Jornal dos Desportos

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Girabola

Girabola carece de bons avançados

Armando Sapalo, no Ndundo - 20 de Novembro, 2017

Turco-alemão diz não ser muito favorável a contratação de jogadores estrangeiros

Fotografia: Ja Imagens, Edições Novembro

Os clubes angolanos devem investir mais na formação de jogadores para que o  Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, Girabola Zap, tenha muitos mais talentos, principalmente avançados, à semelhança dos revelados nas épocas de 2015 e 2016, como é o caso de Gelson Dala, ex-1º de Agosto, actualmente no Sporting Clube de Portugal. A constatação é do treinador do Sagrada Esperança, Ekrem Asma, em entrevista concedida há dias ao Jornal dos Desportos.
De acordo com o treinador diamantífero, a sua equipa, terceira classificada do Girabola Zap 2017, fez a temporada com apenas dois avançados, porém, não revelaram grande capacidade, o que tornou difícil as coisas para os lundas, pois se o plantel tivesse dianteiros fogosos, como por exemplo Gerson Dala, a classificação poderia ter sido melhor.
\"Eu no Sagrada Esperança joguei com dois avançados angolanos, mas que não revelaram grande capacidade. Não estou a questionar a qualidade dos meus avançados mas é a verdade. Penso que é isso que faltou. Me diz a nível dos Girabola, três ou quatros bons avançados angolanos? Me diz os nomes para ver se eu concordo! O único grande avançado que todos nós até agora nos lembramos é o miúdo Gelson Dala, que agora está no Sporting de Portugal. Por isso no Girabola falta bons avançados\", disse.
Com base nisso, segundo o turco-alemão, os treinadores têm a responsabilidade desse desafio e rejeita a contratação em massa de estrangeiros para essa posição. Aliás, Ekrem Asma defende maior trabalho com os jovens angolanos.
\"Nós, os treinadores, é que devemos assumir esse desafio. Isso precisa tempo, trabalho psicológico, técnico, táctico e disciplinar. Em Angola só falta bons avançados. Eu não sou muito de trazer estrangeiros, defendo que devemos trabalhar os jovens angolanos com talento que o Gelson Dala nos revelou. Temos de investir mais em jogadores angolanos\", referiu. 
Questionado se o Sagrada Esperança poderia ter feiro mais no campeonato que consagrou o 1º de Agosto como campeão nacional, Ekrem Asma realçou o facto de a sua equipa ter terminado a competição com pouca diferença em relação aos militares e por ter faltado pontaria ao ataque diamantífero. 
\"Nós (Sagrada Esperança) não terminámos o campeonato com uma grande diferença em relação ao 1º de Agosto, ficámos separados apenas por quatro vitórias. Por isso acredito que caso eu fique, a direcção vai trazer-me os jogadores que preciso. Disse em Julho deste ano, que o Sagrada Esperança precisava de dois bons avançados e podia ser campeão. Acabámos  a primeira volta com 29 pontos, atrás do 1º de Agosto e do Petro de Luanda, com menos três. Eu cheguei a pensar que era possível (ser campeão), porque estávamos a defender bem, então só precisávamos de avançados, porque marcámos poucos golos na altura. Se marcássemos mais dez golos, tudo seria possível, já era tarde\", sustentou.

 DO 1º DE AGOSTO
Asma nega ter recebido convite


O treinador do Sagrada Esperança, Ekrem Asma, que levou a equipa diamantífera ao topo (3º lugar) do Girabola Zap 2017, 12 anos depois da sua última melhor classificação, em 2005, ano em que foi campeão nacional com o técnico angolano Mário Calado, disse ao Jornal dos Desportos que em momento alguns chegou a ser abordado pelos dirigentes do 1º de Agosto para substituir o bósnio Dragan Jovic que deixou o clube por motivos de saúde. 
\"Eu não sei nada em termos práticos. Gostei porque o 1º de Agosto é sempre 1º de Agosto. Aqui em Angola existem três, quatro a cinco equipas que qualquer treinador gostaria orientar. Já disse que estou feliz no Sagrada Esperança e não preciso de outro clube. Qualquer decisão contrária é minha obrigação comunicar à direcção do Sagrada Esperança. Tenho boas condições para trabalhar. Tenho um estádio à disposição, salários, prémios de jogo, contrato e vivo numa cidade verde e tranquila, onde no clube trabalho com pessoas sérias\", disse.
Ainda assim, Ekrem Asma avançou que todo profissional quer sempre grandes desafios e se os militares avançarem com uma proposta vai ver, mas a sua prioridade é mesmo o Sagrada Esperança, pois quer sem campeão no próximo ano.
\"Vamos ver. Se for boa para o meu futuro porque não? Enquanto profissionais queremos mais desafios. Por agora quero ficar no Sagrada Esperança para ser campeão. Cheguei de receber duas mensagens de dois clubes, mas eu não aceitei, porque estou bem no Sagrada Esperança.  Eu tenho muito respeito pelo meu actual clube\", sustentou.
Questionado se um desses clubes é o 1º de Agosto a resposta foi directa: 
\"Não. Garanto que não foi o 1 º de Agosto\", terminou.

CONSTATAÇÃO
“Descida do ASA não constitui surpresa”


A descida de divisão do histórico Atlético Sport Aviação (ASA), 38 edições depois da disputa do primeiro Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, em 1979, não constitui surpresa para o treinador do Sagrada Esperança, Ekrem Asma, pois, como fez questão de dizer ao Jornal dos Desportos, há muito que tem faltado planificação ao grémio do aeroporto. 
A situação vivida pelo ASA, segundo ainda Ekrem Asma, poderá se repetir na próxima época com quatro equipas (não revelou quais), pois têm igualmente demonstrado falta de organização e condições financeiras, o que prejudica a competição.
\"Desculpa eu dizer isso, mas em 2018, corre-se o risco de quatro equipas descerem de divisão. Três vão descer devido à sua classificação, mas outras podem seguir por falta de organização. O ASA, o que é muito triste para nós, desceu. Onde está a surpresa? Não há! Faltou organização e seriedade. Como é possível numa equipa os jogadores reclamam falta de salários, mas consegue viajar para fazer jogo noutra província? As viagens custam muito dinheiro paras as equipas. Isso aconteceu com o Recreativo da Caála e outras equipas. É triste porque prejudica a verdade desportiva do campeonato. O ASA não tem um campo para realizar treinos. Trabalha numa relva sintética. Para mim, relva sintética não tem diferença com asfalto. O ASA desceu porque faltou planificação\", disse.
Ekrem Asma que viveu igual situação nas épocas em que treinou a Académica do Lobito, disse que a contratação de jogadores jovens acaba por beneficiar o próprio clube, contrariamente aos mais experientes que exigem muitos bens materiais e excelentes contrapartidas financeiras.
\"Enquanto treinador da Académica do Lobito, em 2013 e 2014, eu sugeri ao presidente que só podia ter um plantel de 20 jogadores jovens, com poucas exigências materiais e financeiras. Quando você contrata jogador mais velho, terás muitos problemas porque ele também (jogador) tem muitos. É o caso do ASA que só contratou jogadores com mais de 29 anos e bastante exigentes porque eles só querem dinheiro\", sublinhou.
Para o treinador turco-alemão, o fim da triste situação que muitas equipas atravessam no Girabola Zap, ano após ano, passa por uma boa planificação antes da decisão em competir na primeira divisão.
\"Para mim, o que deve ser feito para se pôr fim a essa situação, os clubes devem planificar bem antes de assumirem o compromisso de participar no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira  Divisão\", sublinhou.                           AS