no passado. As mudanças que se operam a nível da actual direcção da Associação Provincial Futebol, encabeçada por Fernando Moutinho, deixa antever isso. Na corrida à presidência do órgão que superintende o futebol huilano surge o nome de João Gonçalves, antigo homem do apito. Estamos lembrados que a Huíla viu desfilar nos anos 80 do século XX conjuntos como o “desaparecido” Ferroviário da Huíla, de Mavó, Barbosa, Armindo e tantos outros que faziam furor nos estádios do país, bem como o Desportivo da Chela, hoje Benfica, que já estiveram perto do título do Girabola. Hoje, o futebol da região faz uma verdadeira travessia do deserto.

Angolanos em vantagem
no “banco” das equipas

O Girabola, que hoje dá o pontapé de saída, fica marcado pela vantagem dos técnicos nacionais sobre os estrangeiros no comando das equipas que competem no certame. Com o veterano João Machado na liderança, já leva 26 anos de competição, nove dos 16 treinadores são prata da casa. Um dado que supera o verificado na edição passada, pois apenas sete técnicos nacionais, contra nove estrangeiros, orientaram equipas na competição vencida pelo Recreativo do Libolo, curiosamente com um treinador angolano no seu comando, Zeca Amaral, que havia preterido a Selecção Nacional de honras.

Outra particularidade marca a 34ª edição do Girabola: não há estreia de técnicos, quer nacionais, como estrangeiros, o que significa que todos têm, embora uns mais do que outros, experiência de Primeira Divisão para levar avante as respectivas equipas a bom porto. Dos candidatos ao título da presente edição do Girabola – Recreativo do Libolo, Kabuscorp do Palanca, Petro Atlético de Luanda, 1º de Agosto, Interclube e Recreativo da Caála – apenas a equipa militar e o campeão nacional são treinadas por técnicos angolanos, respectivamente, Romeu Filemon e Zeca Amaral.

As direcções do Kabuscorp do Palanca, Petro Atlético de Luanda, Interclube e Clube Recreativo da Caála optaram por manter no comando técnico das suas equipas, respectivamente, Victor Bondarenko (russo), Miroslav Maksimovic (sérvio), António Caldas e Luís Aires, ambos portugueses. Também orientadas por técnicos portugueses são as formações do Atlético Sport Aviação (ASA) e Nacional de Benguela, esta última regressando à Primeira Divisão 16 anos depois. José Dinis treina os aviadores pelo terceiro ano consecutivo, e Álvaro Magalhães, campeão nacional pelo Interclube, em 2010, comanda o Nacional.

Nacionais 
 A subida da cotação dos técnicos nacionais na Primeira Divisão deveu-se às entradas de Romeu Filemon e David Dias no comando técnico do 1º de Agosto e do Progresso do Sambizanga, em substituição do português Carlos Manuel e do holandês Jan Brouwer, bem como do regresso do Atlético do Namibe à Primeira Divisão, que é treinado por Ernesto Castanheira. João Machado (FC Bravos do Maquis), Mário Calado (Sagrada Esperança), Jorge Humberto Chaves (Benfica de Luanda), José Luís Borges (Santos FC) e Agostinho Tramagal (Académica do Soyo) são os outros técnicos angolanos em destaque no presente Girabola. Do quinteto em referência, apenas Mário Calado e Agostinho Tramagal estão de pedra e cal nas respectivas equipas, pois João Machado tinha sido afastado a meio do Girabola passado do comando técnico.  Jean-Claude Kenzo, do Sporting de Cabinda, representa o Congo Brazzaville no Girabola 2012.
Pedro Augusto 

Pedroto
é o mais titulado

Com cinco títulos conquistados, três ao serviço do Atlético Sport Aviação (ASA) e dois pelo Petro Atlético de Luanda, Bernardino Pedroto é o técnico, entre os 21 que já venceram o Girabola, o mais titulado. O brasileiro António Clemente, com três títulos, segue o treinador português. O categorizado técnico português sagrou-se campeão pelo ASA em 2002, 2003 e 2004, tendo regressado às conquistas em 2008 e 2009, ao serviço do Petro de Luanda. Ndungidi Daniel, Carlos Queirós e Mário de Sousa Calado são os três angolanos que já conquistaram o Campeonato Nacional da Primeira Divisão em duas ocasiões.

Nicola Berardinele, Joaquim Dinis, Severino Carlos “Semica”, Carlos Silva, Osvaldo Saturnino “Jesus” e Zeca Amaral, todos com um título, são os outros técnicos angolanos que já venceram a competição. No historial dos treinadores que já conquistaram o Girabola constam ainda, todos eles estrangeiros, os jugoslavos Ivan Ridanovic, Petar Kzenevic, Dusan Kondic e Goiko Zec, os brasileiros Jorge Ferreira, Djalma Cavalcante e Carlos Mozer, o português Álvaro Magalhães, bem como o moçambicano Rui Rodrigues e o holandês Johannes Brouwer.

Zeca Amaral foi o último a entrar na lista restrita de treinadores angolanos que já subiram ao pódio como campeões do Girabola.
Há mais de uma década a treinar equipas do Campeonato da I Divisão, Zeca Amaral pode dar-se por feliz na “aventura” que o levou às terras de Calulo, onde com o Recreativo do Libolo local chegou ao tão cobiçado troféu em 2012.
SÉRGIO V. DIAS, em Malange

Quadro dos técnicos

Com a presença de quatro portugueses, um sérvio, um congolês de Brazzaville e um russo, os angolanos comandam a lista de técnicos presentes na presente edição do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão. Sem estreias, pois os 16 treinadores já trabalharam no Girabola, a relação e as respectivas nacionalidades é a seguinte:

Treinador  Equipa                                                        Nacionalidade 

Zeca Amara  CR Libolo                                        Angolana
David Dias  Progresso                                         Angolana
Romeu Filemon  1º de Agosto                              Angolana
João Machado  FC do Maquis                               Angolana
Agostinho Tramagal Académica do Soyo                Angolana
Humberto Chaves Benfica de Luanda                    Angolana
Ernesto Castanheira Atlético do Namibe                 Angolana
Mário Calado  Sagrada Esperança                          Angolana
Santos FC  Luís Borges                                         Angolana
António Caldas  Interclube                                    Português
Luís Aires  CR da Caála                                         Português
Álvaro Magalhães  Nacional                                    Português
José Dinis  ASA                                                     Português
Vítor Bondarenko  Kabuscorp                                  Russo
Miroslav Maksimovic Petro de Luanda                     Sérvio
Jean-Claude Kenzo Sporting de Cabinda                 Congolesa

João Machado
comanda “armada”

Com uma folha de serviço que mete inveja, o treinador angolano João Machado é o homem que tem mais presenças no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, Girabola, na condição de técnico principal. O treinador, que já orientou mais de uma dezena de formações, algumas das quais de relevância, como o 1º de Agosto, Sagrada Esperança e Atlético Sport Aviação (ASA), começou a sua missão no ex-Desportivo da Chela (Benfica do Lubango), em 1986, onde classificou a equipa em segundo lugar, tendo perdido o título a favor do 1º de Maio de Benguela.

Machado passou depois pelo ASA, tendo também mantido a equipa aviadora na mó de cima, pois o clube aviador quase que atingia o inédito na altura, que era sagrar-se campeão, mas ficou-se pela Taça. Na sua passagem pelo Sagrada Esperança, João Machado também esteve quase a conquistar o campeonato, mas foi infeliz, ganhando apenas a Supertaça. A seguir foi a vez do 1º de Agosto, equipa em que teve ainda a possibilidade de chegar ao título por via da secretaria, mas acabou por perder a oportunidade, porque o documento que lhe podia dar essa oportunidade chegou tarde à Federação.João Machado passou ainda pelo comando das equipas do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela, FC de Cabinda e Clube Desportivo da Huíla, as duas últimas na temporada passada.            
Augusto Panzo 


Regressados lutam

O Girabola que esta tarde abre “cortinas” assinala o regresso de três equipas que ganharam o direito de integrar a maior manifestação futebolística do país. Sporting de Cabinda, Atlético do Namibe e Nacional de Benguela voltam ao “convívio dos grandes” com objectivos semelhantes. Os três conjuntos assumem o desafio de apresentar argumentos capazes de justificar a permanência no Campeonato Nacional da Primeira Divisão por longos anos. Dos três conjuntos, o Sporting é aquele que menos tempo esteve ausente da competição, tendo sido desqualificado do Girabola em 2010, facto que deve representar motivo de satisfação para toda a massa associativa e corpo directivo do clube sediado no norte do país.

O Atlético (seis anos) e o Nacional (17) estiveram mais tempo ausentes do campeonato, devendo este regresso servir de prova do actual estado das duas equipas, tendo em vista os desafios a que obrigam uma competição como o Girabola, exigente em termos de organização competitiva, financeira e outros. Mas qualquer uma das equipas espelha ter “nascido de novo” para as grandes competições. Prova disso é que os investimentos feitos permitiram ostentar plantéis e técnicos que mostram maior ambição. O Sporting é treinado pelo “carismático” Jean Claude Kenzo, o Atlético pelo jovem promissor Ernesto Castanheira e o Nacional está às ordens do técnico português Álvaro Magalhães. Todos eles já tiveram passagens anteriores pela prova.

HISTÓRIA
O Nacional de Benguela, comparado ao Sporting de Cabinda e Atlético do Namibe, é o clube que se “orgulha” de ter estado presente na primeira edição do principal campeonato de futebol do país, realizada em 1979, quatro anos depois da conquista da independência nacional. O conjunto benguelense, na altura, vinha a cruzar na final com o 1º de Agosto, primeiro campeão nacional, com quem consentiu a derrota de 2-1. Para chegarem à primeira final da história do Girabola estas formações eliminaram a TAAG (actual ASA) e os Palancas do Huambo (hoje Petro do Huambo) nas meias-finais.

Entre os registos destacáveis desse “embrião” do campeonato está a goleada da TAAG de 11-0 sobre o Desportivo de Xangongo do Cunene. Os 14 melhores classificados desta edição constituíram a primeira divisão e o campeonato nos moldes actuais: todos contra todos a duas voltas, sagrando-se campeão o clube que no final soma o maior número de pontos. 1º de Agosto, Nacional de Benguela, TAAG, Palancas do Huambo, Estrela Vermelha (Mambroa), FC do Uíge, Construtores do Uíge, Académica do Lobito, Desportivo da Chela, Ferroviário da Huíla, Diabos Verdes (Sporting de Luanda), Santa Rita, Sassamba da Lunda-Sul e Sagrada Esperança foram as equipas que disputaram a primeira edição da competição.

Luta SC de Cabinda, FC Mbanza Congo, Ginásio do Kuando-Kubango, Xangongo do Cunene, Naval de Porto Amboim, Diabos Negros, Makotas de Malange, Vitória do Bié, Juventude do Kunje e 14 de Abril ficaram apenas na história por terem sido precursores do principal campeonato de Angola.
Paulo Caculo

“Mundunduleno” carece de aprovação

O Estádio “Jonas Kufuna Mundunduleno”, a casa da formação mais activa do leste de Angola e que tem sido um inferno para os visitantes, corre o risco de não testemunhar os primeiros jogos do Girabola, caso o FC Bravos do Maquis não crie as condições exigidas. Fonte do CTD da FAF revela que as balizas do “Mundunduleno” não estão em condições. As mesmas apresentam uma ligeira inclinação e alargamento, o que levou a comissão de inspecção da federação a considerar o estádio não apto para receber jogos do Girabola esta época. Em função disso, a direcção dos maquisardes foi orientada a tratar da questão até pelo menos à entrada da segunda jornada, uma vez que na primeira ronda do Girabola a equipa do FC Bravos do Maquis desloca-se à vila do Soyo ao encontro da Académica local. A.Panzo

Estádios estão preparados
para início da grande festa

O Girabola de 2012, que hoje começa a ser disputado, desenrola-se em 11 estádios das nove províncias que estão representadas na prova, com destaque para Luanda, com três recintos para oito formações. As equipas que se deslocarem a Cabinda, ao encontro do Sporting local, tem como palco de jogos o Estádio do Chiazi, indicado pela direcção do clube como “território” para a disputa das partidas do Girabola. A Académica Petróleos da base do Kwanda, por falta de alternativa na cidade do Soyo, mantém o Estádio dos Imbondeiros como o seu santuário para “abençoar” os adversários.

Face ao maior número de equipas na prova e várias alternativas em termos de estádios, as equipas da cidade capital, com excepção do Interclube, a única com recinto próprio, têm várias opções para recepção dos visitantes. Os Estádios dos Coqueiros, da Cidadela e do 11 de Novembro voltam a albergar jogos do campeonato nacional, dependendo das equipas envolvidas na jornada. Até quinta-feira, as equipas que elegeram o 11 de Novembro como a sua “casa”, aguardavam a luz verde da administração do estádio, uma vez que o piso da relva carecia ainda de um arranjo nas suas balizas, em virtude das mesmas terem sofrido alguma alteração por força das águas.

As balizas estavam mais baixas em relação à altura recomendada pela FIFA, e aquando da vistoria feita pelo Conselho Técnico Desportivo da FAF, este défice continuava, porque o técnico responsável se encontrava no estrangeiro. Para defrontar o Recreativo do Libolo, os adversários têm de provar a sua bravura no relvado do já temível Estádio de Calulo, no alto do bairro Kassequel, da sede municipal do Libolo. O Recreativo da Caála, apesar das várias opções na cidade do Huambo, voltou a eleger o Estádio do Ferrovia como palco predilecto para recepção dos opositores. Em Benguela, o regressado Nacional volta a jogar no Estádio de São Filipe, por sinal sua propriedade, e o Atlético do Namibe elegeu o “Joaquim Morais” para o efeito. O Sagrada Esperança tem como “palco” o estádio do mesmo nome do clube, na cidade do Dundo.
 Augusto Panzo

Rivaldo centraliza atenções

Prestes a completar 40 anos de idade em 19 de Abril, o esquerdino Rivaldo até pode ter perdido muito do fulgor que o fez ser coroado melhor jogador do Universo, antes mesmo de arrebatar o ceptro mundial com o Brasil em 2002, mas ainda mantém o mesmo nome que o tornou célebre nos relvados. É indiscutível que as exibições do brasileiro dão sempre muito pano para mangas, mas como um rei nunca perde a pose é de esperar que o craque Rivaldo puxe dos galões para provar que ainda tem valor real para mostrar serviço no cada vez mais competitivo campeonato angolano.

Quantos golos marcam ele e a equipa? São suficientes para o Kabuscorp conquistar o título nacional? Estas são seguramente questões que muitos querem ver respondidas na prática a partir de amanhã, quando o pentacampeão mundial fizer a sua estreia oficial no Girabola. A par do atractivo Rivaldo existem outros jogadores de quem se espera mundos e fundos, ainda mais porque ao longo dos anos vêm demonstrando que também são “ases” da bola, como fica evidente pelos laivos de inspiração que têm permitido às suas equipas festejar golos, vitórias e campeonato.

O avançado Love cumpriu a sua aparente sina na Selecção Nacional, voltou a passar ao largo de uma grande competição internacional, o CAN’2012, por opção técnica, mas nem por isso as defesas adversárias têm sono tranquilo nesta temporada, pois o prolífico atacante está diante de uma porta larga de oportunidade para estabelecer um recorde por muito tempo, ou seja, sagrar-se melhor marcador do Girabola pela quarta vez, o que a acontecer lhe permite desfazer a parelha do tri com Jesus, de quem herdou o eterno nº 9 do Petro de Luanda.

De nada vale acusar o avançado de ser irregular na marcação de golos, pois o mérito da sua carreira vai além disso. Afinal trata-se de um dos jogadores mais regulares, refinados e competitivos do futebol nacional, mesmo depois de passar a casa dos 30 anos. A 14 do corrente ele atinge a idade de Cristo, sem esquecer as últimas adversidades por que passou a sua carreira, a maior delas a troca do 1º de Agosto para “fugir” do ostracismo a que estava a ser forçado a viver.

Ainda está para durar as discussões em torno do valor real ou nominal do médio Job, mas a grande verdade é que o improviso do seu poder de drible é sem igual em Angola. Às vezes o “puto maravilha” cai na tentação de alegrar mais quem está nas bancadas, mas até mesmo neste particular ele parece demonstrar que tem a mentalidades dos craques, porque não há defesa de pé quando a sua mente é atormentada pelos gritos ensurdecedores de adeptos extasiados com as fintas do seu craque.

MINGUITO
Em franca progressão desde que em 2002 se estreou no seu eterno Interclube, o esquerdino Minguito nem tem precisado suar a camisola nacional para ver o seu nome inscrito no panteão dos craques nacionais. A bem da verdade, o médio só tem mesmo de provar que continua capaz de desatar todos os nós que às vezes amarram a sua equipa na hora de se manter com regularidade no topo do futebol angolano.
Betumeleano Ferrão

Julião Dias enaltece aposta
dos clubes nas camadas jovens

Julião Dias, chefe do departamento de formação do 1º de Agosto, antevê um Girabola equilibrado, em que os candidatos têm imensas dificuldades para suplantarem os adversários, que almejam posições tranquilas. “Acredito que este ano o Girabola pode ser mais competitivo que o anterior, notei uma maior preocupação das equipas no que toca aos reforços. Alguns clubes contrataram jogadores estrangeiro, o que é de louvar, porque vêm dar outro despique a nível das equipas e obriga os nacionais a trabalharem mais.”

Os investimentos feitos pelos clubes abrem o leque de candidatos na conquista do Girabola, “o que é salutar para o futebol nacional, em especial a selecção nacional. O lançamento de muitos jovens para a alta competição é sinónimo de muita coragem dos responsáveis e técnicos dos clubes”, reconheceu. Julião Dias recorda com nostalgia os tempos em que enfrentou os campos de futebol e diz que foram tempos muito diferentes, mas no seu ponto de vista deu para demonstrar um futebol de muita qualidade, embora tivessem jogado por amor à camisola.

“Foram bons tempos, onde pudemos demonstrar boa qualidade de futebol, porque o segredo esteve na formação. Muitos de nós éramos produtos das escolas, aliados a muitos trumunos dos bairros e hoje dificilmente isso acontece, porque existem muitos problemas na formação, desde a falta de espaço nos bairros, escolas para formação, entre outros apoios importantes para o sucesso da modalidade no futuro”, contou. 
Manuel Neto

Dirigente do ASA confiante
em campeonato competitivo

Vicente Neto, director-geral do ASA, perspectiva para esta época um campeonato bastante competitivo. O dirigente aviador justifica tal afirmação pelo facto de notar na maior parte dos clubes uma grande preocupação em reforçarem os plantéis. “Apesar de não ter visto ainda nenhuma equipa a jogar, acredito que temos um campeonato competitivo. Aponto como potenciais candidatos o Recreativo do Libolo, ASA, Kabuscorp e o Interclube, equipas que pelo seu potencial e o investimento que fizeram, o título é a meta traçada. O aspecto técnico destas equipas foi o que mais me despertou a atenção”, disse.

Vicente Neto alerta que a tarefa dos potenciais candidatos não é facilitada pelos seus adversários, que almejam realizar uma campanha sem sobressaltos. “Não obstante o favoritismo destas equipas, a tarefa não é fácil para os candidatos, pois as restantes formações também têm objectivos traçados na competição. A experiência mostra que as pequenas quando enfrentam as grandes agigantam-se. Por isso, caso alguma das grandes andar com a mania de superioridade pode ter grandes dissabores”, avisou. Em relação à organização da prova, advertiu aos dirigentes da federação para agirem com maior transparência. “Gostava de ver tudo melhorado, desde a organização interna dos clubes até ao órgão máximo que rege o futebol, que é a Federação. Por isso, espero que a arbitragem não seja descurada, porque a verdade desportiva depende muito desta classe”, advertiu. 
Manuel Neto

Katongo e Chileschi

A Zâmbia ainda permanece encantada com a conquista do título africano, o que evidencia bem que a sua fábrica de bons jogadores voltou a produzir em fartura até para o Girabola, como fica evidente pela presença entre nós dos centro-campistas Félix Katongo, campeão continental que regressou ao Petro de Luanda, e Chileschi, no 1º de Agosto. Do primeiro preferimos esperar para ver, mas a escrita muda de tom quando se trata de falar do seu compatriota, cujos bons desempenhos reúnem muito consenso entre os adeptos militares. A boa visão de jogo de Chileschi é o sangue que corre nas veias do 1º de Agosto.

Afinal a diferença entre o bom e o mau desempenho em campo dos rubro-negros tem dependido muito nas últimas duas épocas da boa ou má qualidade de passe do seu “general” da bola. Falta mencionar mais algum craque? A resposta pode parecer óbvia para quem a der. Mas num universo de centenas de jogadores, entre os quais se destaca um punhado com qualidade acima da média, nem sempre é possível colocar todos lado a lado na mesma página. BF