Jornal dos Desportos

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Girabola

guias famintas "trituram" militares

Paulo Caculo - 23 de Abril, 2016

Benquistas tiveram arte e engenho para tirarem os huilanos da segunda posio

Fotografia: Jos Soares

O sensacional Clube Desportivo da Huíla, bastante irreconhecível, mostrou-se ontem incapaz para evitar uma surpreendente goleada, por 4-0, diante de um Benfica de Luanda endiabrado e demolidor, no estádio 11 de Novembro, em desafio da nona jornada.

Num jogo com duas partes distintas, não admirou que a jogar em casa, embora sem o apoio que se esperava dos adeptos, as águias tivessem a iniciativa, chamassem a si o domínio dos primeiros instantes da partida e acabassem também com alguma naturalidade, destreza e criatividade chegar à baliza do conjunto huilano e provocar sérios calafrios ao adversário.

O ímpeto ofensivo muito bem conseguido pela equipa às ordens de Zeca Amaral durou cerca de 19 minutos, pois à passagem desse período o Desportivo equilibrou a contenda, já que passou a ganhar espaços importantes em terrenos recuados dos donos da casa. E contribuiu para tal a grande qualidade e voluntarismo espelhado pelo tridente composto por Kembua, Dani Traça e Kumaca.

A despeito das equipas terem partilhado durante quase toda a primeira parte a posse de bola e a criação de oportunidades de golo, é bom que se diga, também, que nem por isso os guarda-redes tiveram trabalho nesse período, pois limitaram-se mais a assistir do que propriamente a intervir nas jogadas, dada a inoperância atacante evidenciada por ambos os conjuntos.

Com o jogo a correr sem a velocidade que se esperava, acabou sendo numa clara situação de contra-corrente que o Benfica chegou ao golo, após um cabeceamento de Amaro para o coração da área, com a bola a ressaltar, antes de Jeferson surgir e surpreender toda a defesa do Desportivo para fazer o 1-0, aos 18´.

O Desportivo não abanou com o golo sofrido e teve uma pronta resposta. Como prova disso, quatro minutos depois Bruno podia ter chegado ao golo do empate, aos 22´, mas o remate forte e violento é muito mal direccionado. Pese a postura destemida da turma às ordens de Ivo Traça, continuava a pertencer aos encarnados as melhores situações de golo e o maior volume de jogo. O trio composto por Hélio, Savane e Vado criava enormes dores-de-cabeça aos centrais do Desportivo. Macaia, antes do intervalo, falhou à boca da baliza, desperdiçando mais uma soberana oportunidade para as águias. Na segunda parte o Desportivo voltou muito mais disposto a inverter o resultado. Ivo Traça fez duas substituições numa só assentada e a equipa ganhou “sangue novo” e força anímica para partir de assalto ao golo da igualdade. A verdade é que a nova dinâmica imprimida pelos huilanos ao seu futebol, obrigou os encarnados a recuarem.

Dada à subida do Desportivo no terreno, Zeca Amaral teve de reforçar o sector defensivo para evitar sofrer riscos desnecessários, facto que deixou o conjunto encarnado com mais unidades no sector mais recuado. Mas, ao contrário da equipa huilano que se mostrava menos pragmática e eficaz, aos 19´, às águias voltam a dilatar a vantagem, por intermédio de Hélio Roque, numa jogada com grande mérito para o cruzamento de Amaro.

E, diga-se que o segundo golo do Benfica acabou por arrumar completamente com as forças que ainda estavam ao Desportivo, pois depois a defesa dos forasteiros passou a ser um autêntico tapete vermelho para os avançados encarnados, que confirmaram a atitude avassaladora, ao fazer o terceiro por Bena, aos 77´, e três minutos depois quarto golo, aos 80', por Amido Baldé.
O trio de arbitragem encabeçado por António Dungula realizou um trabalho digno de realce.


OPINIÕES


Zeca Amaral  (Benfica)
Estivemos muito bem


“Depois de ganhar este jogo (diante do Desportivo da Huíla) podemos dizer que a nossa estratégia surtiu os efeitos desejados. Foi um bom jogo, sempre bem disputado até dilatarmos o marcador. As vezes não conseguimos ser muito eficientes e hoje (ontem) fizemos quatro golos. Estivemos a um bom nível, particularmente no quesito finalização”


Ivo traça  (Desportivo)
Mérito ao Benfica


“Não foi devido ao cansaço que perdemos este jogo. Já chegámos várias vezes no dia do jogo e estivemos bem. Treinámos muitas bolas paradas e a nossa desgraça foi nas bolas paradas. Os jogadores não tiveram muito bem, não tiveram atentos nas marcações e perdemos. Na segunda parte, em que estávamos a renascer no jogo, voltamos a  sofrer. Mérito para o Benfica e temos de ver os erros. Não estivemos bem”