Jornal dos Desportos

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Girabola

Girabola alarga geografia

Matias Adriano - 27 de Dezembro, 2020

Campeonato nacional volta em aco a partir de amanh depois do longo defeso verificado

Fotografia: Paulo Mulaza | Edies Novembro

A bola, esta coisa redonda caprichosa, volta a rolar, amanhã, no Campeonato Nacional de futebol da primeira divisão. É o regresso do Girabola às quadras, sem a magnitude habitual, porque tudo ocorre  numa condição incomparável  a que marcou as edições anteriores. Será, talvez, o Girabola possível num contexto extremamente difícil.
Afinal em obediência às regras de combate à Covid-19, pandemia que virou a vida dos humanos, quase na ordem de 360 graus,  desde a sua primeira edição, teremos, pelo menos na primeira fase, um campeonato sem público, visto pela TV, longe da fanfarra de costume. Vai ser, realmente, diferente.
Há uma pergunta, quase recorrente, em todos os inícios de campeonato. Quantas, das 18 províncias do esquema geográfico de Angola, estão presentes na competição. É que na verdade, longe do espírito que norteou a realização da primeira edição, assistimos, ultimamente,  a um campeonato mais centralizado.
De resto, uma ou outra vez, a competição chegou a envolver dez províncias. Em regra, são oito ou nove,   o que em termos matemáticos representa metade do país. O resto intervém na prova não de forma activa, mas na de mera condição de observador, sem qualquer representatividade.
Em resumo, pode dizer-se que até hoje, quase 41 anos depois, só tivemos um campeonato de expressão nacional, no sentido autêntico da palavra. Foi em 1979, sob o lema “Girabola Factor de Unidade Nacional”, em que tivemos as 16 províncias, na época o Bengo não existia como tal e a Lunda era só uma. A bola rolou pelo país inteiro. Depois, da adopção do actual figurino, tudo mudou.
Quanto ao Girabola que amanhã dá o pontapé de saída, temos onze províncias a competir. Portanto, mais que metade do país, o que já é muito positivo. Por isso, apesar de o passo ter sido tímido, demo-nos  por felizes, porque edições já houve disputadas por apenas oito províncias. Não tivessem o Porcelana do Cuanza-Norte e o Domant de Bula Atumba descido de divisão, tínhamos 13, o que seria um recorde.
Lunda-Sul ,Cuanza-Norte, Namibe, Bengo, Zaire, Bié e Cunene estão fora da prova. Aliás, esta última, desde a primeira edição em 1979, que não voltou a pisar os grandes palcos do futebol. Dela ficaram apenas as lembranças do Desportivo de Xangongo. Quem se lembra?
Seja como for, não perde a prova o seu estatuto nacional. Gostavamos que tivesse mais representatividade. A ausência, quase eterna, do Cunene, penaliza as suas populações. As gentes de Xangongo, Ombadja, Ondjiva e de outras localidades da província, bem que gostavam de viver o Girabola de perto. Claro está que a televisão de bandeira  faz lá chegar os jogos, mas ainda assim, não é a mesma coisa. Se bem que agora será para todos por causa da Covid-19.
Entretanto, neste quadro geográfico, Luanda continua a ditar as regras. Ou seja, continua a ter mais representatividade. Mesmo sem o Benfica, FC Kabuscorp, ASA e Santos FC , tem quatro equipas, nomeadamente, 1º de Agosto, Petro de Luanda, Interclube e Progresso Sambizanga, o que representa 25 por cento.  Mesmo assim, reconheça-se já houve alguma evolução. Pois, já tivemos edições em que a capital do país esteve representada em 50 por cento.
Haja crença, que um dia quando o país se refazer das teias da recessão económica, e de outros clichés conjunturais, possamos ter um Girabola mais nacional, em que mais províncias tenham participação. Por enquanto, este é o quadro geográfico possível. Vamos ao trumuno…