Jornal dos Desportos

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Girabola

Hlder Martins atento Final

Betumeleano Fer?o - 16 de Fevereiro, 2017

O juiz angolano vai fazer a sua estreia no africano de juniores e este um dos motivos por que ele tencionava ter boas recordaes

Fotografia: Jos Cola

O árbitro internacional Hélder Martins revelou na terça-feira, ao Jornal dos Desportos, que a ambição de apitar a final do CAN de Sub-20 que vai decorrer na Zâmbia, de 26 do corrente a 12 de Março. "Nunca é demais sonhar com esta possibilidade, vamos ver como as coisas vão acontecer durante a competição, para mim, as meias-finais também seriam satisfatórias, a meta principal que vou perseguir é a final", mostrou-se optimista o juiz angolano.

O juiz vai fazer a estreia no africano de juniores, e este, é um dos motivos por que tencionava ter boas recordações da sua primeira presença no campeonato. "Se acontecer, vai  ser ouro sobre azul,  porque o CAN de Sub-20 é o único que falta no meu currículo, ser nomeado para a final era mais-valia na minha carreira", assegurou.

A lista de árbitros para o africano da Zâmbia tem muitos nomes conhecidos de Hélder Martins, com base no conhecimento que tem dos colegas. O árbitro mostra-se convicto de que vai precisar de estar sempre em bom plano para superar a concorrência. "Eu conheço bem quase todos os que vão apitar, existem muitos bons árbitros indicados pela CAF, muitos deles são muito competentes, nas minhas contas há uns 3/4 para além de mim, com potencial para chegar a final", garantiu.

A qualidade dos árbitros indicados para o CAN vai forçar Hélder Martins "a estar sempre em bom plano", em todos os jogos. O angolano anseia estar presente no último jogo do campeonato, mas com o apito na boca. "Não vai ser fácil porque há outros capazes de fazer a final, um deles é o meu colega de Marrocos, mas vou trabalhar muito para ver se atinjo a minha meta", vaticinou.

O árbitro já é uma referência no apito continental, faz parte da Elite A da CAF, mas ele percebe que precisa de  recuperar alguns marcos que estabeleceu no passado. "Eu, no meu currículo tenho uma final do CAN de Sub-17, foi em 2015, também fiz uma final da COSAFA, agora vamos ver se consigo chegar a mais uma final", augurou.

A ausência de árbitros assistentes angolanos, de modo algum vai diminuir a ambição de Hélder Martins, ele reconhece que o auxílio de compatriotas ia facilitar a rotina, mas as circunstâncias vão ser as mesmas para todos.

"Infelizmente, vou trabalhar com assistentes de outros países, está claro que seria melhor se tivesse ao meu lado colegas angolanos, mas isto não vai atrapalhar, vou adaptar-me, até porque há uns que fizeram o curso comigo o ano passado, há outros que estiveram comigo no CAN de Sub-17", concluiu.

APÓS  LESÃO
Juiz  tenta relançar carreira internacional


A paragem forçada por lesão, fez Hélder Martins perder espaço na arbitragem continental, e corre contra o tempo para voltar a apitar num africano de seniores.

"Infelizmente, depois de recuperar da cirurgia, fiquei dois anos sem receber nenhuma nomeação para os  jogos internacionais, mas há um tempo que voltei a estar em ascensão, tenciono voltar a estar num CAN de honras", apontou sem mencionar 2019, data do próximo africano.

O juiz estava bem lançado, quando a lesão  estorvou todos os planos, foi obrigado a recomeçar do zero para construir de novo a carreira. Devido a tal situação, conta que "por causa da cirurgia, tive de regressar à  Elite B da CAF, mas as coisas têm corrido bem, porque depois de vários bons desempenhos, o último dos quais na Taça COSAFA,  deram-me de novo a chance de voltar para a Elite A".

O CAN de Sub-20, na Zâmbia, é capaz de ser a última barreira que separa Hélder Martins da ambição de voltar à maior montra do futebol continental. O árbitro vaticina  "a minha meta é aproveitar ao máximo, mais esta oportunidade, vou dar tudo de mim com a máxima competência, para merecer a preferência da CAF, quem sabe não me dão de novo a chance de apitar num CAN de seniores".

O árbitro vai ao CAN sem rodagem, apenas no sábado dia 18, ele vai apitar pela primeira vez no ano na Taça da Confederação, o jogo de entre o União Desportiva do Songo e o Platinium Stars FC. "A falta de jogos é capaz de condicionar  50 por cento. Isto, é como tudo, quanto mais jogos,  mais rodagem, as coisas ficam mais fáceis porque o ritmo também é outro, mas  luto para contornar este problema"                     
BF

BOA FORMA
Juiz aprimora o físico para brilhar em Maputo

Para voltar a fazer uma boa campanha no CAN de Sub-20, Hélder Martins traçou a sua meta, para tal, o juiz internacional angolano estabeleceu duas prioridades. A mais importante é a parte física.

 "Uma boa arbitragem é uma conjugação de vários factores, mas a componente física é 80 por cento da chave do sucesso, é das coisas que devem ser mais bem trabalhadas para termos um desempenho aceitável", argumentou.Tão logo tomou conhecimento da escolha, Hélder Martins caprichou na preparação física, ao lado de um especialista espanhol afecto a Academia de Futebol de Angola. No sábado, em Maputo, além de liderar o quarteto angolano, Júlio Lemos e Ivanildo Lopes que vão ser árbitros assistentes, João Goma é o 4º. árbitro, ele também vai aproveitar a ocasião para fazer o teste final da sua preparação.

"Ainda na terça-feira  falei com o preparador físico sobre esta possibilidade", reconheceu Hélder Martins, e acrescentou que " desde que há um mês que soube da nomeação para o CAN que estou a treinar, agora, tenho este jogo da Taça da Confederação para fazer uma avaliação final, vamos ver onde precisamos mais de melhorar,  depois de 30 dias de trabalho intenso".

A componente técnica e táctica também são importantes para o árbitro, mas diz que depende da variante física, porque sem ela, o árbitro não tem como acompanhar as jogadas de perto, tampouco  admoestar os jogadores quando cometem entradas duras.

O árbitro afirmou que há jogos que são muito duros de dirigir, pelo que costuma privilegiar os aspectos físicos, para realizar uma arbitragem isenta de erros. Por exemplo, disse que em provas como o CAN, os árbitros não têm acesso aos relatórios dos comissários, ao contrário do que sucede no Girbola, em que os árbitros podem ver  onde falharam e como fazer para corrigir.
BF