Jornal dos Desportos

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Girabola

Guarda-Redes do ASA rejeita fracasso

Augusto Panzo - 04 de Maio, 2016

Guarda-redes do ASA descarta pensar duas vezes no caso de proposta do campeo nacional

Fotografia: Jos Soares

O Atlético Sport Aviação (ASA) está a fazer uma campanha sofrível no Girabola Zap 2016. Os aviadores, em dez jogos, venceram três e perderam sete. Os nove pontos obtidos, coloca a equipa na 15ª posição (penúltima) do campeonato. Apesar do mau momento que o plantel atravessa, o guarda-redes Maguette rejeita falar em fracasso e acredita na reviravolta.

O senegalês contratado em Junho do ano passado à equipa do Sporting de Praia, de Cabo Verde, é de opinião que ninguém no plantel às ordens deve baixar a cabeça. "Toda a gente está consciente dos resultados que o ASA está a ter nos últimos tempos (no Girabola Zap 2016). Isso nos diz que não podemos baixar a cabeça. Somos jogadores, tal como já o disse antes e no futebol há os altos e baixos. Temos que juntar os esforços, para corrigirmos o que está errado e suplantar as nossas falhas", disse.

Maguette está convicto de que o número de jornadas em falta - 20 - dá garantias para contornar a situação critica em que a equipa se encontra no campeonato.
"Ainda há tempo de recuperarmos os pontos perdidos e acredito que vamos conseguir mudar o quadro nos próximos jogos. O Girabola é um campeonato longo e ainda estamos quase a meio da prova", realçou.

O facto de ser guarda-redes titular de uma equipa que tem somando muitas derrotas no campeonato, nem por isso inibe Maguette em trabalhar mais e acreditar no seu sucesso e do grupo.

"Defendo a baliza do ASA com muita honra, mesmo sabendo que o clube está a viver um momento financeiro menos bom. Quando visto a camisola do ASA, sinto-me muito responsável, porque sei que tenho um compromisso com este clube. Tenho um contrato que me liga a esse clube. Daí que, devo fazer tudo, para que não deva nada ao ASA. É por isso que quando vou para a baliza, entro com todas as cautelas, não importando nos jogos que ganhámos ou perdemos. O essencial para mim é fazer o meu jogo", realçou.

O guarda-redes senegalês diz não sentir medo do peso da camisola do ASA. Para ele, a experiência que tem dos campeonatos anteriores e das competições africanas, dão-lhe bastante confiança para fazer um bom trabalho e ajudar a equipa a atingir os seus objectivos.   

"Respeito a camisola do ASA, porque é o meu clube. Não tenho medo do seu peso, porque carrego uma certa experiência neste tipo de andanças. Tal como lhe disse, já joguei na Liga dos Campeões e noutras competições africanas, e então tenho alguma calma neste tipo de coisas. O ASA é um clube a quem devo muito, por me ter dado a oportunidade de vir a Angola mostrar o meu talento", referiu.

AMBIÇÃO
"Qualquer atleta almeja jogar no Libolo"


O guarda-redes do Atlético Sport Aviação (ASA), Maguette, assegurou há dias, em entrevista ao Jornal dos Desportos, que não pensava duas vezes caso recebesse uma proposta para representar a equipa do Recreativo do Libolo.

O senegalês que chegou ao ASA ao meio da temporada passada e conquistou a titularidade, fundamentou pelo facto do tetra-campeão nacional ser um clube organizado e habituado a conquistar títulos. 

"Em Angola, o Recreativo do Libolo é uma equipa como o Barcelona, na Europa, onde todo e qualquer atleta almeja jogar, porque é uma grande equipa. É a campeã em título. Não tive contactos com os dirigentes desse clube (Libolo). Como disse anteriormente, aguardo por propostas, sejam elas de equipas de Luanda ou do interior. É tudo quanto posso  dizer-lhe, se houver uma proposta dessa equipa para mim, não vou olhar para atrás. Não vou reflectir duas vezes", disse.

Maguette teve propostas para trocar de equipa após o termino da época de 2015, mas na altura preferiu abraçar o projecto do Atlético Sport Aviação (ASA), clube que o trouxe a Angola.

O atleta aviador começou a carreira futebolística na equipa senegalesa do Gedjaway Football Club, da primeira divisão, onde jogou igualmente no escalão de seniores, foi tetra-campeão pelo Sporting da Praia, de Cabo Verde, de onde saiu para representar os aviadores.

"A minha ida a Cabo Verde  deveu-se a necessidade urgente que a equipa do Sporting de Praia tinha de um guarda-redes muito firme e seguro, porque tinha de participar na Taça dos Clubes Campeões de África. Nisso, a direcção daquele clube tinham enviado "olheiros" ao Senegal, a fim de pesquisar o mercado. Foi assim que fui descoberto e levado ao Sporting Clube de Praia. Joguei a primeira época e sagrei-me o melhor guarda-redes do campeonato cabo-verdiano.

 Na época seguinte, conseguimos participar na Liga dos Campeões, onde eliminámos a formação do FAR Rabat de Marrocos, defrontámos e vencemos igualmente a equipa do Interclube de Angola na primeira-mão, mas ficámos pelo caminho, porque perdemos aqui o jogo da segunda-mão em 2008, com um golo apontado aos 94 minutos, numa jogada em que a arbitragem teve a sua "mão mágica", disse.      

CONSTATAÇÃO
"Arbitragem
deve melhorar"


O jogo 1º de Maio de Benguela - Atlético Sport Aviação (ASA), referente à oitava jornada do Girabola Zap 2016, disputado no estádio Edelfride Costa, com vitória dos proletários por 2-1, à semelhança do disputado pelo Sporting de Praia (anterior equipa) com o Interclube, para as Afrotaças, vai ficar marcado na carreira do guarda-redes Maguette. O senegalês chorou por considerar que o árbitro havia prejudicado os aviadores.

"Quando fomos eliminados das Afrotaças, chorei naquele dia, como fiz no jogo com o 1º de Maio, devido à batota descarada da equipa de arbitragem", disse.
Com base nisso, Maguette  espera que as coisas mudem, porque o problema das más arbitragens não é só de Angola.

"Vou só lhe contar uma cena que vivi nas competições africanas. Estávamos em pleno jogo, quando o trio de árbitros começou a falar em árabe que deviam prejudicar a nossa equipa, em benefício da formação adversária, que era da região do Magreb. Eu ouvi aquilo e contra-ataquei, em árabe e eles aperceberam-se que eu sabia falar a língua deles.

Ficaram espantados e com muito medo. Infelizmente não sabia onde me dirigir, para apresentar a minha preocupação com relação a esse assunto. Então, esse problema não é apenas de Angola. É um problema africano, mas com mais relevância em Angola", sustentou.

PERFIL
Nome: El Adj Maguette
Naturalidade: Dakar/Senegal
Nacionalidade: Senegalesa
Data de nascimento: 15 de Março de 1986
Estado civil: Solteiro
Filhos: 1
Profissão: Jogador de futebol
Posição: Guarda-redes
Clube actual: Atlético Sport Aviação (ASA)
Clubes anteriores: Gedjaway FC do Senegal e Sporting Clube da Praia (Cabo Verde)