Jornal dos Desportos

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Girabola

Hlder Teixeira quer equipa de conquista

Jlio Gaiano - Benguela - 05 de Junho, 2016

Antigo tcnico do Clube Recreativo da Cala estreia frente do comando dos proletrios no Campeonato Nacional frente a sua anterior equipa

Fotografia: Jos Soares

O novo técnico da equipa principal de futebol do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela, Hélder Teixeira, afirmou que vai trabalhar no sentido de livrar a equipa da situação crítica em que se encontra na tabela da classificação do Girabola Zap 2016. O treinador proletário garantiu a continuidade do projecto iniciado por Joaquim Nfinda "Mozer", demitido após a disputa da 13ª jornada.

"Vamos introduzir a minha filosofia de trabalho e incutir um estilo de jogo que se caracteriza com a equipa. Para isto, temos uma semana para trabalhar e pensar no desafio com o Recreativo da Caála. Vamos mexer aí onde for necessário e dotar à equipa um espírito de luta e de conquistas. O
1º de Maio precisa sair da posição em que se encontra o mais depressa possível. Para isto, vai ser preciso não perder na deslocação à Caála", disse.

Hélder Teixeira considera que o trabalho encontrado tem muitos aspectos positivos e garante que vai tirar máximo proveito para manter vivo o projecto que estava a ser desenvolvido por Nfinda Mozer até à sua destituição do cargo.

"Há muito de positivo que se deve aproveitar se quiser melhorar a prestação da equipa na competição. Sozinho, não poderei fazer tudo, vai ser necessário o envolvimento de todas forças vivas da província, amantes do futebol e que se preze com as cores do clube", frisou. O antigo treinador do Recreativo do Caála, que falava à Emissora Provincial de Benguela, por sinal, o único órgão convidado para a cerimónia de apresentação do substituto de Nfinda Mozer, manifestou o seu agrado pelo facto de estar a trabalhar para o 1º de Maio de Benguela, a julgar pelo histórico que ostenta. Dois títulos de campeão nacional e três Taças de Angola ganhas, para além de uma final perdida, em 1995, na extinta Taça de Clubes Africanos.

"É um orgulho estar cá e a dar o meu melhor, muito mais por ser a terra que me viu nascer, de onde saí como jogador e regresso (como treinador) para ajudar o clube a reerguer-se do simplismo e, desta, recuperar a mística perdida ", sublinhou. Nesta sua nova aventura, o técnico Hélder Teixeira conta com a colaboração directa de dois antigos jogadores do clube: António Brandão e Pedro Santos. Eduardo Ramon continua a exercer o cargo de preparador físico, por sinal, o único que sobreviveu da "chicotada psicológica" aplicada à equipa técnica liderada pelo professor Joaquim Nfinda "Mozer.


APRESENTAÇÃO
Clube proletário
exclui imprensa


O treinador Hélder Teixeira foi apresentado sexta-feira última, em Benguela, como técnico principal do Estrela Clube 1º de Maio, em substituição de Joaquim Nfinda "Mozer", sem a presença da maioria dos órgãos de comunicação social da região.

As razões evocadas pela direcção do clube liderado por Wilson Faria, problemas de ordem técnico (não especificadas), não convenceram grande parte dos jornalistas que se viram excluídos do processo.

"Eles (direcção do 1º de Maio de Benguela) convocaram apenas a Rádio Cinco. Talvez por terem lá um dos repórteres a trabalhar para eles (clube) e, coitados, dos demais que, diante desta realidade, terão de se contentar com os 'mujimbos'. Foi mau, mas o que fazer, se é mesmo assim que (eles) nos habituaram a servir ", lamentou Jairo Miranda, jornalista da Agência Angola Press (Angop), em representação dos demais repórteres que manifestaram o seu desagrado pelo sucedido.

Ainda assim, o Jornal dos Desportos apurou de alguns dirigentes afectos ao clube proletário, que o técnico Hélder Teixeira vai orientar a formação a equipa até o final do presente Girabola Zap.                        


MUDANÇAS CONSECUTIVAS
Atitude da direcção preocupa benguelenses


A contratação do técnico Hélder Teixeira para orientar a equipa principal de futebol do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela revela-se num autêntico desespero da direcção daquela agremiação desportiva que se tem pautada pelas imprecisões nas decisões que toma. Esta foi a constatação feita por distintas individualidades da sociedade desportiva benguelense que, ainda assim, desejam sucesso ao novo técnico proletário.

Os entrevistados do Jornal dos Desportos consideram estar-se diante de incongruência  da direcção liderada por Wilson Fernando Faria, sobretudo nesta fase em que se projecta revitalizar a equipa principal, com um programa concebido para dois anos e que foi interrompido depois do afastamento do treinador Joaquim Nfinda "Mozer".

O antigo lateral direito do clube e da Selecção Nacional, Nzuzi André, chamado a assumir o referido projecto, empatou na estreia, por isso, acabou destituído, apesar das garantias que recebeu da direcção para se manter no cargo até ao fim da primeira volta. Na realidade, a situação vigente no grémio encarnado é de fortes contestações movidas pela grande parte da sua massa apoiante que diz não perceber das acumuladas indecisões naquela direcção.

Em face disto, há quem sugere o retorno do dirigente Rui Araújo na gestão dos assuntos de futebol sénior do 1º de Maio de Benguela e, desta, acabar-se com as dúvidas e incertezas que se agudizam no seio da colectividade, e que afecta negativamente no comportamento da equipa no Girabola Zap.

Para o velho Armindo Kamati, sócio do clube, a direcção do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela tem pecado em demasia nas grandes decisões que toma, sobretudo quando em jogo está o futebol de alto-rendimento.

"Aquando da contratação do professor Nfinda Mozer, a direcção apresentou um programa de execução para dois anos, que resultaria na recuperação da mística do clube. Um ano depois, o mesmo estagnou-se com a destituição do técnico, um técnico que, até certo ponto, estava a realizar um trabalho aceitável", precisou.

No entender de Armindo Kamati, a indicação do técnico Nzuzi André foi polémica, muito mais quando este, propôs à direcção a reestruturação de um plantel que, na qualidade de director-técnico, ajudou a construir. Sem vacilar, associa a este facto como estando na base de o mesmo (Nzuzi André) ver o seu trabalho interrompido antes do término da primeira volta, tal como ficou combinado com a liderança do clube.

"Foi mais um dos vários erros que se observaram. O empatou a um golo com o Progresso da Lunda Sul bastou para se desconfiar do técnico e anular a aposta. Faço votos que o professor Hélder Teixeira não tenha a mesma sorte e termine, com sucesso, o projecto começado pelo técnico Joaquim Nfinda 'Mozer'. É duro, mas não temos como não aceitar a decisão ", precisou.