Jornal dos Desportos

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Girabola

guias do Huambo voam com goleada histrica

Betumeleano Ferro - 09 de Dezembro, 2019

Fotografia: Arquivo Edies Novembro

A maior goleada do Girabola ocorreu no dia 22 de Dezembro de 1990 no estádio das Cacilhas, mas sem a assinatura de nenhum nome pesado do nosso futebol. Que o leitor fixe bem na mente os 12-0, que  o esquecido Benfica do Huambo aplicou à formação do Sassamba da Lunda Sul.
As águias, que na primeira edição do campeonato estiveram inseridas na série D com o nome de Estrela Vermelha, curiosamente Jonas Savimbi era patrono duma equipa na Jamba com o mesmo nome, em 1980 mudaram a denominação para Mambrôa, em alusão a broa, até que por fim voltaram à primeira forma. O gigante adormecido do Huambo esperou pela última jornada, 26ª, do campeonato mais longo de que há memória, para estabelecer o recorde da maior goleada do campeonato.
O receio dos pais do futebol angolano reduziu, é verdade, o tamanho das goleadas no campeonato, mas  a mudança dos moldes de disputa, que acabou por originar o formato actual, foi incapaz de parar o rumo da história. Em 1979, o mal foi repartido pelas aldeias para que o desporto rei fosse o factor de unidade nacional entre as 16 províncias então existentes, os 24 participantes foram repartidos em quatro séries com seis equipas cada que jogariam entre si a duas, mas o apressado comeu cru ao pensar que a inovação, 14 equipas no sistema de todos contra todos, evitaria a partir de 1980 os resultados gordurosos.
A ideia de mudar parecia ter razão de ser, nas 4 séries da inédita edição de 1979 aconteceram resultados bem desnivelados que levaram ao ledo engano de mudar para melhorar. À guisa de exemplo, durante a fase de grupos na qual cada equipa fez 10 jogos, o ataque devastador do 1º de Agosto fez 48 golos, mais 11 que a TAAG, hoje ASA, veio a seguir com 37.
Os militares entraram à matar no campeonato, na primeira jornada dispararam 6-1 ao Luta Sport Club de Cabinda, na segunda 8-0 ao FC de M´banza Congo. Ainda assim, o 1º de Agosto ficou com motivos de queixas pois o seu passeio invicto na série A ficou ofuscado pelo Desportivo do Xangongo, Cunene, bombo de festa de boa e má e memória, que no grupo D tocou bem alto nas mãos do adversário.
Qual vítima em série, na 5ª o Desportivo do Xangongo permitiu aos Diabos Verdes, hoje Sporting de Luanda, igualar o recorde de 8-0 dos militares, na ronda a seguinte a equipa do Cunene foi às Cacilhas perder 7-2 com o Estrela Vermelha, para na 7ª permitir a TAAG entrar na onda para estabelecer nova marca na prova, 11-0!
O renovado Girabola de 1980 teve 13 remanescentes da primeira edição mais o estreante Sagrada Esperança, em representação da Lunda Norte, as lundas foram dividas em norte e sul em 1979 na primeira divisão política-administrativa da República Popular de Angola, talvez isso ajude a perceber por que ainda perdurou o vício das goleadas.
À guisa de exemplo, o 1º de Agosto foi como o sedento no deserto, despachou o Desportivo Chela, actual Benfica do Lubango, por 7-0, deu uma modesta mão cheia, 5-0, ao Construção e Habitação, 6-0 aos Palancas, rondas depois os militares aumentaram o poder de fogo para acertar 9-0 ao Sassamba da Lunda Sul, até que por fim a artilharia militar desbaratou o Welwitschia do Namibe por 11-0, sendo essa a goleada das goleadas aplicada pelo 1º de Agosto no campeonato.
Os demais competidores não se limitaram a ver o que parecia treino da artilharia militar, ora a TAAG justificou a alcunha de aviadores para deixar cair três goleadas estrondosas de 6-0 sobre os Palancas do Huambo, 11-2 ao Sassamba da Lunda Sul e 9-0 ao Welwitschia. Como o bar estava mesmo aberto, o Mambrôa, ex-Estrela Vermelha, também entrou no regabofe para brindar 8-1 a Construção e Habitação, mais tarde Construtores do Uige, a Académica do Lobito deu 7-1 ao Desportivo da Chela.
Num abrir e fechar de olhos, a partir da edição de 1981, as goleadas com mais de cinco golos de diferença começaram a se tornar raridade no Girabola, até que numa tarde ensolarada de domingo de 1986 a TAAG, que lutava para não descer, causou polémica no estádio dos Coqueiros com o seu 10-1 sobre o Ferroviário, sob o olhar atento do autor destas linhas.